A ministra Ana Abrunhosa e o presidente da Câmara de Vila de Rei, Ricardo Aires, na abertura da Feira de Enchidos, Queijo e Mel. Foto: mediotejo.net

A visita inaugural decorreu durante a tarde bastante quente deste sábado, com uma comitiva que representava todo o concelho e distrito, mas que também contou com a presença da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que teceu vários elogios à postura dos autarcas e ali refletiu sobre as políticas para o desenvolvimento e resgate do interior do país perante as dificuldades e pedidos dos discursos proferidos. Ricardo Aires, presidente da Câmara, deixou um recado à governante, para que conseguisse ajudar a concluir o processo para uma “verdadeira” lista definitiva de territórios de baixa densidade em Portugal.

Ricardo Aires manifestou agradecimento pelo “carinho especial” da Ministra pela coesão territorial, reconhecendo e agradecendo “a permanente disponibilidade em apoiar os projetos e anseios” de Vila de Rei.

ÁUDIO | Discurso do Presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires

“Não nos cansaremos de apelar à sua valiosa colaboração para a concretização dos objetivos traçados e, assim, responder adequadamente às necessidades dos vilarregenses. Sendo assim, apelamos que V. Exa., em nome do Governo, consiga concretizar uma verdadeira Lista de Territórios de Fiscalidade de Baixa Densidade”, afirmou o edil.

Junto da carrinha Esperança Porta-a-Porta, um projeto que descentraliza serviços e presta apoio em itinerância por todo o concelho. Foto: mediotejo.net

Foi há 33 anos, lembrou o presidente da Câmara de Vila de Rei, que a autarquia promoveu “uma iniciativa arrojada para a época, com a realização de um certame virado para as atividades económicas de modo a potenciar os produtos endógenos e desse modo apoiar a afirmação e crescimento dos nossos empresários, bem como a rentabilização de todos os setores da economia concelhia”.

A Feira de Enchidos, Queijo e Mel foi crescendo e afirmando-se no calendário de eventos culturais e socioeconómicos a nível local, regional e nacional, sendo montra dos sabores e saberes tradicionais.

“Os princípios permanecem atuais: a promoção dos nossos produtos tradicionais, as nossas empresas concelhias, a divulgação das potencialidades turísticas e culturais, e a criação de adequadas condições de convívio entre os vilarregenses, as gentes da região e todos quantos nos visitam”, enumerou o edil.

Frisou o facto de ali, naquela Feira, existir um palco para o artesanato, produtores locais, serviços, comércio e indústria de Vila de Rei, para depois mencionar a relação de proximidade dos vários serviços e gabinetes do Município com os empreendedores que querem apostar no concelho e com isso ajudar na dinamização económica e criação de postos de trabalho, fatores importantes para a fixação de pessoas.

Referiu-se aqui aos vários regulamentos municipais de apoio às famílias, à fixação de pessoas, às crianças e jovens alunos, bem como à iniciativa privada/empresários.

Entre os vários regulamentos, frisou aquele que dá estímulos ao investimento, que pretende “estimular a consolidação do tecido empresarial existente mas também constituir o concelho como um território cada vez mais atraente para os investidores, potenciando a economia local e a criação de emprego”, disse.

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Neste âmbito, fez referência o autarca à assinatura de protocolo para geminação entre Vila de Rei e Crosne, município de França, que decorreu na manhã deste sábado, 30 de julho, “que tem como um dos objetivos a internacionalização dos produtos de Vila de Rei para França”.

Mencionando que “Vila de Rei é um concelho com vida própria em que a hospitalidade das pessoas é o elo de ligação de tanta diversidade”, deixou “um Bem-Haja” a todos e um convite para aproveitar a “feira-mostra” do concelho nos próximos dias.

Por sua vez Ana Abrunhosa, Ministra da Coesão Territorial, agradeceu o convite para estar presente, sublinhando que “o Governo tem mesmo que estar próximo do território” e “essa vontade e disponibilidade começa na nossa cabeça”.

Entendeu que o regresso da FEQM é “muito desejado por todos” por causa da paragem forçada a que a pandemia obrigou, felicitando o município por manter o certame que contribui para manter a tradição, promover a economia local e para valorização do concelho.

A governante frisou que, com a pandemia e a guerra, os territórios do Interior “passaram a ter outra atratividade, sendo espaços seguros de turismo, mais seguros para viver e trabalhar”.

Na inauguração da XXXI FEQM estiveram também presentes as deputadas eleitas pelo círculo de Castelo Branco à Assembleia da República, Cláudia André (PSD) e Paula Reis (PS). Foto: mediotejo.net
ÁUDIO | Discurso de Ana Abrunhosa, Ministra da Coesão Territorial

Ana Abrunhosa referiu-se à Feira de Enchidos, Queijo e Mel enquanto “montra privilegiada sobre aquilo que melhor se faz em Vila de Rei, da excelência dos seus produtos endógenos, da sua rica gastronomia, do seu artesanato, e também será um espaço de encontro e também, espero eu, oportunidades de negócios que o território tem para oferecer”, notando que o certame “é celebrar Vila de Rei”.

