Passos Coelho mantém a mesma linha de discurso – vem aí uma hecatombe. Todo o PSD lhe segue o rasto e lá vão anunciando uma desgraça ao virar de cada esquina e agora até um “inevitável novo resgate”, como fez Paulo Rangel. Passos Coelho pergunta: “Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?” para ilustrar bem o seu desespero argumentativo. A ex-Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, conta um conto de fadas perante as câmaras de televisão: “Se eu ainda fosse Ministra das Finanças…”

Do CDS surgem as mais disparatas afirmações: Assunção Cristas no seu afã de criar frases bombásticas não hesita na dose de demagogia e populismo a aplicar: desde dizer que o “Sol passou a pagar imposto”, mentindo sobre o que realmente consta da Lei e até de uma Lei feita pelo seu governo, passando pela proposta dos partidos políticos passarem a pagar IMI, proposta que o CDS sucessivamente chumbou até à proposta para baixar o IRC das empresas considerada “excessiva” pelos patrões. Há limites, mesmo quando se está desorientado e se procura furar no espaço político.

As profecias não se concretizaram até hoje, nem sequer as referentes a Bruxelas e às sanções, que teriam maior hipótese de vingar.

PSD e CDS pensam que os portugueses e as portuguesas já esqueceram os seus anos de governação. A austeridade, os cortes nos salários, nos apoios sociais, nos direitos – em todos os direitos. Nunca perceberam que os portugueses e as portuguesas se sentiram atingidos na sua dignidade de cidadãos e cidadãs. Estavam ocupados e concentrados na aplicação da sua política, em ser “mais papistas que o papa”, em mostrar trabalho a Bruxelas. Nunca ousaram contradizer o directório europeu, nunca defenderam o país e quem cá vive.

Quero com isto dizer que tudo corre às mil maravilhas, que não existem dificuldades? Não. Se existe virtualidade nos acordos à esquerda uma é, sem margem para dúvidas, o facto de se dizer a verdade ao país e de se reconhecer as dificuldades e as limitações.

Aproxima-se o Orçamento de Estado para o próximo ano. Existem expectativas, sem dúvida. É preciso aprofundar o caminho seguido e o caminho tem um nome – travar o empobrecimento.

Para a direita é uma dor de cabeça não ter alternativa. Paciência. Os tempos são outros e as profecias, não passam disso mesmo, profecias. A vida concreta é outra coisa.

Helena Pinto

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação Feministas em Movimento.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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