Muitos são aqueles que acreditam que o seu dever para com a sociedade está somente no voto, exercendo esse direito como um descargo de consciência e de civismo. Outros limitam-se a não participar e a depositar em terceiros a bola da decisão sobre aquilo que é político e que apenas à política diz respeito.
A participação política na democracia é classificada de três formas: participação política convencional, onde se encaixa o voto; a não convencional que contempla greves e manifestações e a ilegal, que diz respeito a todas as formas de reivindicar atitudes ou ações políticas de forma contrária à lei, como por exemplo agredir políticos, perpetuar ataques terroristas, o corte de estradas ou a invasão e barricada de edifícios estatais. Essa intervenção é praticada pelos cidadãos e nesse sentido é importante a participação de todos na vida da sua cidade, da sua região e do seu país, de modo a escrutinar a atividade de quem é executor do poder político, de exigir e ajudar nas melhorias necessárias a fim de fazer parte da construção do bem comum.
Achar que apenas se participa ativamente na política quando se faz parte de manifestações, se é militante partidário ou se vai votar é tão errado como certo. De facto, a imensidão de formas de participar na vida da cidade e do país deixa qualquer um indeciso sobre de que forma participar levando a que muitos, exaustos de ponderar desistam simplesmente de o fazer. Uma das formas de intervir é através de grupos de interesse, esses grupos juntam pessoas que têm um interesse em comum e dão voz a esse interesse junto dos órgãos competentes para dar resposta. É, ainda assim, difícil encontrar quem queira fazer parte desses grupos ou quem queira participar convencionalmente pois aquilo que muitas das vezes desmotiva as pessoas a participar são os abusos de poder, a corrupção e um não cumprimento da palavra dada, característica muito associada aos políticos portugueses.
Recentemente vi nascer e crescer em Abrantes um movimento da sociedade civil que reivindica a manutenção e preservação do antigo Mercado Municipal de Abrantes. Esse movimento tenta dar voz à opinião dos cidadãos que estão contra a decisão do município de demolição deste edifício. É de louvar estas iniciativas que surgem do seio da sociedade civil e que tenham a incisão necessária para representar bem a vontade dos munícipes, não permitindo que seja feito tudo aquilo que os políticos decidem fazer. É essencial que estes grupos apareçam e reivindiquem de forma inovadora para atrair para si todos aqueles que se revêm nas suas ideias pois na democracia cada vez mais, e assim é que deve ser, o poder não pode ser da maioria, mas sim deve estar distribuído por todos de forma a que tudo aquilo que é feito seja feito em consenso.
Os meus parabéns a quem luta pelo património edificado Abrantino, lhe vê um futuro e uma função e aos que ainda não são amigos do Mercado de Abrantes e se revejam neste ideal que o façam para evitar que esse marco histórico seja demolido.
