Bairro Camões, no Entroncamento. Foto: mediotejo.net

A assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal do Entroncamento e a IP – Infraestruturas de Portugal que torna a autarquia concessionária do Bairro Camões nos próximos 50 anos está marcada para este sábado, dia 24, momento que assinala o arranque do processo que envolve a reabilitação das 32 habitações. No entanto, caso pretenda ser um dos futuros moradores das ruas Direita, Detrás da Escola e da Luz não tem de esperar pelas placas “vende-se”, previstas para 2020, pois a compra envolve a inscrição na Camõescoop, cooperativa de habitação agora apresentada publicamente.

O programa comemorativo do 73º aniversário do Dia do Concelho do Entroncamento incluiu a assinatura do contrato de concessão entre a Câmara Municipal do Entroncamento e a IP – Infraestruturas de Portugal. A partir deste sábado, dia 24 de novembro, o Bairro Camões, projetado pelos arquitetos Luís da Cunha e Cottinelli Telmo em 1926, torna-se responsabilidade da autarquia nos próximos 50 anos, com renovação por outros 10 divididos em dois períodos de cinco.

O Bairro Camões nos tempos aúreos. Foto: DR

A notícia sobre o contrato já tinha sido avançada e partilhamos agora de que forma pode tornar-se num futuro morador das 32 moradias localizadas nas ruas Direita, Detrás da Escola e da Luz. O processo de compra das casas não envolve a colocação das tradicionais placas “vende-se”, prevista para o final de 2020, mas sim a inscrição na Camõescoop – Cooperativa de Habitação Económica, C.R.L., apresentada oficialmente no momento em que o contrato foi assinado no Centro Cultural do Entroncamento.

Placa com referência aos projetado pelos arquitetos Luís da Cunha e Cottinelli Telmo. Foto: mediotejo.net (arquivo)

A cooperativa está associada à Cooptecnica – Cooperativa de Ensino e Formação Técnico Profissional, C.R.L., igualmente ligada ao Instituto Superior de Educação e Ciência e à Escola Profissional Gustave Eiffel. Segundo Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, “esta forma societária” já era uma intenção antiga e “não era fácil fazer um modelo de recuperação do Bairro Camões se não fosse assim”.

Neste sentido, deu-se início ao processo que permitisse “recuperar o Bairro Camões” sem encargos financeiros incomportáveis para a autarquia, atualmente sem recursos para adquirir as habitações. Para Jorge Faria, foram conjugados interesses de “recuperar o património”, de “o fazer de forma eficaz”, envolvendo pessoas com ligações ao Entroncamento e experiência em cooperativas de habitação, algumas associadas à Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET).

Mapa do projeto referente ao Bairro Camões. Foto: CM Entroncamento

O valor global do investimento envolvido no processo de reabilitação situa-se nos €3.620.000 e, uma vez terminada a empreitada, as moradias com preços situados abaixo dos €100.000 e acima dos €200.000 recebem os novos moradores. A escolha pode variar entre o V1, os 15 V2, os 10 V3, os cinco V4 e o T5, usando a designação correta em vez do convencional “T”, com a garantia dada de que a traça arquitetónica será mantida.

A data da apresentação pública da Camõescoop, com quem a Câmara Municipal estabeleceu a parceria, na palavras do autarca, com “o objetivo de recuperar os bairros ferroviários e dar-lhes finalidade” é, igualmente, o primeiro dos 60 dias do prazo em que quem se inscrever adquire o estatuto de sócio fundador. Um critério que pode vir a integrar a lista (ainda não definida) das condições que dão primazia para a compra das habitações caso o número de compradores ultrapasse o das casas.

Condição certa, neste momento, é a inscrição na Camõescoop de qualquer pessoa interessada e o pagamento de entrada, mensalidades e reforços semestrais, conforme a tipologia de casa que se pretende adquirir. Estes montantes, correspondentes a cerca de 20% do valor total da compra, funcionam como adiantamento e são pagos à cooperativa até ao momento da mudança para a nova casa durante os próximos dois anos.

Uma das três ruas do Bairro Camões. Foto: mediotejo.net (arquivo)

Os restantes 80% serão pagos a partir da assinatura da escritura, recorrendo, por exemplo, ao financiamento “que a cooperativa vai fazer para recuperar e pode transferir para o particular esse crédito respeitante ao valor específico da casa que vai adquirir”, diz Jorge Faria. No caso do V1, exemplifica, a entrada inicial ronda os €3.000,00, seguem-se reforços semestrais de cerca de €2.000,00 e 24 mensalidades na ordem dos €300,00.

Caso não seja um dos futuros residentes do bairro criado no início do século passado para os quadros superiores da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, pode ponderar a hipótese de habitar o Bairro da Vila Verde.

Jorge Faria refere que, se o processo do Bairro Camões tiver sucesso, existe a possibilidade deste ser estendido a este bairro ferroviário inaugurado em 1919 e onde morou, nomeadamente Eduardo O.P. Brito, considerado o “pai” dos fenómenos do Entroncamento.

Entrada do Bairro Camões. Foto: mediotejo.net (arquivo)

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Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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