Praia Fluvial de Fontes. Fotografia: mediotejo.net

*Textos de Cláudia Gameiro, Joana Rita Santos, Patrícia Fonseca e Paula Mourato

ABRANTES

ALDEIA DO MATO
Praia fluvial de Aldeia do Mato, em Abrantes. Fotografia: mediotejo.net

Com o verde e o azul a recortarem o horizonte, a praia fluvial de Aldeia do Mato, situada na zona norte do concelho de Abrantes, volta a hastear a Bandeira Azul em 2022. Esta praia fluvial no rio Zêzere, na albufeira de Castelo do Bode, tem zonas separadas para crianças e para adultos e nadador salvador. Os mais desportistas podem alugar canoas ou kayaks e fazer wakeboard.

FONTES
Praia fluvial de Fontes, em Abrantes. Fotografia: mediotejo.net

Depois de uma viagem serpenteada entre o arvoredo, a 30 quilómetros da cidade de Abrantes, descobre-se outra praia fluvial no Zêzere, com Bandeira Azul, em Cabeça Ruiva, na freguesia de Fontes. Emoldurada por uma abundante vegetação, situa-se num recanto da albufeira de Castelo de Bode onde o silêncio se impõe, quebrado apenas pela passagem de uma ou outra embarcação de recreio. Da aldeia de Fontes, a 4 quilómetros da praia, tem-se uma vista deslumbrante sobre a albufeira. O percurso pedestre da Grande Rota do Zêzere, entre Matagosa e Fontes, permite também a descoberta de belíssimas paisagens.

ALCANENA

OLHOS DE ÁGUA
Nascente dos Olhos de Água, em Alcanena. Fotografia: mediotejo.net

O nome do local tem origem numa lenda sobre uma moura que se refugiou nas grutas do Alviela chorando os seus desamores. O pai queria obrigá-la a um casamento arranjado, mas ela só pensava no pobre por quem se apaixonara. Votada ao esquecimento, das suas lágrima brotou um rio.

Hoje são muitos os que se apaixonam pela transparência destes Olhos de Água e quem se aproxima das suas margens não resiste a um mergulho. Ao lado, o Centro de Ciência Viva dá o mote para explorar a serra. Uma fusão perfeita de natureza e ciência. Quem desejar um pouco mais de aventura pode fazer um trilho pedestre marcado em torno da praia, com a possibilidade de identificar uma maternidade de morcegos, única no país.

FERREIRA DO ZÊZERE

LAGO AZUL / PRAIA DA CASTANHEIRA
Lago Azul, em Ferreira do Zêzere. Fotografia: Luís Ribeiro

A albufeira de Castelo de Bode ganha, em Ferreira do Zêzere, o enquadramento perfeito para mergulhos inesquecíveis. No coração de uma imensa área florestal, a Praia Fluvial da Castanheira alia à qualidade excelente das águas (que lhe valem as bandeiras Azul e Qualidade de Ouro) a beleza imponente dos montes que envolvem o chamado “Lago Azul” e as suas águas tépidas, entre os 26º e os 27º C.

OURÉM

AGROAL
Praia fluvial do Agroal, Ourém. Fotografia: mediotejo.net

Vista a partir da Sabacheira, no concelho de Tomar, a praia fluvial do Agroal surge como um oásis turquesa ao fundo da serra, num vale circundado por verdes montanhas de vegetação rasteira. A descida do monte é quase catártica. Em contraste com a aridez do topo, surge no seu colo um verde e azul pujantes que nos parecem fazer mergulhar num cenário de conto de fadas.

Junto a uma nascente secundária do rio Nabão, onde o rio divide os concelhos de Ourém e Tomar, é uma pérola natural cujo potencial ainda está a ser explorado, em particular pelo concelho ouriense. Depois de uma requalificação da estrutura, há uma década, o município construiu também um passadiço e um novo estacionamento.

Praia do Agroal, em Ourém Fotografia: mediotejo.net

Mas ainda que a paisagem seja inebriante, o ponto forte do lugar está longe de ser o mergulho na ampla piscina criada pela nascente. Na senda dos milagres da vizinha Fátima, há quem encontre no Agroal alívios sem razão científica aparente. A água gélida, de arrepiar a espinha aos temerosos e digna de competições de masculinidade, é procurada por quem tem problemas de pele e é à fama das propriedades termais das suas águas que se deve, em boa parte, a atratividade do local.

