Foto ilustrativa: Freepik

A celebração do 25 de Abril é uma esperança trabalhada todos os dias. É uma celebração assente num momento pretérito, cuja essência é a esperança dum futuro melhor. Sem esperas, sem adiamentos, a construção de Abril é feita em todos os momentos das nossas vidas, mais ou menos solenes, mais ou menos modestos. Os valores que se designam a partir do calendário que corresponde à data que abriu horizontes de esperança a um povo consagraram-se como omnipresentes – nomeadamente na Constituição da República Portuguesa.

A Revolução de Abril realiza-se nos vários aspectos concretos das nossas vidas.

A Revolução de Abril traduziu-se na criação do salário mínimo nacional. Consagrou a proibição dos despedimentos sem justa causa. Promoveu o aumento e alargamento das pensões de reforma e grandes avanços nos domínios da saúde, com a criação do SNS universal, geral e gratuito, mas também grandes avanços no ensino em todos os níveis e graus. Na sua dimensão cultural, significou o acesso do povo à fruição e à criação culturais.

A Democracia, nascida do 25 de Abril de 1974, tem um papel de relevo no poder local democrático. Esse poder local que expressa e assegura o direito do povo de decidir sobre os problemas das suas terras e o seu desenvolvimento.

Uma Democracia que se quis ampla e densa em direitos, liberdades e garantias e que a prolongada acção das últimas décadas de governos ao serviço dos grandes interesses económicos foi amputando, mutilando, esvaziando, atingindo o conjunto das suas vertentes, com particular evidência e gravidade para a vertente económica e social. Toda uma acção anti-social e anti-laboral que, promovendo a precarização das relações de trabalho, promoveu uma política de contenção e regressão do valor real dos salários e reformas, e, no plano das funções sociais do Estado, a degradação dos serviços que as deviam assegurar – questão bem patente nos graves problemas que enfrenta o Serviço Nacional de Saúde.

O processo anti-Abril só não foi mais longe na sua acção destruidora, graças às lutas dos trabalhadores e das populações. Lutas por acesso a cuidados de saúde. Lutas por mais mobilidade, pelo direito a transportes gratuitos – mas que se querem para todas as localidades. Lutas por um ambiente saudável, contra a poluição. Lutas por ter uma palavra a dizer nas políticas que nos governam. Lutas que se concretizam todos os dias em prol duma vida melhor na nossa terra!

Lutas contra um pacote laboral promovido por aqueles, “os donos disto tudo”, que querem os trabalhadores subjugados, em jeitos do Séc. XIX!

Temos um desafio exigente, num tempo em que se avolumam crescentes perigos de degradação da democracia.

Por isso, não é altura de baixarmos os braços, este é um tempo de continuar e reforçar a luta, para a qual todos os democratas estão convocados! Sozinhos não fazemos nada, juntos podemos tudo!

Luta nas empresas e locais de trabalho, pelo aumento dos salários e dos direitos laborais!

Luta pelo aumento das pensões!

Luta pelo direito à saúde, à habitação, à educação, à cultura, pelo direito das crianças e dos pais!

Luta pela Paz!

Luta por melhores condições de vida para todos!

E assim comemoramos e afirmamos Abril e os seus valores, tal como celebraremos o 1º Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores!

Este é um momento de comemoração, mas é também tempo de opções. De opções por Abril, pelos seus valores. Tempo de criar condições para afirmar e construir uma verdadeira alternativa à política de direita na vida nacional.

O que a vida tem comprovado é que não basta mudar de governo, é mesmo preciso derrotar uma política que, independentemente de quem a realize, não serve o país e o povo – é negativa pelo que fez e pelo que ambiciona fazer.

É necessária uma verdadeira alternativa vinculada aos valores e ideais de Abril.

Valores que permanecem válidos e actuais como são: os valores da liberdade; da emancipação social; da natureza do Estado concebido para responder aos interesses e necessidades do povo e do país; valores do desenvolvimento visando a melhoria da qualidade do nível de vida dos portugueses, o pleno emprego, uma justa e equilibrada repartição da riqueza nacional; os valores dos direitos sociais universais; os valores da independência como espaço da nossa liberdade, identidade e soberania.

Estes valores que Abril mostrou serem seus, como seu é o que emana das suas grandes conquistas e realizações, que não só continuam a reflectir os interesses da larga maioria dos trabalhadores e do povo, como têm a capacidade para guiar o nosso caminho na luta de hoje e na construção do futuro do país e da construção de uma vida melhor para o nosso povo.

Celebramos Abril pelo que Abril significou e significa no presente, mas também pelo que significará como projecto para o futuro de Portugal!

Convictos de que a concretização dos valores de Abril são uma necessidade objectiva para um Portugal fraterno e de progresso, continuamos a afirmar que Abril vencerá, que Abril é mais futuro!

Viva o 25 de Abril!

Natural de Torres Novas (n. 1989), onde vive, é artista visual e doutorando em História da Arte. Licenciado em Filosofia e mestre em Mercados da Arte, é membro da Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP e membro dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP.

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