A Educação é uma das principais responsabilidades do Estado, a par da saúde e da nossa segurança, mas que neste caso se destaca por ser o principal vetor de mobilidade social que está, à partida, disponível para todos. Não há outro fator tão decisivo como a Educação.
Pese embora este facto, a verdade é que temos perdido muito tempo em debates estéreis sobre o sector que em nada beneficiam os alunos. Em tese, ou num país normal, o debate político deveria ser feito à volta de mais e melhores estratégias e condições para os alunos, maior eficiência no ensino, mais apoio para os professores, melhor qualidade na aprendizagem, ou seja, o debate deveria incidir sobre quais as melhores políticas de educação. Mas a verdade é que normalmente o debate é consumido quase na sua totalidade em torno das carreiras dos professores, da falta de assistentes operacionais, sobre o estado degradado de muitas escolas e o amianto que ainda reside em muitos estabelecimentos de ensino.
Estas condições nem deveriam dividir os partidos e muito menos serem o principal foco do Governo e das oposições. Para mim, os casos referidos acima são o ponto de partida que deveria estar assegurado, deveria indiscutível e não deveria ser o problema. Infelizmente, num país desenvolvido da UE continuamos a tratar do “básico” onde não deveriam ser admitidas falhas. Num país que tem tantas escolas que são pérolas da arquitetura e do luxo moderno, feitas no período da Parque Escolar, há anos que o material informático não é reposto, que chove em salas, que se fecham cantinas, ginásios e salas de estudo por falta de funcionários, onde fecham escolas à vez e onde há turmas que em novembro ainda não têm professores.
Gostava que fosse possível dedicar mais tempo a pensar e a refletir se faz ou não sentido acabar com os chumbos, a discutir metas de aprendizagem ou estratégias para combater o abandono escolar, o papel dos pais, a garantir a autonomia efetiva das escolas, a procurar novas metodologias de ensino ou mais condições de aprendizagem para as populações mais desfavorecidas.
Escrevo isto a propósito da mais recente polémica em torno dos chumbos. Eu até admitia discutir com seriedade este tema se tivesse a certeza que no caso de isso ser mesmo aprovado, haveria, como anunciado, reforço do apoio pedagógico aos alunos que tinham mais dificuldades. Mas sei que não há, que não existe e que não passa de uma promessa política.
Se não há dinheiro para repor o número de assistentes operacionais, para reforçar as condições dos professores ou simplesmente para repor o material informático obsoleto nas escolas, como me querem convencer que vão mesmo tomar as medidas compensatórias necessárias para acompanhar uma mudança política tão profunda na educação? Ou querem continuar a enganar-nos com projectos-piloto que só funcionam em ambiente controlado e com todos os meios que faltam no resto da escolas? Só cai quem quer.
A verdade é que nem as escolas nem os professores são todos iguais. Mas face às condições existentes e aos meios que têm, há escolas, professores e alunos que fazem autênticos milagres. Só assim há esperança.
Sem os “alicerces” da Escola garantidos ou sem o “saneamento básico” a funcionar nem vale acreditar nas megalomanias que nos anunciam. É por isso que, na minha humilde opinião, anunciado tal como foi esta conversa do fim dos chumbos não passa de facilitismo numa área que deveria ser a mais exigente de todas.
