A Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo anunciou a realização de um total de 188.323 consultas hospitalares e mais de meio milhão de consultas nos cuidados de saúde primários no ano 2024, com as cirurgias a atingirem um novo recorde. Com a criação da ULS Médio Tejo, integrando cuidados primários e hospitalares, “iniciou-se um novo capítulo na história da saúde” na região, salienta a instituição.
“A 1 de janeiro de 2024 iniciou-se um novo capítulo na história da saúde na região com a criação da ULS Médio Tejo, que se posiciona no mapa da saúde em Portugal pela inovação, pela humanização e pela excelência”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, entidade com sede em Torres Novas, tendo realçado a “matriz dos cuidados integrados e personalizados” da nova instituição e um “crescimento significativo nas principais áreas assistenciais no seu primeiro ano de atividade”.
Segundo Casimiro Ramos, os “cuidados primários e cuidados hospitalares passaram a trabalhar integrados para atingir objetivos muito ambiciosos”, como o “levar mais saúde a todos, resolver problemas de saúde, mas desenvolver uma aposta muito assertiva na prevenção da doença, trabalhando em conjunto para encontrar respostas e prioridades adequadas à região do Médio Tejo e às necessidades de cada um dos utentes”.

Em comunicado, a ULS Médio Tejo, que presta cuidados de saúde primários e hospitalares em 10 municípios do distrito de Santarém e um concelho do distrito de Castelo Branco, elenca a atividade prestada ao longo de 2024, primeiro ano de atividade enquanto ULS, tendo indicado ainda os investimentos programados para 2025, ano em que a instituição conta com um orçamento de 234,1 milhões de euros (ME), mais 6% que no ano passado (203 ME).
“Os indicadores relativos a 2024 atestam que a integração dos cuidados de saúde primários e hospitalares na mesma instituição proporcionou um maior acesso, eficiência, qualidade e humanização dos serviços de saúde prestados à população”, com as 65 unidades de prestação de cuidados de saúde primários da ULS Médio Tejo a registarem “mais de meio milhão de atos realizados (cerca de 580.000)”, em consultas médicas presenciais e não presenciais.
Ainda ao nível de cuidados de saúde primários, a ULS Médio Tejo indica a contratação de sete novos médicos de família em regime de prestação de serviços e a entrada de cinco clínicos ao abrigo do projeto “Bata Branca”, que “vieram a compensar as 10 saídas registadas em 2024”, ano em que 30% dos utentes da região não tinham médico de família atribuído.
“Através do reforço de médicos em prestação de serviços, e de medidas inovadoras de resposta médica através plataformas de telemedicina, foi possível diminuir o número de utentes sem acesso a cuidados de saúde”, tendo a ULS apontado hoje a uma “cobertura de 92,2% da população” com cuidados de saúde assegurados.
Nos cuidados hospitalares, a ULS destaca um “crescimento significativo na área cirúrgica, com um aumento de 12,5%”, em relação ao ano anterior.
“Foram realizadas um total de 12.754 cirurgias, sendo assim ultrapassada a fasquia de mais de mil cirurgias (1.063) realizadas em média por mês em 2024, face às 953 atingidas em 2023”.
Já no que diz respeito às consultas hospitalares, realizaram-se, em média, 730 consultas por dia nos três hospitais da ULS – um total de 188.323 -, o que representa um “crescimento de cerca de dez mil consultas” face a 2023.
A ULS destaca que a especialidade de Imunoalergologia foi a que mais se destacou, com um “crescimento recorde de 200% face ao ano transato, com 2.093 consultas realizadas”, e com a especialidade de Pneumologia a crescer 27,2%, a Cardiologia 12,7%, e a Medicina Interna 6,1%.
Ainda nas consultas do Departamento da área cirúrgica, o maior crescimento percentual homólogo verificou-se na especialidade de Otorrinolaringologia (mais 26,3%), com a Ortopedia a registar um aumento de 18,3%, num total de 2.156 consultas.
Se o atendimento nos Serviços de Urgência da ULS Médio Tejo se manteve “praticamente inalterado” (menos 0,3% e uma média de 420 episódios de urgência/dia nas cinco urgências da ULS, já os 17.202 internamentos hospitalares significam um “recuo de 2,3%” face a 2023, “apesar do expressivo aumento da atividade cirúrgica”.
A maternidade integra ainda a curta lista de resultados negativos, tendo sido realizados em 2024 um total de 755 partos na maternidade do Hospital de Abrantes, da ULS Médio Tejo, o equivalente a uma quebra homóloga de 6,9%.
Para 2025, segundo a ULS, está programada a execução de 9,6 ME em investimento, dos quais 5,6 ME destinados à reabilitação de infraestruturas, 02 ME para aquisição de novos equipamentos, e mais de 800 mil euros em substituição de equipamentos, a par de um “reforço de profissionais”, nomeadamente no Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes, Blocos Operatórios dos Hospitais de Abrantes e Tomar e no Serviço de Medicina Interna.

A ULS indica estar igualmente previsto o “arranque de projetos diferenciadores”, tendo apontado ao “desenvolvimento da área de Cardiologia de Intervenção, em Abrantes, a ampliação do Internamento de Cuidados Paliativos, em Tomar, a expansão da Unidade de Hospitalização Domiciliária para uma nova unidade hospitalar da ULS Médio Tejo, a constituição de mais equipas comunitárias de saúde mental; e o reforço dos profissionais dos cuidados de saúde primários.
O presidente da ULS Médio Tejo apontou como prioridades em 2025 manter o “foco no reforço dos cuidados de saúde primários, a redução das listas de espera, a otimização dos processos, e a implementação de novas tecnologias nas respostas de saúde”.
A ULS Médio Tejo passou a agregar em 01 de janeiro o Centro Hospitalar do Médio Tejo e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, assegurando a prestação dos cuidados de saúde nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha (todos do distrito de Santarém) e Vila de Rei (distrito de Castelo Branco).
Com população residente na área geográfica de abrangência de cerca 170 mil pessoas, a ULS tem 2.780 profissionais e dispõe de três unidades hospitalares (localizadas em Abrantes, Tomar e Torres Novas) separadas entre si por cerca de 30 quilómetros.