MAÇÃO

PEGO DA RAINHA
Pego da Rainha, em Mação. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa/mediotejo.net

Não é fácil lá chegar, mas assim que desligamos o motor do carro ou paramos para recuperar o fôlego, sabemos de imediato que o triplo do esforço valeria a pena. Um paraíso de águas límpidas, que nascem ali, em cascata, formando um lago profundo entre o verde esmeralda e o azul, conforme a luz solar que ali incide.

Mais acima, subindo à direita do pego onde a Rainha Santa Isabel terá parado para se refrescar, numa viagem entre Coimbra e Vila Viçosa, há duas mesas de merendas num patamar, à beira do pequeno curso de água que haverá de cair em cascata. Se continuarmos a fintar as rochas, encontramos a nascente poucos metros depois.

Pego da Rainha, em Mação. Fotografia: Ana Alcobia

O verde reina neste cenário quase amazónico, onde grandes árvores de copa larga e alta se impõem à vegetação, com as margens cobertas por fetos frondosos, banhados pelos fios finos de água que escorrem sem parar pelas paredes rochosas. Um verdadeiro santuário natural, que merece a nossa veneração.

CARVOEIRO
Praia fluvial do Carvoeiro, em Mação, tem bandeira azul há 16 anos consecutivos. Fotografia: mediotejo.net

É a donzela do concelho e veste azul há 16 anos consecutivos. É a praia fluvial da região que mais galardões e distinções tem recebido ao longo da última década, juntando à Bandeira Azul a Qualidade de Ouro da Quercus. Com um enquadramento natural verdejante, a 25 minutos de Mação e a menos de um minuto da vila da Carvoeiro, é um espaço apetecível para reuniões familiares, deixando as crianças brincarem e correrem à vontade. O sossego só é interrompido pela música do bar ou pelas risadas que se soltam das brincadeiras dentro da piscina ou nos jogos de cartas entre amigos, sentados na relva aconchegante e fresca.

A praia está dividida com zona de banhos para adultos e para crianças, e tem cadeira anfíbia para pessoas com mobilidade reduzida, bem como rampas de acesso aos patamares superiores. Vigiada por nadador salvador, tem também zona de areia com espreguiçadeiras e toldos de palha, balneários, posto de primeiros socorros e um amplo estacionamento à entrada.

À volta das piscinas, frondosas árvores autóctones fazem sombra sobre as mesas de merendas espalhadas na zona cimeira do recinto. Numa das pontas, um telheiro com churrasqueiras e mesas compridas é também um local aprazível para almoços mais elaborados… e demorados.

ORTIGA
Praia fluvial de Ortiga, em Mação. Fotografia: Joaquim Diogo

A praia fluvial de Ortiga, na albufeira da Barragem de Belver, é uma das zonas balneares mais antigas da região e, apesar da sua água não ter a mesma qualidade de Castelo do Bode, por exemplo, há neste local um conjunto de atrativos que a colocam sistematicamente no topo das preferências de muitos jovens dos concelhos de Mação, Gavião e Abrantes. Junto ao areal, com toldos de palha, há uma torre de desportos radicais (para escalada, por exemplo) e um bar onde se pode petiscar ou beber algo fresco entre amigos, com dois patamares de esplanadas, ambas a usufruir da sombra árvores de grande porte, com vista para o espelho de água. Além da piscina flutuante, com uma zona segura para crianças mais pequenas, tem um cais para atracar pequenas embarcações. Ali encontramos canoas de todas as cores, prontas para quem as quiser pagaiar.

À volta não faltam sítios de interesse turístico e histórico, e vale a pena caminhar pelos passadiços e pelos trilhos que envolvem a Barragem, ou subir pelo PR das Arribas do Tejo para uma vista espectacular sobre toda a albufeira e a envolvente da central hidroeléctrica, vendo o pôr-do-sol que se desenha com fios de ouro espelhados rio abaixo. Com sorte, verá esta paisagem idílica ser rasgada por um dos comboios da Linha da Beira Baixa, compondo uma cena digna de registo cinematográfico.

