Carlos Carvalheiro, diretor artístico do Fatias de Cá, decidiu recusar a Medalha de Valor e Altruísmo que lhe foi atribuída pelo município de Tomar e que lhe seria entregue no feriado 1 de março, Dia de Tomar. A distinção devia-se ao percurso que tem desenvolvido pelo Teatro, no Fatias de Cá, desde a sua criação em Tomar, em 1979.
Numa nota enviada ao mediotejo.net, Carlos Carvalheiro explica as razões da sua escusa. “O Fatias de Cá conviveu, desde sempre e quase sempre, com uma atitude a raiar o ostracismo, por parte do Município de Tomar”, começa por explicar.
“Embora a minha relação com quase todos os autarcas tenha sido pautada pela mútua simpatia, e embora reconheça como bondosa a atual decisão de me ser concedida uma medalha, não ficaria de bem com a consciência se aceitasse camuflar a memória”, prossegue Carlos Carvalheiro, para quem, aceitar esta homenagem “seria como aceitar que o Ministério da Cultura incumbisse a Direção Geral do Património que tutela o Convento de Cristo de me agraciar por Valor, ou a Direção Geral das Artes, que sempre desapoiou o Fatias de Cá, de me medalhar, quiçá, por Altruísmo”
“Peço, por isso e por ora, ao Município de Tomar, que não leve a mal por pedir escusa desta Medalha de Valor e Altruísmo, que teve a gentileza de me conceder”, conclui.
O encenador do Fatias de Cá foi um dos homenageados escolhidos pelo Município de Tomar para receber essa distinção, nas cerimónias marcadas para esta quinta-feira, 1 de março.
Da lista de distinções contam-se os seguintes nomes: Medalha de Honra- João Queiroz e Mello, João Mota, Estabelecimento Prisional Militar e Sofia Morais (a título póstumo). Medalha Municipal de Mérito – Pedro Silva (escritor), Nuno Garcia Lopes (escritor), empresa Diamantino Coelho, Filipe Antunes (título póstumo) e Casa do Concelho de Tomar; Medalha de Valor e Altruísmo- Bruno Graça e Medalha de Valor Desportivo – Manuel Pina (halterofilia), Vitor Jesus (automobilismo) e Pedro Dias da Silva (automobilismo).

Dignidade confirmada!