O Entroncamento assinalou esta segunda-feira os 80 anos da sua elevação a concelho, numa sessão que destacou a identidade ferroviária e o papel das comunidades que moldaram o seu desenvolvimento desde 24 de novembro de 1945.
O presidente da Câmara Municipal, Nelson Cunha, destacou a ferrovia como elemento central do passado, presente e futuro do território, acrescentando que o concelho continua a projetar-se com “responsabilidade, estratégia e visão clara”, assente em pilares como segurança, saúde, habitação e desenvolvimento económico.
As comemorações do 80.º aniversário começaram com o hastear das bandeiras nos Paços do Concelho, seguindo-se a sessão solene no Salão Nobre. Durante a cerimónia, foram homenageados funcionários municipais que, em 2025, completam 15, 25 e 35 anos de serviço, distinguidos com a Medalha Municipal de Serviço Público, nos graus bronze, prata e ouro, respetivamente.
Durante o seu discurso, o presidente da Câmara Municipal destacou que a data “representa muito mais do que um marco histórico”, traduzindo “a afirmação de uma comunidade que soube crescer, inovar e construir a sua identidade a partir do esforço coletivo de gerações”.
Sublinhando a origem e evolução do Entroncamento enquanto ponto de cruzamento de caminhos e tradições, Nelson Cunha lembrou que a ferrovia “mudou a paisagem e a forma de viver”, estando “profundamente inscrita no ADN do concelho”.
Projetando o futuro, o presidente elencou os eixos estratégicos que orientam o atual mandato autárquico. Na área da segurança, Nelson Cunha destacou a intenção de criar a Polícia Municipal, reforçar a articulação com as forças de segurança e instalar sistemas de videovigilância em zonas consideradas críticas.
No domínio da saúde, o município está a trabalhar para melhorar as condições de atendimento, reduzir tempos de espera e atrair mais médicos para o concelho. Para o edil, estes objetivos dependem de uma colaboração próxima com as entidades competentes, garantindo que o Entroncamento disponha dos serviços de saúde adequados às necessidades da população.

ÁUDIO | NELSON CUNHA, PRESIDENTE CM ENTRONCAMENTO:
Quanto à habitação, Nelson Cunha defendeu políticas “justas e transparentes”, focadas no aumento da oferta habitacional e em candidaturas rigorosas e equilibradas. O objetivo passa responder às necessidades de famílias, jovens e de todos os que procuram no Entroncamento um lugar para viver e trabalhar.
Já no que respeita às infraestruturas e desenvolvimento económico, o autarca apontou a necessidade de criar condições para atrair empresas, dinamizar a atividade económica e gerar emprego, preparando a cidade para desafios futuros. Entre as prioridades, destacou a requalificação da estação ferroviária, vista como um espaço funcional e moderno, digno da relevância histórica e simbólica que tem para o concelho e para o país.
Nelson Cunha sublinhou que celebrar os 80 anos de concelho é também reconhecer “a força de uma comunidade que nunca desistiu” e renovar um compromisso com um território “mais coeso, moderno e preparado para os desafios do futuro”.
O presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Belejo, evocou a história da cidade e prestou homenagem aos autarcas e trabalhadores que contribuíram para o desenvolvimento do território ao longo das últimas décadas.
Recordou ainda José Duarte Coelho, ferroviário e primeiro presidente da Junta de Freguesia da então Vila do Entroncamento, a quem atribuiu um papel determinante na afirmação local.

No seu discurso, Sérgio Belejo salientou que esta comemoração “convida a refletir sobre a história e sobre a força que nos trouxe até aqui”. Descreveu o Entroncamento como uma comunidade nascida do encontro das linhas férreas, das pessoas e das oportunidades, lembrando que foi no Largo das Vaginhas, “modesto e quase rural”, que se fixaram as primeiras famílias e surgiu o primeiro comércio, num quotidiano marcado pela cadência dos comboios.
Sérgio Belejo reforçou que o Entroncamento é hoje “uma cidade com potencial extraordinário”, beneficiando de localização estratégica, boas acessibilidades e do que qualificou como “o maior e mais relevante porto seco do país”.
ÁUDIO | SÉRGIO BELEJO, PRESIDENTE AM ENTRONCAMENTO:
“O Entroncamento é também terra de fenómenos, que nos tornam únicos e nos lembram que a cidade sempre teve e sempre terá um toque especial de surpresa e imaginação. Que este 24 de novembro seja, portanto, a celebração da nossa história, da nossa identidade, da nossa coragem e, acima de tudo, do nosso futuro”, concluiu.
No final da sessão solene, decorreu no Largo José Duarte Coelho a entrega simbólica de EPI’s – Equipamentos de Proteção Individual à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, que receberam 21 equipamentos completos.
Posteriormente os convidados fizeram visita à Exposição Documental “Editais do Município do Entroncamento”, patente na Galeria Municipal até ao dia 27 de novembro.
Ao final da tarde pelas 17h30 será inaugurada a iluminação de Natal da cidade que marcará o encerramento das comemorações do 80º Aniversário do Concelho do Entroncamento.



Fotos: CME
A história do Entroncamento, profundamente ligada ao surgimento e expansão da ferrovia em Portugal, revela um concelho que cresceu ao ritmo dos comboios, das oficinas e das comunidades que aqui encontraram oportunidades. A partir de uma pequena estação ferroviária, ergueu-se uma cidade que rapidamente afirmaria identidade própria e um percurso singular no panorama urbano do país.
Como descreve Manuela Poitout, autora do texto abaixo citado, esse desenvolvimento fez do Entroncamento um caso único de evolução administrativa e demográfica no século XX:
“Breve história do Concelho do Entroncamento:
O Entroncamento é cidade e sede de concelho com 13,7 quilómetros quadrados e 21.558 habitantes (Pordata 2019). Localiza-se no Vale do Tejo e pertence à Região Centro, sub-região do Médio Tejo. Situado no centro do Ribatejo, beneficia da sua inserção geoestratégica na região do Vale do Tejo e de boas acessibilidades ferroviárias e rodoviárias. Tem duas freguesias, uma de cada lado da linha férrea que atravessa o concelho. Confina com o concelho da Golegã a sul, com o de Torres Novas a poente e a norte, e com o concelho de Vila Nova da Barquinha a nascente. Dista 7 km de Torres Novas, 19 km de Tomar, 43 km de Santarém e 120 km de Lisboa.
Nasceu em meados do séc. XIX, com os alvores da construção ferroviária, e começou por ser uma simples estação de caminhos-de-ferro. Por perto existiam dois lugarejos de poucos habitantes (o Casal das Vaginhas e o Casal das Gouveias), onde se vieram estabelecer os primeiros trabalhadores. Os técnicos eram, na sua maior parte, estrangeiros, a mão-de-obra veio, numa primeira fase, de diversos pontos do país, depois acentuou-se o afluxo de trabalhadores vindos da Beira Baixa e Alentejo.
O nome da cidade deriva do entroncamento ferroviário que aqui se formou, com a junção das Linhas do Norte e do Leste, em 1864. Charneira das ligações com o Leste e Beira Baixa, a estação do Entroncamento foi, durante décadas, ponto de paragem obrigatória para quem mudava da linha do Norte para a do Leste e vice-versa, quando o comboio era o meio de transporte mais utilizado.
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Fonte: Manuela Poitout
In https://www.cm-entroncamento.pt/index.php/municipio/cidade#historia”















































