Foto: CMVR

O concelho de Vila de Rei continua a avaliar os impactos provocados pela passagem da depressão Kristin, numa altura em que os serviços essenciais já funcionam, mas o número de pessoas realojadas pode aumentar ao longo do dia. As autoridades locais mantêm equipas no terreno para responder a novas situações de risco e garantir a normalização das condições de vida nas aldeias afetadas.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Paulo César Luís, estão atualmente identificados 12 casos de pessoas realojadas, número que poderá subir nas próximas horas. “Há equipas no terreno para perceber se aqueles casos em que as pessoas se tinham recusado a sair de casa, e outros em que as condições de habitabilidade já eram precárias, necessitam agora de realojamento”, explicou o autarca, em declarações à agência Lusa.

Entre as situações registadas encontram-se pessoas que ficaram sem energia elétrica e que necessitam de cuidados médicos dependentes de eletricidade, bem como habitações afetadas por problemas estruturais. Apesar disso, os estabelecimentos de ensino e os serviços municipais estão hoje a funcionar normalmente.

O fornecimento de energia elétrica encontra-se restabelecido em mais de 90% do concelho, embora subsistam algumas aldeias com falhas parciais ou totais, devido à necessidade de reconstrução da rede de baixa tensão. A aldeia de Fernandaires permanecia, por volta das 10h30, totalmente sem eletricidade. Paulo César Luís destacou o esforço da E-Redes no terreno para assegurar a reposição total do serviço.

Ao nível da rede viária, não havia registo de estradas cortadas a meio da manhã, mas a autarquia mantém como prioridade a desobstrução total das vias, de forma a garantir o funcionamento dos transportes e o acesso às localidades mais isoladas. Paralelamente, continuam as ações de verificação no terreno para identificar eventuais novas necessidades de apoio à população.

Foto: CMVR

Neste momento, a maior preocupação “é preparar o dia de amanhã [terça-feira], garantir que todas as estradas estão desobstruídas [possibilitando o funcionamento de transportes]” e “voltar às aldeias e perceber se ainda há ou se há novas pessoas a precisarem de ajuda no que diz respeito ao alojamento”.

O mau tempo provocou ainda em Vila de Rei um ferido grave, com mais de 70 anos, que podia estar a fazer a reparação do telhado “ou simplesmente a tentar assegurar as condições do telhado, para que não chovesse dentro de casa”, quando caiu de cima da estrutura.

Foi também registada uma vítima com ferimentos ligeiros, uma mulher também com mais de 70 anos, após o desabamento de um telhado.

Questionado sobre a estimativa dos prejuízos que o mau tempo ocasionou, a nível financeiro, o líder camarário de Vila de Rei esclareceu que o levantamento está a ser feito, não havendo para já uma conjetura.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou Vila de Rei como exemplo do “outro Portugal” atingido pela tempestade Kristin

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no sábado, em Vila de Rei, que há outro Portugal e o outro Portugal foi atingido, indicando Vila de Rei como o exemplo desse outro país.

“Queria chamar a atenção para isto. Ontem [sexta-feira] comecei por Leiria e aí é uma calamidade numa cidade, numa grande cidade. Nunca tínhamos assistido nada daquela intensidade. Hoje na Figueira da Foz, menos grave, mas ainda uma cidade. Mas há outro Portugal e outro Portugal foi atingido. Vila de Rei é um exemplo desse Portugal”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, visitou uma empresa local completamente destruída pela passagem da depressão Kristin.

“Acabámos de ver uma empresa, onde os prejuízos calculados são de meio milhão ou mais [euros]. Uma empresa com 30 anos. Quem a fez está desfeito como a empresa. É uma vida. Isto acontece em muitos casos. Aqui aconteceu e não foram os únicos prejuízos de grande monta” salientou.

Para o chefe de Estado, isto explica como foi muito grave e muito extenso no território este fenómeno natural.

“Vai demorar tempo. É preciso explicar desde o inicio que vai ser assim para não se criarem expetativas que é uma coisa fácil que se resolve num instante. Não contanto com o facto de que ainda é um processo que está em curso. Pode haver mais chuva, inundações, pode haver mais municípios a juntar aos 59 que estão em estado de calamidade”, vincou.

Marcelo disse ainda que com outros fenómenos como os incêndios, aprendeu-se muita coisa e melhorou-se em muita coisa, mas não foi possível, pelos vistos, melhorar muitas outras.

“Nós temos fibra ótica no subsolo. E, no entanto, temos ainda ligações elétricas que se vê ao longo do país e que são primitivas. Um vendaval põe em crise essas ligações. Somos um país que tem coisas do mais avançado que há na Europa e no mundo e depois temos ainda problemas, até pelas desigualdades entre territórios que são muito antigas”.

O Presidente da República salientou que quando surgem estes fenómenos que nunca tinham acontecido fica a nú aquilo que é mais antigo e obsoleto.

“Isso aguentou-se porque é um milagre nosso, português, ir aguentando situações até ao limite, mas é melhor estarmos preparados para o futuro. Isto pode voltar a acontecer”, disse.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.

C/LUSA

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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