Partindo para a reflexão que é usual fazer, reconhecendo nos discursos dos autarcas os desafios e dificuldades de gestão para o futuro e sustentabilidade do território, disse que Vila de Rei enfrenta como tantos outros concelhos “várias ameaças e desafios que temos que transformar em oportunidades”.

Disse que os discursos dos autarcas vilarregenses foram “realistas” mas também de esperança, porque se impõem na resolução dos problemas e não apenas na sua identificação.

Entre os problemas que afetam os concelhos do Interior do país, falou no êxodo rural e na perda demográfica, apesar de entender que se “regista uma tendência de pessoas qualificadas quererem vir viver e trabalhar para estes territórios, mas temos que lhes oferecer aquilo que elas querem”.

A ministra Ana Abrunhosa com o presidente da Câmara de Vila de Rei, Ricardo Aires, e o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Brito. Foto: mediotejo.net

“Hoje temos que ter nas nossas aldeias os serviços que existem nas cidades, porque os jovens qualificados querem ter qualidade de vida. Falo da conetividade digital, e de outros atrativos para esses novos habitantes. Às vezes são o regresso dos nossos netos que nem sempre encontram nas grandes cidades a qualidade de vida e resposta às legítimas expetativas que têm porque são mais qualificados hoje”, acrescentou, entendendo que a pandemia mostrou que “podemos viver e trabalhar para o mundo a partir destes territórios”, referindo-se às valias do teletrabalho, conceito que ganhou proporção devido ao fecho de portas e fronteiras e aos confinamentos provocados pela pandemia de covid-19.

A ministra defendeu ainda as vantagens dos territórios do interior para uma situação de “rutura energética”, que se impõe no processo de mudança de paradigma quanto às fontes de energia, que se querem mais verdes.

“Estes territórios podem ser local adequado para se instalarem empresas que vão produzir energia limpa, e isto hoje já não é uma moda, nem pode ser encarado como tal. É o único caminho que temos para fazer”, afirmou, aludindo ao encerramento da Central a carvão do Pego, em Abrantes, e ao programa do Fundo para a Transição Justa, do Portugal2030.

Deixou ainda uma palavra a todos os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, na pessoa do secretário executivo Miguel Pombeiro, que não descansaram até abrirem os avisos ao “fundo dedicado aos territórios onde houve encerramento de atividade económica visando a transição energética”.

Foto: mediotejo.net

“Senhor presidente, fica aqui o compromisso: não faltarão apoios para investimentos empresariais que sejam inovadores e que contribuam para fazermos esse caminho de termos uma pegada ambiental cada vez melhor, de fazermos a transição energética e noutras áreas que sejam relevantes para sermos um país cada vez mais sustentável”, frisou.

Fez menção ainda à aposta na “inovação de ponta”, em projetos inovadores baseados em conhecimento e tecnologia, como o que se referiu Paulo Brito, presidente da Assembleia Municipal de Vila de Rei e investigador do Instituto Politécnico de Portalegre, que tem incentivado e acompanhado uma série de projetos para o concelho, nomeadamente a instalação de uma biorrefinaria que possa aproveitar os resíduos provenientes da biomassa e com isso contribuir para uma mudança do paradigma da produção energética e da sustentabilidade da floresta, e com isso diminuir o impacto e risco dos incêndios florestais, também por via da implementação de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), programa nacional lançado pelo Governo.

ÁUDIO | Discurso de Paulo Brito, Presidente da Assembleia Municipal, que abriu a sessão oficial de inauguração da FEQM

“Temos que aprender com o que nos aconteceu no passado. Valorizar as atividades que temos que temos, a agricultura, a floresta, cada vez com mais conhecimento, e diversificar a atividade económica nestes territórios. Todas têm lugar e é muito importante que tenhamos uma economia diversificada que nos torna mais resilientes e mais ricos, onde todos temos lugar”, concluiu demonstrando o seu pensamento e deixando um alerta.

“Estes territórios têm um potencial e riqueza extraordinários e se o país não os aproveitar, nunca será um país desenvolvido”, terminou a ministra.

Depois de dois anos de interregno, a montra do concelho promete aliar o melhor da música, artesanato e gastronomia, e conta com um cartaz musical diverso com nomes conhecidos do público português como Zé Amaro, Cuca Roseta, Matay, Bárbara Bandeira e Suzana. Há ainda atividades complementares para toda a família, caso das atividades desportivas e de lazer e da Feira do Livro na Biblioteca Municipal.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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