SERTÃ

TROVISCAL
Praia Fluvial do Troviscal, na -Sertã. Fotografia: Turismo de Portugal

A Praia Fluvial do Troviscal, a menos de dois quilómetros da sede desta freguesia, tem a natureza envolvente como ponto forte. Um dos segredos mais bem guardados do concelho da Sertã, tem quedas de água, árvores imponentes e a ruralidade da paisagem circundante quase intacta.

TRÍZIO
Praia fluvial do Trízio, na Sertã. Fotografia: Ângelo Lucas

É um dos mais antigos pontos de acesso à albufeira de Castelo de Bode e é nesta praia que se encontra o Centro Náutico do Zêzere, com vários equipamentos de apoio à zona fluvial e à prática de atividades como canoagem, ski aquático ou wakeboard, e zonas para campismo e caravanismo. Tem também um bar com esplanada, zona de parque infantil e muito espaço para acolher grupos diferentes. Para quem gosta mais de terra do que de água, há também uma estação intermodal da Grande Rota do Zêzere, percurso pedestre que acompanha o curso do rio, da nascente à foz.

MARMELEIRO
Marmeleiro, na Sertã. Fotografia: DR

Aproveitamento de um açude agrícola na ribeira da Isna, tem uma área fluvial para adultos e outra para crianças, e espaços amplos para brincar e descansar. Com uma cana e paciência, os mais pequenos podem também aqui iniciar-se nas artes da pesca.

TOMAR

MONTES
Montes, em Tomar. Fotografia: Luís Ribeiro

Ainda que não sejam oficialmente reconhecidas como praias, e não tendo as mesmas infraestruturas que outras da região, existem em Tomar alguns acessos especiais às águas da albufeira de Castelo de Bode, como é o caso de Montes, na freguesia de Olalhas, a cerca de 17 km da cidade de Tomar. É um local de excelência para a prática de desportos náuticos e ali está instalado um dos cinco cable parks do Médio Tejo que possibilitam a prática de wakeboard.

Barragem de Castelo do Bode, em Tomar. Fotografia: Luís Ribeiro

Muito similares são as praias fluviais de Alverangel e Alqueidão, sendo que a primeira fica na freguesia de São Pedro, perto da aldeia de Casalinho, e a segunda, na freguesia de Olalhas, convida a mergulhos no final de um percurso pedestre – a Rota das Águas – que passa por 14 fontes. Ter mais condições na praia de Alqueidão, de onde se avista a Ilha do Lombo, é um anseio antigo da população.

VILA DE REI

PENEDO FURADO
Penedo Furado, em Vila de Rei. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa

Um paraíso encravado entre maciço rochoso e floresta densa, é a estância balnear mais procurada do concelho de Vila de Rei e foi finalista no concurso ‘Praias de Portugal – 7 Maravilhas de Portugal’. De água tão gelada quanto límpida e cristalina, corre pelo leito e, através de uma passagem na piscina natural, forma depois uma queda de água. De Vila de Rei demora-se cerca de 10 minutos seguindo pela mítica EN2. Com um amplo parque de merendas e área de churrasco, permite também a realização de diversas atividades desportivas, sendo ponto de referência entre rotas pedestres.

A zona tem um passadiço de madeira, que permite fazer o troço que antes se percorria entre as rochas para chegar às famosas cascatas, onde a água chama os mais corajosos a mergulhar. Tem ainda várias plataformas com zonas de descanso, bancos e miradouros.

Passadiços de Penedo Furado, em Vila de Rei. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa

Junto à estrada, de fácil acesso, surge o Miradouro do Penedo Furado, inaugurado em 1964, com vista panorâmica sobre a praia fluvial, e, no lado direito, existe um acesso pedonal à zona mais baixa do penedo que passa pela denominada “Bicha Pintada”: um fóssil que se crê ter mais de 480 milhões de anos, inserido no topo de uma camada de quartzito cinzento-escuro, com 30 cm de espessura. Mais acima localiza-se ainda o Miradouro das Fragas do Rabadão, de onde se poderá apreciar uma via-sacra em jeito de pequeno santuário, com estatuetas oferecidas por populares. Estão lá no alto, vigiando o vale e as suas quedas de água naturais.

