“Escutar também é falar”. Cruzei-me com esta frase quando li uma das obras de Mia Couto e desde logo achei que ela tinha tanto de verdade como de paradoxo se a quisermos utilizar como retrato ou assinatura dos tempos modernos.

Se quiser ser rigoroso posso mesmo afirmar que vivemos atualmente nos antípodas da frase do escritor moçambicano porque virou moda falar sem escutar.

Hoje em dia todos temos opinião, todos sem exceção…e não há nada de errado neste princípio desde que seja respeitada a regra do contraditório…mas o problema é que todos temos opinião que é uma verdade absoluta e que por isso não escuta para não permitir ser questionada.

Vivemos assim na era da opinião e do comentário…e já há mesmo quem viva desta ocupação.

As redes sociais têm a sua quota-parte de responsabilidade nesta situação mas na minha opinião, os meios de comunicação social são os principais “culpados” do caminho já percorrido ao dar tempo de antena, ou melhor, pagando a tantos profetas da opinião.

Falamos, falamos, falamos e não nos cansamos de nos ouvir porque simplesmente não paramos para escutar!

Escutar caiu em desuso, está fora de moda…e hoje quem não se faz ouvir não é ninguém neste mundo ruidoso habitado por opinadores…ou comentadores, se preferirem.

Hoje todos temos a solução para os grandes problemas da humanidade. Não temos grandes dúvidas sobre a avaliação dos governos, sobre a fórmula para evitar que o país continue a arder todos os anos, sobre a solução para a Autoeuropa, sobre a temática dos migrantes ou dos refugiados, sobre a ameaça do Estado Islâmico que oficialmente terminou, mas como bem sabemos não é bem assim…ou sobre qualquer outro tema, independentemente do seu grau de complexidade.

Apesar de nos termos esquecido de escutar, vivemos tempos em que todos somos especialistas em tudo…

Sim, bem sei que esta é uma crónica de opinião e que eu  também faço parte deste processo…mas tenho tido a preocupação de ser cuidadoso e não me “mandar” para fora de pé escrevendo apenas sobre temas que conheço ou domino…e quando não conheço, invisto algum do meu tempo a ouvir e a ler para formar a minha opinião e assim partilhá-la com base em dados e em factos. Mas aqui convém não confundir conhecer/desconhecer com concordar/discordar.

Formar uma opinião não é sinónimo de estar na posse da razão e se há coisa que aprendi na vida é que é fácil cair no ridículo, porque hoje como ontem, a ignorância continua a ser muito atrevida!

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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