Pensava eu que os meios de comunicação social tinham aprendido a lição. Afinal não. Se calhar é de mim. Mas depois vejo as entidades com responsabilidades na defesa dos direitos das crianças a atuarem e concluo que afinal não é de mim. Passa-se mesmo qualquer coisa com a nossa comunicação social/empresarial.
Então, agora que a “Supernanny” foi “pensar para o banquinho”, vem a Moche dizer aos nossos jovens “Destrói os teus amigos sem gastar Net”. Oi?? Há qualquer coisa que me ultrapassa nestas publicidades. Se calhar sou eu não vejo o alcance da publicidade. Numa sociedade em que se fala cada vez mais de casos de bullying, em que se discute a pertinência da adoção de medidas preventivas e reparadoras dos casos de violência, temos uma publicidade a incitar à violência e a desvalorizar a amizade, que passa em horário nobre em todas as tv’s lá de casa. Parece-me que a empresa de comunicações visada, não mediu bem o impacto das palavras, ou então agora temos o “vale tudo”, desde que se fale da marca.
Já quase que parece que agora somos todos puritanos e que não se pode dizer ou fazer nada na televisão ou na rádio, que lá vem um bando de fundamentalistas defender o alegado superior interesse da criança. Mas o que eu questiono é: Que valores estamos a passar? Que sociedade estamos a construir quando já nada importa? Quando ouvimos jovens adultos dizer que também não faz mal dar uns tabefes aos miúdos porque ele também levou e está ali. Pois, nota-se o que os tabefes lhe fizeram… Não acho que devemos ser radicais ao ponto de colocar as crianças numa redoma de vidro e não as expor à cruel realidade da nossa sociedade, mas antes temos de lhes dar ferramentas para que elas, expostas a esta crueza, consigam safar-se. Consigam ver o que está certo e errado e se consigam proteger de eventuais bullies (agressores).
Bem, aguardemos então que a Direção-Geral do Consumidor faça cumprir o código da publicidade.

