Na segunda-feira, dia 20, no átrio da Casa do Campino em Santarém, realizou-se a cerimónia de apresentação do programa comemorativo dos quarenta anos do Festival Nacional de Gastronomia, programa esse constituído na base da exaltação das artes culinárias portuguesas e a gastronomia subjacente às criações de bem comer e bem beber (com moderação q.b.) num registo de convivialidades que fizeram e fazem do Festival de Gastronomia em Santarém a mais importante iniciativa deste género no terrunho lusitano.
Após a enunciação programática foi servido um almoço de essência ribatejana (terras da lezíria) onde pontificou até pela surpresa uma cabidela fluvial, ou seja: homenagem ao grande celeiro piscícola da província que é o rio Tejo.
A cabidela teve como elemento principal lombos de fataça e as respectivas ovas. A confecção seguiu os trâmites da receita da cabidela, o peixe as ovas concederam à mesma o talante de ser gulosa duplamente: na textura e no prolongamento saboroso. Porque pode parecer inusitada a receita em causa sugiro às leitoras e leitores o trabalho de imitarem o chefe Rodrigo Castelo, os seja: adquiram fataças frescas e de bons lombos, depois mãos à obra não se esquecendo de guardarem o sangue das mesmas a fim de o integrarem no preparo, não se esquecendo de o borrifarem com vinagre de bom vinho.
Onde conseguirem as fataças? Abordem pescadores que conheçam, digam-lhe qual é o propósito, convidem-nos para almoçar (é o engodo amistoso) e que lhes aproveite.
No almoço de Santarém foram servidos vinhos da Adega Cooperativa do Cartaxo, branco. Tinto e colheita tardia para acompanhar a doçaria. Os vinhos em causa já foram objecto de apreciação neste jornal. Positiva apreciação. Note-se!
