A assembleia municipal da Sertã, reunida na tarde de sexta-feira, 29 de dezembro, na Casa da Cultura, aprovou com a maioria PSD o Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2018 no calor de 21, 7 milhões de euros, mais cerca de 3,8 milhões do que em 2017. A bancada do PS optou pela abstenção.

O presidente do executivo camarário da Sertã, José Farinha Nunes (PSD) começou por fazer uma apresentação da proposta, no valor de 21 milhões 737 mil e 730 euros. “Este valor reflecte um aumento de 3 milhões e 807 mil euros que se deve ao ano atípico que tivemos, devido aos incêndios e aos projectos do PARU que ainda não estão concluídos e transitam do ano de 2017 para o ano de 2018”, justificou.
Farinha Nunes (PSD) realçou algumas obras, destacando alguns dos projectos candidatados a fundos comunitários previstos tais como a reabilitação do Mercado Municipal da Sertã, a revitalização envolvente ao mercado municipal, a revalorização da Praça da República e zona histórica envolvente, a requalificação da zona histórica com ligação ao Castelo, a revitalização da Rua 5 de outubro e da Av. Gonçalo Rodrigues Caldeira.
José Farinha Nunes destacou ainda a ligação do Sistema em Alta na freguesia de Cernarche do Bonjardim, a eficiência energética no edifício dos Paços do Concelho, na iluminação pública, na Piscina Coberta e a requalificação da Escola Secundária da Sertã, entre outros.
“São obras com fundos comunitários praticamente garantidos e que nós estamos com esperança que sejam concretizados”, disse.

Pela Bancada do PS, o eleito Vítor Cavalheiro apresentou diversos considerandos, justificando a opção da sua bancada pela abstenção.Começou por dizer que o presidente não respeitou o estatuto da oposição na elaboração deste documento que é da inteira responsabilidade de quem governa a autarquia: o PSD.
Considera o PS que este é um orçamento “amorfo e sem novas ideias” e que “vem na senda dos anteriores, não se conhecendo a estratégia deste executivo municipal para resolver os problemas essenciais do concelho”.
“Globalmente, este orçamento aumenta em 3 milhões e 807 mil euros em relação ao ano anterior à custa das receitas de capital, pese embora tenhamos aqui um grande peso dos incêndios de 2017”, disse.
Criticou ainda a disparidade no que concerne à atribuição de verbas às freguesias. “O orçamento é um conjunto de ideias soltas com numerosas intenções carregadas de incertezas e pendentes de eventuais candidaturas a fundos comunitários”, referiu.
Também o eleito Jorge Farinha (PS) teceu algumas considerações sobre este documento, ressalvando que o Plano Plurianual de Investimentos (PPI’S) apenas prevê o ano de 2018 quando nele deviam estar incluídas verbas para os anos seguintes. Jorge Farinha considera que o orçamento deve ter uma estratégia de desenvolvimento e a expressão financeira dessas escolhas, presumindo que tenha existido uma discussão com os presidentes de junta com vista a uma maior coesão territorial.
“Este documento é mais uma vez elaborado sem a participação da oposição e depois submetido à sua apreciação”, realçou. Registou como positiva “a intenção de não financiar despesa corrente com receitas de capital” e a aposta nas obras comparticipadas com fundos comunitários. Em relação à verba para a Floresta, considera que é escassa para um sector que “seria aquele a ter mais em conta”.

O eleito Francisco Rei (PS) teceu algumas considerações sobre este orçamento que considera parco em “obras estruturantes” e com um “vazio cultural para todas as freguesias uma vez que tudo se concentra em Cernarche e Sertã”, sugerindo que se usem mais as sinergias das colectividades do concelho.
“Falta um plano estruturado para a floresta. O futuro adivinha-se assustador e, caso não sejam tomadas medidas imediatas, a tragédia volta a repetir-se”, considerou.
Criticou a falta de investimento na freguesia de Pedrógão Pequeno e pediu que, tal como é feito com a Romaria de Nuno de Santa Maria, também a Romaria a Nossa Sra da Confiança (que se realiza a 7, 8 e 9 de setembro) seja valorizada pela autarquia.
