A amêijoa-japonesa (Ruditapes philippinarum) é uma espécie nativa do Japão, com uma distribuição ampla no Oceano Índico e Pacífico, que pode ser encontrada em ecossistemas de estuários e de lagoas costeiras. É uma espécie filtradora e suspensívora, ou seja, que captura as partículas alimentares suspensas na água. Alimenta-se de fitoplâncton e também da matéria orgânica que se deposita no fundo dos estuários e lagoas costeiras.
Este bivalve possui uma concha sólida de forma oval e coloração branca, creme ou cinzenta, por vezes com tons acastanhados, que apresenta padrões variados. As valvas – as duas metades da concha – são simétricas, com estrias serradas concêntricas e radiais.
O primeiro registo da presença de amêijoa-japonesa tem quase 40 anos: é de 1984, na Ria Formosa, onde terá sido introduzida por aquacultores, que terão trazido esta espécie de Espanha e de França por saberem que tinha um crescimento rápido e bom valor comercial. Depois disso, terão sido os mariscadores a introduzi-la noutros sistemas, como o estuário do Tejo, a Ria de Aveiro e o estuário do Sado. Atualmente, está presente em quase todos os sistemas estuarinos e lagunares em Portugal.
É impossível erradicar as populações desta espécie, uma vez que tem uma elevada fecundidade, é tolerante a uma grande variedade de condições ambientais e oportunista em relação à disponibilidade de alimentos.
Por isso, a melhor forma de evitarmos os seus impactos é mesmo prevenir a sua introdução onde ainda não ocorre, nomeadamente nos sistemas estuarinos e lagunares a norte da Ria de Aveiro. Também não há registos da sua ocorrência nos estuários do Mira e nos sistemas lagunares da Costa Alentejana, Ria de Alvor e estuário do Guadiana.
IN: Wilder
Exemplar fotografado em Tramagal em 17-09-2021
