Os maus cheiros e a aparente poluição da ribeira da Boa Água, visível sobretudo na zona de Nicho de Riachos, Torres Novas, voltaram nas últimas semanas à ordem do dia, com manifestações de indignação de populares nas redes sociais, de moradores da envolvente e da oposição na reunião camarária de 8 de janeiro e agora dos deputados do CDS-PP na Assembleia da República ao Ministro do Ambiente e da Transição Energética. A realizar esta semana uma viagem a Cabo Verde, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira (PS), adiantou que assim que regressar pedirá uma reunião com o secretário de Estado do Ambiente, mas que não há mais informações sobre os problemas em torno da ribeira da Boa Água.
Os vídeos nas redes sociais a darem conta do mau cheiro e do fluxo acastanhado de água que segue na ribeira da Boa Água voltaram e são muitos os que se queixam da intensificação dos odores na região. Na reunião de câmara de 8 de janeiro, uma moradora do Carreiro da Areia foi pedir um ponto de situação sobre o processo de encerramento da laboração da Fabrióleo, empresa considerada pela maioria da população a responsável pela poluição, mas Pedro Ferreira admitiu que, não obstante alguns esforços dos serviços municipais para tentarem saber a que se deve a estagnação de quase um ano da questão judicial, até ao momento não há novidades a facultar.

Na mesma sessão, Graça Martins, vereadora em representação do BE, daria conta que a poluição na ribeira da Boa Água se tinha agravado, com várias queixas dos maus cheiros por populares, apelando a uma reunião com o Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins.
Entretanto o CDS-PP, nomeadamente os deputados locais Patrícia Fonseca e Álvaro Castello-Branco, fez saber que questionou o Ministro do Ambiente e da Transição Energética sobre este novo foco poluente na ribeira da Boa Água, interrogando se já foi identificada a fonte de poluição.
“Na pergunta enviada à tutela, os deputados do CDS-PP questionam também com que frequência tem sido feita a recolha de amostras para análise da água na zona em causa e com que resultados, com que periodicidade têm sido feitas inspeções às empresas desta zona e com que resultados, e sendo conhecidas várias descargas neste afluente do Rio Almonda, quantos autos foram levantados e quantos tiveram seguimento”, refere o comunicado enviado às redações.
Os deputados indagaram ainda sobre que medidas foram aplicadas para dar cumprimento à Resolução da AR n.º 209/2017, de 11 de agosto. De recordar que a Assembleia da República recomendou ao Governo um conjunto de medidas para despoluir o rio Almonda e seus afluentes, na sequência de uma petição da população torrejana.
“Esta semana, o CDS-PP teve conhecimento de que a situação de poluição da Ribeira da Boa Água, um afluente do Rio Almonda, no concelho de Torres Novas, não só se mantém como se tem vindo a agravar”, refere.
O mediotejo.net contactou Pedro Ferreira, no intuito de saber se desde 8 de janeiro havia alguma novidade sobre a poluição da ribeira e o processo da Fabrióleo. Em viagem oficial a Cabo Verde, o autarca adiantou que a situação se mantém, mas que após o seu regresso, sexta-feira, 18 de janeiro, irá pedir uma reunião ao secretário de Estado do Ambiente, a fim de tentar obter esclarecimentos sobre estas matérias.

É uma vergonha, as pessoas que habitam nas proximidades a respirarem o cheiro insuportável que ninguém sabe as consequências para a saúde, águas contaminadas, porque toda a gente sabe até as autoridades que enterram grande parte do material poluente, que contamina os recursos aquíferos. Até quando essa impunidade?