Anda muita gente atarantada com a chegada ao poder de Trump. Em recente crónica referi cachorros e hambúrgueres, de grosso modo, entendidos por muito boa gente como a representação culinária do Tio Sam, o que é tremendo erro.
Muitos comentários à tomada de posse do multimilionário fazem pensar que os americanos votantes em Trump são uma cambada de gebos e lorpas (outro erro crasso), como se a inteligência e o bom gosto fosse exclusivo dos europeus. Ora, por cá também há gebos, alguns detentores de títulos académicos que não resistem a gabarem-se quando conseguem um pequeno sucesso, deixando o rabo de fora porque caso fossem inteligentes e discretos obtinham melhores compensações relativas às causas onde se empenham.
Nos Estados Unidos existem lorpas, gebos e anões mentais, são bem capazes de comerem anos seguidos a mesma coisa, no entanto, não deve existir no Planeta país onde a diversidade gastronómica é tão impante e abrangente. Ao lado da cozinha tradicional daquele imenso território emergem as cozinhas étnicas, as regionais, as da saudade, as de índole religiosa, de experimentação e tutti-quanti. Também a refinada, da denominada alta-cozinha. No tocante às delicadezas gastronómicas é tudo uma questão de posses, não há limites no domínio da experimentação.
Da tradicional destaco as sopas de peixe, as sopas de frutas frias de verão, os feijões vermelhos com bacon, o fiambre assado no forno servido na companhia de rodelas de ananás e arroz, os mariscos de concha, a lagosta assada no forno com recheio, os grandes bifes grelhados, os churrascos, e, nas sobremesas, as tortas e tartes de maçã. Num rápido relance refiro estas composições que vou apreciando a par de outras ausentes do nosso quotidiano, algumas exóticas outras referentes só a um produto, caso do milho e/ou das abóboras-menina (sopas, acompanhamento de peixes e carnes, bolos e gelados).
No capítulo da concepção cromática dos pratos os olhos ficam deslumbrados na contemplação de preparados de todas as formas e feitios. Os programas televisivos oferecem visões desses fascinantes espectáculos.
Acerca do triunfo do fast-food e comida de snack-bar existem livros para todos os gostos e paladares, na minha modesta opinião de todos quantos li o estudo de Roland Barthes é aquele que melhor descreve as causas da sua projecção em todo o Mundo.
A vitória do septuagenário ruivo brilhante é a derrota da elite, dita bem pensante, de Boston, Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles, Filadélfia, Houston, Hollywood, Washington, do Capitólio e grandes Universidades. As elites sabem qual é o sabor do filet-mignon, do caviar, da lagosta Termidor, esqueceram as raízes, e um deles, imprevisível, destemperado, ganhou o trono do poder. O futuro?
Enquanto não for ao oráculo não posso responder, mas posso assegurar o empenho na degustação dos bons comeres e vinhos dos camones, os quais são educados na crença de todos poderem ser Presidentes. Percebem?
