A 20 de fevereiro, quinta-feira, faz 100 anos que Jacinta Marto, a mais nova dos pastorinhos de Fátima, faleceu no hospital D.Estefânea, em Lisboa. A vidente, que ainda não completara os 10 anos, já perdera o irmão, Francisco Marto, no ano anterior, e foi transportada para Lisboa a expensas de um desconhecido, para o então melhor hospital pediátrico do país. Morreu sozinha, alguns dias depois de uma operação às costelas, sem anestesia.
A história e os pormenores da morte de Jacinta Marto foram narrados ao público presente na quinta-feira, 6 de fevereiro, no Encontro dos Hoteleiros, promovido anualmente pelo Santuário de Fátima, pela postuladora da causa de canonização de Francisco e Jacinta Marto, a Irmã Ângela Coelho.
A religiosa traçou um breve perfil da mais jovem dos três pastorinhos, com base em relatos da época, quer de testemunhas quer da Irmã Lúcia. Descreveu assim uma criança completamente “normal” (Lúcia definiu-a como “caprichosa”, no sentido de querer tudo para ela), mas que depois das aparições foi retratada como angelical.

Já os pormenores da sua morte revelam uma dose de martírio. Jacinta adoeceu, como o seu irmão Francisco, com a gripe espanhola. A doença evoluiu para pneumonia, fazendo a jovem um abcesso. Esteve alguns meses internada no hospital em Ourém, tendo regressado a casa com uma ferida no peito. Posteriormente, um desconhecido ofereceu-se para pagar o tratamento em Lisboa, no hospital D.Estefânea, então o melhor hospital pediátrico do país.
Segundo a Irmã Ângela Coelho, a pastora entrou sozinha no hospital, tendo a família regressado a casa por não ter posses para ficar na capital. Assim ficaria até morrer a 20 de fevereiro de 1920, depois de uma operação em que lhe tiraram duas costelas, sem anestesia, depois da qual viveu com muitas dores.

O cirurgião que a operou, Leonardo Costa Freire, ateu, descreveria anos mais tarde a “paciência heróica” com que suportou o sofrimento. “As palavras que ouvi dela durante a cirurgia foram apenas estas: Ó Jesus, ó meu Deus!”, terá dito o clínico. O mesmo médico terá mencionado que o corpo de Jacinta, após a sua morte, cheirava a flores.
Segundo a Irmã Ângela Coelho, Jacinta é a vidente que mais atrai a atenção do público e é aquela que tem originado mais livros. “Jacinta não nasceu santa”, sublinhou, mas a sua morte foi um testemunho de grande devoção.

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