ZABOEIRA
Praia fluvial de Zaboeira, em Vila de Rei. Fotografia: mediotejo.net

Seguindo de Vila de Rei em direção a Ferreira do Zêzere, passando pela localidade de Estevais, e avançando pela Estrada Nacional 348, as placas não deixam enganar. O caminho para a praia da Zaboeira faz-se depois de olhos postos da Albufeira de Castelo do Bode, seguindo o apelo da sua cor azul tão característica.

É uma zona balnear que tem sido classificada como Qualidade de Ouro pela Quercus, e convida, além dos banhos na piscina flutuante com compartimento anexo para crianças, a passeios de barco ou a um piquenique nas colinas verdejantes, ensombradas por pinheiros e outras espécies invasoras mas típicas deste território, como as acácias.

FERNANDAIRES
Praia fluvial de Fernandaires, em Vila de Rei. Fotografia: mediotejo.net

A 8 km de Zaboeira, seguindo sempre por estrada municipal, e avistando Alcamim pelo meio, temos sempre à espreita a albufeira turquesa, por entre os verdes e altos pinheiros bravos que delimitam o caminho. Num espaço aberto salta à vista a piscina flutuante, com uma zona para adultos e outra para crianças e, no lado esquerdo do terreno da praia, há um bar de apoio.

Distinguida com a bandeira Qualidade de Ouro, da Quercus, Fernandaires tem este ano um novo ancoradouro para barcos, sendo comum existirem embarcações a ligar os vários braços da albufeira, entre os concelhos de Tomar, Abrantes, Sertã e Ferreira do Zêzere.

Aqui está também um dos cinco cable parks da região do Médio Tejo para a prática de wakeboard.

Nos dias em que o nível das águas da albufeira é baixo, tente avistar as ruínas da antiga Isna Velha, uma das 8 povoações que ficaram submersas no concelho após a construção da Barragem de Castelo do Bode, em 1950.

BOSTELIM
Praia fluvial de Bostelim, em Vila de Rei. Fotografia: mediotejo.net

É a única praia com Bandeira Azul do distrito de Castelo Branco. Situa-se junto à fronteira das freguesias de Fundada e São João do Peso, e pode ver-se a ribeira do Bostelim num estado de natureza puro a montante da zona balnear, de margens verdejantes, quando espreitamos debaixo da ponte. Tem areia e solo relvado contíguos à linha de água, com espreguiçadeiras debaixo das sombras naturais e toldos de palha, e o apoio de um bar, wc e balneários, parque de merendas com churrasqueiras e um parque de campismo rural licenciado, com parque para autocaravanas.

PEGO DAS CANCELAS
Pego das Cancelas, em Vila de Rei. Fotografia: mediotejo.net

É um espaço idílico e sereno, onde o espírito selvagem ainda impera. Das cinco praias de Vila de Rei é a que fica mais afastada da sede de concelho, na freguesia de São João do Peso, já muito perto da fronteira com Cardigos, do concelho de Mação. Para lá chegar há que cortar à esquerda à saída de Portela dos Colos, última localidade do concelho vilarregense. O acesso é relativamente difícil, com uma estrada de inclinação considerável.

Em zona de mata virgem, as águas frescas e limpas da ribeira são igualmente ricas em fauna piscícola, com barbos, bogas e bordais, que com o bater do sol se conseguem avistar a desenhar círculos à tona de água.

Antes ou depois de um mergulho, é obrigatório passar pela ponte romana dos três concelhos, nos limites da Sertã, Mação e Vila de Rei, construída entre os séculos I e IV. Esta ponte fazia parte de uma antiga via romana que ligava Mérida (Espanha) a Conimbriga e está perto à povoação do Sambal, na freguesia do Marmeleiro, e junto ao Pego das Cancelas, sobre a ribeira da Isna.

PISCINAS

Além das piscinas municipais de ar livre serem uma boa opção para quem não goste de água do rio, na maioria dos hotéis é possível utilizar as suas piscinas sem ser hóspede, pagando um pequeno valor de ingresso ou realizando consumo no bar. Deixamos algumas sugestões para desfrutar de momentos mais calmos, a sós ou a dois.

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