História rimada sobre o 25 de Abril
Esta história é dedicada a todas as crianças. Primeiro, para que conheçam a história de Portugal.
Depois, para que nunca esqueçam esta data tão especial. Que a levem para o futuro
e que percebam que o presente só existe como o conhecemos porque
um grupo de homens, militares, teve coragem de fazer a mudança.
Por fim, esta história segue a própria história de Celeste Caeiro que, por coincidência,
deu ao 25 de abril um símbolo maravilhoso, o cravo vermelho.
Celeste não esteve envolvida nas Movimentações do 25 de Abril de 1974,
mas com um gesto bonito, mudou muita coisa.
A prova de que, se formos generosos, podemos mesmo mudar o mundo.
Obrigada, Capitães!
Obrigada, Celeste!
O meu nome é Liberdade e uma história te vou contar
A história da Celeste sem jardim, que espalhou cravos sem fim!
Era uma vez um dia, que foi um dia sem igual
Dia de muita importância, que mudou Portugal.
O dia foi o vinte e cinco de abril, há cinquenta anos na história
E espero que para sempre o guardes na tua memória.
No nosso país vivia-se a censura e o medo
Não se podia dizer tudo, falava-se às escondidas e em segredo.
O povo não estava contente, mas poucos o podiam dizer
Havia até uma polícia que os ia logo prender.
Muitas pessoas foram presas por dizer o que pensavam
As prisões estavam cheias de homens e mulheres que protestavam.
Portugal era pobre, não se apostava na educação
Havia pouca felicidade. Era de partir o coração.
Viveram-se muitos anos assim, consegues imaginar?
Já estavam todos cansados e Portugal precisava de mudar.
Vivia-se numa ditadura que é quando as pessoas não podem votar
Não escolhem quem nos representa, é só uma pessoa a mandar.
A ditadura não é coisa boa e é isso que vais perceber
Nesta aventura sem fim que agora começas a ler.
Foram muitos os anos a viver naquela escuridão
Havia muita tristeza em cada coração.
Mas um dia os militares fartos de viver na ditadura
Foram até Lisboa, de Santarém à Extremadura.
Foi na rádio que se ouviram as senhas que secretamente deram o sinal
Os militares tinham assim ordem para ir libertar Portugal.
As senhas eram músicas a passar
Nas rádios que os estavam a ajudar.
As músicas bem bonitas, vai ouvi-las que vale a pena,
São “E depois do Adeus” e “Grândola, Vila Morena”.
Primeiro passou uma na rádio e pouco depois a outra seguia
Na verdade, era mais do que música, aquilo que se ouvia.
Perceberam que era a hora, quando ouviram a melodia
E partiram para Lisboa na madrugada desse dia.
O capitão era Salgueiro Maia, um grande militar
Juntou 240 soldados, para o país ir salvar.
Foram em tanques de guerra, com armas e granadas
Queriam libertar o nosso país. Levaram balas e espingardas.
Havia um restaurante em Lisboa que nesse dia, por sinal
Fazia um ano de vida, junto ao Marquês de Pombal.
O dia era de festa e para celebrar
Aos senhores iam dar vinho do Porto e às senhoras uma flor de encantar.
A empregada Celeste, mulher trabalhadora e honesta
Foi à florista de manhã buscar os cravos para a festa.
Morava no Chiado e foi numa correria
Estava contente com a festa que se faria.
Levou os cravos no braço, mas deu com a porta fechada
Mas que raio se passava? Estava toda a gente atrasada?
Espreitou pela janela e lá apareceu o patrão
Que a mandou para casa, pois vinha aí uma revolução.
O restaurante não ia abrir
Que se fosse embora a fugir.
Uma revolução? Que coisa era esta?
E agora? Já não havia festa?
Celeste lá desceu Lisboa e, na zona do Chiado,
Viu muitos militares nos tanques. Que cenário complicado.
Olhava em volta e tudo estava diferente.
As lojas, os cafés, tudo fechado. Mas na rua havia gente.
