As últimas semanas têm confirmado aquilo que mais se temia, a economia não cresce, o investimento estagnou e o crescimento do país ficou muito abaixo do valor do ano passado (1,6%) e drasticamente abaixo do pré-anunciado pelo governo, qualquer coisa como 2,4%.
Confirmou-se também que o défice só baixa porque se aumentaram os impostos e não por causas de cortes na despesa ou graças a reformas estruturais.
Optou-se pelo caminho do preguiçoso, cobra-se mais e não se paga a quem se deve.
Se há uns meses soubemos das dívidas aos hospitais, mais recentemente ficámos a saber que também aos bombeiros o governo deve 25 milhões de euros, não paga as refeições dos estabelecimentos prisionais, deve para cima de 200 milhões de euros às escolas que têm ensino profissional, atrasou o início de obras importantes na ferrovia e rede rodoviária no país, e em particular no distrito de Santarém, adiou a manutenção dos transportes públicos, não paga o que deve do QREN, tem uma desorçamentação na educação que rondará os 800 milhões de euros, adiou os reembolsos da dívida ao FMI….. etc etc etc
A acrescentar a tudo isto temos um Ministro das Finanças que esconde documentos do OE2017 ao Parlamento, que faz o país recuar em termos de transparência, quase ao tempo da ‘outra senhora’, desrespeitando a democracia, a Assembleia da República e os portugueses.
Se tudo isto já não era pouco, temos mais um episódio da longa tragédia da CGD, ao ver o BCE desmentir António Domingues e Mário Centeno sobre quem deu as ordens para aumentar salários na CGD. Centeno e Domingues, num acto de cobardia inaceitável, quiseram que fosse o BCE a ficar com o ónus do aumento salarial que ambos combinaram às escondidas. Além disso, terão combinado também que os administradores da CGD, de ora em diante, ficariam isentos do escrutínio público dos portugueses numa atitude reprovável, indecente e prepotente.
Falta de transparência, falta de rigor, falta de coragem, falta de pudor e falta de vergonha, é aquilo que caracteriza a actuação da esquerda neste processo orçamental e na gestão da CGD. Todos estes episódios num governo PSD/CDS dariam azo à indignação popular, à revolta, a tudo o que servisse de desculpa para demonstrar a superioridade moral da esquerda portuguesa. Afinal, essa dita moral fica-se apenas pela retórica, pelos poemas e pelos amanhãs que cantam.
Na verdade, a esquerda tanto lava mais branco como também suja as mãos com muito mais frequência.
