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Entre 2008 e 2018, estima-se que as ajudas ao sistema financeiro português terão custado 17.200 milhões de euros aos contribuintes. Fazendo as contas, apuramos que este montante dá qualquer coisa como 1.800 euros a cada cidadão português. Além de percebemos que estes números são ofensivos e que ainda por cima estão desatualizados porque neste momento já atingiram uma dimensão maior, eles são a prova que mais nenhum sector de atividade teve apoios desta ordem de grandeza por parte dos diversos governos portugueses.

Relembro estes números apenas para colocar as coisas em perspetiva e para voltar a analisar um tema que é sensível e que tem maior importância do que aquela que normalmente lhe atribuímos. Refiro-me às dificuldades por que passam a generalidade dos órgãos de comunicação social nacionais e locais.

Como já escrevi por diversas vezes, aquele que é normalmente apelidado de 4º poder passa por dificuldades históricas que o têm “obrigado” a exercer esse poder demasiadas vezes à margem dos seus códigos de ética e de deontologia.

Este é um tema que já chegou à opinião pública e o próprio Presidente da República fez uma referência pública de forma subliminar para os perigos que enfrentará a democracia portuguesa com a existência de uma comunicação social dependente. Em novembro último, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esperar que, no âmbito do Orçamento de Estado, o Parlamento aprovasse medidas de incentivo às empresas do sector, à semelhança daquilo que já passa noutros países.

Como sabemos, o governo ainda não deu esse passo adiando para um futuro incerto a implementação de medidas fundamentais para que o 4º poder possa efetivamente exercer as suas funções, garantindo o controlo sobre os restantes 3 poderes – legislativo, executivo e judiciário.

Ficamos com a sensação que estes poderes básicos das democracias têm vindo a perder o seu real poder, estando cada vez mais dependentes do poder financeiro.

Este problema ganha maior dimensão quando nos focamos em realidades locais e ficamos a saber que os principais clientes, aqueles que ajudam a pagar os custos de estrutura, são precisamente os mesmos que exercem cargos públicos.

Apesar da verticalidade da maioria dos profissionais que trabalham no sector, a necessidade de manutenção das avenças contratadas “obriga” a uma atenção redobrada na gestão e partilha de informação.

A verdade é que, no cenário atual, a comunicação social está de joelhos. Mais grave. Não se pode levantar porque sente a lâmina no seu pescoço. E enquanto assim for, a maioria continuará de joelhos e os que se tentarem levantar rapidamente vão sucumbir. E este cenário de dependência apenas serve quem se pretende perpetuar no poder. Talvez assim se percebam os critérios por trás das ajudas aos diferentes sectores de atividade.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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