Celebrar o 25 de Abril de 1974 continua a fazer todo o sentido, 52 anos depois. É um momento para reafirmar aquilo que nos une: liberdade, democracia e participação. Nada disto é garantido para sempre e exige cuidado e compromisso todos os dias.
Mas celebrar Abril é também perceber o caminho que fizemos. Em 1976, com a aprovação da Constituição da República Portuguesa, consolidamos os direitos fundamentais, o funcionamento das instituições e a organização do Estado.
Nesse mesmo ano, realizaram-se as primeiras eleições para a Assembleia da República, seguidas da eleição do Presidente da República, da formação do primeiro Governo Constitucional e das primeiras eleições autárquicas. Em pouco tempo, o país mudou profundamente e a democracia passou a fazer parte do dia a dia dos portugueses.
Claro que é importante lembrar a nossa história. Foi ela que nos trouxe até aqui. Mas também temos de olhar em frente. Hoje enfrentamos novos desafios: afastamento dos cidadãos, desconfiança nas instituições e menor participação cívica. Ignorar isto não é solução.
Temos, por isso, de aproximar os mais jovens da política e das decisões públicas. Não basta apelar à participação. É preciso criar condições para que se envolvam e se sintam ouvidos. A democracia precisa dessa renovação.
Ao mesmo tempo, há uma responsabilidade clara de quem é eleito. Servir as pessoas exige seriedade, transparência e presença. Não basta representar. É preciso ouvir, decidir e resolver.
Assinalar o 25 de Abril é mais do que recordar. É assumir responsabilidades e garantir que os valores conquistados continuem vivos.
Honrar a memória é, hoje, construir o futuro com responsabilidade.
