Foto: mediotejo.net

O incrivelmente baixo nível de água da Albufeira de Castelo do Bode tem marcado as manchetes por estes dias na região. Autarcas, empresários, agricultores e associações revelam preocupação com o estado a que chegou este que é um enorme ativo do Médio Tejo. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, aproveitou a reunião de Câmara pública de sexta-feira, dia 4 de fevereiro, para expressar o seu receio com o futuro perante a escassez de água, que põe em causa a captação e abastecimento de água e pelas implicações que poderá ter com a chegada da primavera/verão. O edil crê ainda que se poderá estar a “hipotecar o verão e o turismo em Vila de Rei”, e com isso a economia local irá de arrasto. O social democrata aponta o dedo à má gestão e à atuação tardia do Governo quanto à produção de energia, perante as previsões que em 2021 já indiciariam um inverno rigoroso e com seca prolongada. “Que comece a chover. Que comece a chover o mais depressa possível”, concluiu Ricardo Aires, em jeito de prece.

Ricardo Aires deixou fortes críticas à atuação do Governo, acusando de má gestão da Albufeira de Castelo de Bode. “Foi muito mau, visto que em dezembro já se sabia que ia haver um inverno rigoroso e em termos de seca. Com o fecho da Central Termoelétrica do Pego em final de novembro, tinham que saber que, com a seca severa com que nos deparamos, os níveis das nossas barragens iriam baixar. Estamos a hipotecar o verão e o turismo nos concelhos que partilham a Albufeira de Castelo de Bode, especialmente o de Vila de Rei”, começou por dizer.

ÁUDIO | Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei:

Por outro lado, Vila de Rei tem a captação de água para abastecimento ao concelho na albufeira, situação que deixa os autarcas “muito preocupados” dado que se está quase a atingir a quota de captação mínima.

O município tem estado em contacto com as entidades governamentais, nomeadamente a APA, mas Ricardo Aires critica o facto de as respostas não serem dadas por escrito, mas apenas verbalmente.

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Como exemplo da preocupação no território cujos destinos gere, o edil lembrou locais que estão visivelmente afetados com este baixo nível das águas, caso da zona balnear de Zaboeira, bem como a praia fluvial de Fernandaires – espaços de excelência que atraem turistas e visitantes durante a primavera e verão, e onde se inserem também os praticantes de desportos náuticos, nomeadamente wakeboard, sendo que Fernandaires tem instalado um dos cinco cable parks da Estação Náutica de Castelo do Bode na região do Médio Tejo.

ÁUDIO | Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei

Outra preocupação prende-se com os constrangimentos que se refletem na restante economia, caso do alojamento local e restauração, que lucram com os visitantes que visitam e fazem férias no concelho aproveitando os pontos de interesse e as atividades nas margens da albufeira.

Caso o verão seja “trágico” em termos de exploração turística da albufeira e de dinamização das atividades e tecido económico dos concelhos da envolvente de Castelo de Bode, Ricardo Aires crê que o Governo deverá “repensar fazer ajudas para estes municípios que têm barragens e que vivem no verão à conta da água” disponível nas albufeiras.

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A Câmara Municipal já começou a ponderar nas medidas que tem de tomar para contornar os constrangimentos que o baixo nível da água causa, por exemplo, já tendo efetuado pedido para prolongamento da rampa de acesso ao ancoradouro de Fernandaires e estando até aberta a possibilidade de ajuste da piscina flutuante e relocalização.

Quanto ao cable park para a prática de wakeboard, Ricardo Aires teme que seja praticamente impossível ativar com este estado de coisas, dada a especificidade da instalação.

Tendo em conta os contornos da produção energia, que levaram à decisão do Governo de suspender a produção hidroelétrica na barragem de Castelo do Bode, medida que o autarca de Vila de Rei considerou que peca por tardia.

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Ricardo Aires não quis deixar de expressar a sua opinião no período antes da ordem do dia, na reunião de Câmara pública de 4 de fevereiro. “Acho caricato como o Governo de Portugal faz esta seleção, de agora passar a importar energia a carvão de Espanha. Não consigo perceber. Encerram a central de Portugal e agora vai importar energia de Espanha, principalmente a carvão e também nuclear”, afirmou.

Refira-se que fonte oficial da APA assegurou à agência Lusa que não existe, de momento, “qualquer risco de garantia no abastecimento público”, vincando ser “prioritário”, apesar de os níveis na Albufeira do Castelo do Bode estarem “abaixo da média devido ao facto de no presente ano hidrológico não ter ainda ocorrido precipitação significativa que permita repor os níveis de armazenamento após o verão”.

Com níveis anormalmente baixos relativamente à média dos últimos anos, ao longo dos cerca de 60 quilómetros de albufeira e respetivas margens situadas nos concelhos de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Sardoal, Sertã, Tomar e Vila de Rei, a partir da Albufeira de Castelo do Bode é captada água que abastece uma vasta região até Lisboa, abrangendo um universo de cerca de três milhões de consumidores.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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