A ironia é uma ferramenta, uma arma, uma figura de retórica ou aquilo que lhe quiserem chamar, muito parecida com o Tango. São precisos dois para que a “coisa” funcione…
Curiosamente, por ironia, dizer ou escrever o contrário daquilo que se pensa, diz mais do receptor que do emissor.
Se quem interpreta não está no mesmo comprimento de onda, a mensagem que se pretende passar acaba por se perder no enlameado da provocação.
E a provocação gera normalmente uma reação, que acaba por “atirar” para a sub-cave, a nobreza contida na ironia inicial.
Em tese, gosto da ironia…porque não gosto de coisas mastigadas e porque aprecio aquilo que é intelectualmente estimulante.
Gosto de tudo o que me faz pensar e de tudo o que não me dá respostas óbvias.
Talvez seja por isso que gosto tanto de política e de campanhas eleitorais.
Em primeiro lugar, gosto de observar a súbita alteração de personalidade da generalidade dos candidatos que, de repente, passam a ser socialmente extrovertidos com base numa simpatia contagiante, e onde antes entravam sem darmos pela sua presença, hoje entram e fazem questão que demos pela sua presença, cumprimentando, um a um, todos os que já lá estavam.
Depois gosto de os ouvir. É um desafio interessante tentar adivinhar a mensagem subliminar por trás de cada discurso, de cada promessa ou de cada intenção.
Não o escrevo com ironia. Acredito que as “coisas” perdiam metade da piada se se fizesse tudo aquilo que se promete. Apenas para relembrar e para que não se percam, continuo a circunscrever-me ao universo da política e das campanhas eleitorais.
Bem sei que as generalizações são perigosas e correm o risco de ser injustas. Também sei que há quem venha com espírito de missão, diferenciando-se para melhor e com vontade de acrescentar valor na vida das pessoas, dos municípios e do país.
É esse o nosso papel enquanto receptores, leitores e eleitores. Ver para lá da ironia e eleger as opções certas. As nossas vidas, individuais e coletivas, agradecem. Agora sim, sem ironia!
