O ano que agora começa coloca-nos desafios a diversos níveis, mas no caso do turismo será especial pois a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou no passado 4 de Dezembro a resolução que proclamou 2017 como Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento desafiando-nos para um repto interessante e exigente para a nossa região e País.
A resolução aprovada reconhece “a importância do turismo internacional e, em particular, da denominação de um ano internacional do turismo sustentável para o desenvolvimento, para promover uma melhor compreensão entre os povos em toda parte, conduzir a uma maior consciência da riqueza do património das várias civilizações tomará e contribuirá para uma melhor apreciação dos valores inerentes das diversas culturas contribuindo para o fortalecimento da paz no mundo”.

A OMT-Organização Mundial de Turismo é o organismo coordenador das iniciativas a desenvolver um pouco por todo o planeta envolvendo os governos, as organizações nacionais e internacionais e os diversos atores do turismo e da sustentabilidade.
As dinâmicas da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (RIO+20),que se realizou em 2012 no Rio de Janeiro foram determinantes para esta deliberação da ONU ao ser ai reconhecido que “ o turismo se bem concebido e gerido pode contribuir para as três dimensões do desenvolvimento sustentável e gerar oportunidades de negócio”.
O Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento surge alinhado com a adoção pela comunidade internacional da nova Agenda 2030 e os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), aprovados pela Assembleia Geral das Nações em Setembro de 2015, “em particular com o objetivo 8: promover o crescimento económico, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos; o objetivo 12: consumo e produção sustentável e o objetivo 14: reter e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.”
O Turismo é o segmento de atividade económica que mais tem crescido nos últimos anos, observando-se uma oferta crescente na nossa região e por todo o País, afirmando-se como instrumento potenciador do desenvolvimento territorial.
Esta dinâmica turística beneficia das nossas condições naturais, dos nossos valores culturais, da tranquilidade e segurança, do nosso posicionamento geográfico e da capacidade empreendedora dos nossos agentes económicos.
O turismo é um instrumento de promoção de desenvolvimento das regiões e das suas comunidades, servindo a sua valorização económica e sociocultural se for devidamente acautelada a conciliação de interesses entre essas atividades e a capacidade recetora dos destinos numa estratégia que assente na sustentabilidade.

A Secretária de Estado do Turismo, através do seu Despacho normativo n.º 16/2016, do passado 30 de dezembro lançou a Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior que vem criar oportunidades para essa concretização lançando um louvável repto à capacidade e imaginação dos diversos atores do desenvolvimento territorial.
Os novos produtos turísticos ligados à natureza e ao mundo rural não são necessariamente uma ameaça potencial, mas podem ser uma oportunidade para a conservação da natureza e para o desenvolvimento local sustentável das áreas naturais desde que sejam acauteladas um conjunto de regras.
Esta atividade não deve, contudo, ser encarada como uma “panaceia” para a resolução dos problemas do mundo rural, tal como o desejo de “desenvolvimento” não deve ser sinónimo de destruição e depleção das mais-valias naturais e culturais existentes: não se dever matar a galinha dos ovos de ouro!
É este o grande desafio do Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento!