Nesse dia não houve aulas e as pessoas não foram trabalhar
Não se sabia muito bem como a revolução ia acabar.
Coisa assim nunca tinha visto. Da guerra já tinha ouvido falar
Mas estava tudo calmo, as pessoas estavam só a conversar.
Primeiro ficou quietinha, a perceber o que se passava
Não parecia haver perigo, mais gente ali se juntava.
Depois Celeste foi andando pelo meio da população
As pessoas ansiavam este dia com alguma agitação.
A palavra de ordem era a Liberdade!
E nos rostos havia muita ansiedade!
Celeste não teve medo do que ali se passava
Um militar queria um cigarro, mas Celeste não fumava.
Celeste olhou em redor, para uma solução achar
Queria resolver o problema daquele jovem militar.
Mas tudo estava fechado e não via ninguém a fumar
Ficou triste pois nada tinha para dar ao militar.
Celeste continuou a pensar
Como o podia ajudar?!
De repente, olhou para o ramo que abraçava,
Cravos vermelhos tão bonitos para a festa que já não se realizava.
Teve pena dos militares, eram jovens muito bravos
Iam prender os malandros e por isso deu-lhes os cravos.
O militar gostou da flor, vermelha como o coração
Enfiou-a na espingarda e os outros repetiram a ação.
Os cravos foram andando de mão em mão
Sem imaginar que este gesto seria a imagem da revolução.
As floristas viram a bonita imagem, cada arma com uma flor
E foram buscar os seus cravos, que deram aos militares com amor.
Os cravos lá se começaram a espalhar
Tudo vermelho, tão bonito, consegues imaginar?
De repente naquele espaço, com tanques de guerra sem fim
Os cravos enfiados nas espingardas, fizeram um belo jardim.
As flores serenam a alma e formam um sorriso
Com coragem e flores os tropas tinham e que era preciso.
Estava na hora de partir e acabar aquela missão
Deviam estar nervosos, mas os cravos abraçavam o coração.
Lá foram para o Carmo para prender Marcelo Caetano
E levaram os cravos do restaurante que fazia um ano.
Celeste viu-os ir e acenou à sua passagem
Era bom libertar Portugal, rezou para que tivessem coragem.
Com os cravos nas espingardas lá se fez a revolução
A 25 de abril de mil novecentos e setenta e quatro, um dia de muita emoção.
Os militares prenderam os malandros desta história
E foi na rádio que se ouviu a Vitória.
Não houve feridos e foi bonito de verdade
As armas não dispararam balas e venceu a Liberdade.
As notícias davam na rádio, num dia longo e duro
Portugal tinha sido libertado, sonhava-se um melhor futuro.
Homens, mulheres e crianças foram para a rua festejar
Agradeceram aos militares o peso que tinham vindo tirar.
Chamaram os militares de heróis, homens sem igual
Que tiveram a coragem para mudar Portugal.
A seguir houve eleições e passámos a viver em Democracia
Podes ainda não perceber, mas é uma grande alegria.
As pessoas escolhem entre os vários partidos e podem votar
É o povo que escolhe quem vai governar.
Os cravos vermelhos tornaram-se o símbolo da revolução
As flores do restaurante, que Celeste levava na mão.
O meu nome é Liberdade e esta história te quis contar
A história da Celeste sem jardim, que espalhou cravos sem fim!
Muita coisa mudou neste nosso país amado
Este cantinho onde vives, à beira mar plantado.
Vitória, vitória, frase que bem conheces, seria o fim da história.
Mas não podemos esquecer esta data na nossa memória.
A 25 de abril de 1974 Portugal teve um dia de glória.
E celebrar este dia é a nossa maior Vitória.
Em 2024 celebrámos os 50 anos da revolução
Data que deves sempre guardar no coração.
E agora que sabes um pouco mais sobre a história de Portugal
Vai contar a toda a gente que o bem venceu o mal.

Extraordinário Vera. Só tu para fazeres algo tão bonito. Parabéns.