Foi uma noite em sobressalto, a que se viveu neste sábado 17 de junho, no concelho de Ferreira do Zêzere, com um incêndio a varrer várias localidades – e a fazer 57 vítimas mortais (a contabilização ainda não está fechada) a poucos quilómetros, em Pedrogão Grande. O fogo em Ferreira do Zêzere teve início às 20 horas e só pelas quatro da madrugada é que a situação foi dada como controlada, ocasião em que o mediotejo.net encontrou no teatro das operações o presidente da Câmara, Jacinto Lopes, juntamente com o vice-presidente Paulo Neves.
No concelho, as chamas consumiram muita floresta e alguns barracões agrícolas mas, felizmente, não há vidas humanas nem feridos a lamentar. Durante a noite, os bombeiros mantiveram-se atentos a possíveis reacendimentos. No total, combateram este incêndio 137 bombeiros apoiados por 34 viaturas de diversas corporações vizinhas, como Sardoal ou Mação.


“A zona urbana da vila teve o incêndio a cerca de 200 metros, portanto, ardeu praticamente à entrada da vila numa zona de acácias, pinhal, eucaliptal e mato”, contou o autarca ao mediotejo.net, referindo que as chamas consumiram ainda alguns antigos pavilhões agrícolas de criação de aves, não havendo danos humanos a registar.
“Foi um incêndio que teve diversas projeções, o que dificultou a intervenção dos homens no terreno”, referiu, considerando que a fase inicial “de muito vento” dificultou o combate às chamas. “Graças ao trabalho, à dedicação e saber dos bombeiros foi possível ir atacando os focos que foram aparecendo, sempre com especial atenção às habitações”, atestou.
Em relação às causas deste incêndio, Jacinto Lopes refere que estava num local, no concelho, quando viu algumas faíscas a cair, fruto de um trovão seco, acreditando que o mesmo tenha tido origem na mãe-natureza.

De acordo com o apurado, o alerta foi dado cerca das 20 horas, tendo começado na localidade de Rebelo, freguesia de Ferreira do Zêzere, a dois quilómetros do centro da vila. Em pouco tempo, devido ao vento, as chamas propagaram-se e atingiram as localidades de Chão da Serra, Outeiros, Mata, Varela, Bela Vista, Besteira e Vales, sempre com habitações por perto. Por ser de noite, o incêndio apenas foi combatido por meios terrestres.

Jacinto Lopes refere que, durante as sete horas em que viveram esta situação, não houve momentos de pânico mas sim de grande apreensão. “Não assisti a pânico mas a pessoas exaltadas quando viam as chamas mais próximas de casa. Os bombeiros não conseguem estar em todo o lado ao mesmo tempo”, atestou.
A poucos quilómetros, continuava ativo o incêndio de Pedrogão Grande, que fez já 57 mortos. Em Ferreira do Zêzere, o rescaldo vai decorrer durante todo o dia.
