Estou certíssimo disto, a arte é alegria, traz alegria, dá alegria. Um quadro alegra uma sala, uma música alegra um momento, uma peça de teatro dá alegria. Se assim não fosse, porque é que durante seis mil anos, ou mais, os homens decoraram grutas, vasos, armaduras, sapatos, castelos, ruas e tanto, tanto mais? Inventaram estilos musicais e instrumentos e desde pequenos que interpretamos heróis e princesas?
Porque alegra o coração, temos isto na nossa carne, até quando dormimos e sonhamos. Às vezes eu acordo a rir dos meus sonhos. São todas evidencias de que a arte é alegria e nós, humanos, não podemos viver sem ela.
Muitos não sabem quanto um pintor é feliz quando acaba um quadro ou um desenho (penso que o sentimento seja o mesmo para um músico, poeta ou dramaturgo). Criamos algo que antes não existia, são cores misturadas com óleo de linho, mas que juntas se transformaram em flores, olhares ou paisagens, o momento criativo traz muitos sentimentos conflituantes, mas no fim há satisfação.
Nesta altura pandémica, como professor de pintura, na 1ª emergência pensei: ”oh meu Deus! O que será de mim sem abrir o atelier?”. Mas não, quando acabou tive mais pessoas que vieram para ter a alegria de pintar, a clausura, a separação dos outros despertou algo íntimo e percebi que foram à procura de algo de atávico, da arte, da expressão artística, do momento criativo e isto confirmou o que sempre senti.
A alegria na arte ajuda a ultrapassar momentos difíceis, descarrega as ânsias e medos, e ajuda o ego quando uma pessoa está em baixo.
É altamente recompensador ver nos olhos dos alunos a alegria de terem realizado com as suas mãos algo belo. E dá mesmo alegria!
