Trilho ‘No rasto dos Templários’ vai valorizar património natural e cultural de Limeiras. Foto: Paula Botas

O percurso pedestre PR1 VNB – ‘No rasto dos templários’, que representou um investimento na ordem dos 150 mil euros do Centro Cultural e Desportivo Limeirense, de Limeiras, integrou a requalificação e marcação de um trilho, com uma extensão de 18 quilómetros (km), desde a foz do Nabão, na zona do Cafuz, e ao longo das margens do rio Zêzere, interligando com o Trilho Panorâmico do Tejo, percurso ribeirinho que se estende depois desde o Castelo de Almourol ao Parque de Escultura Contemporânea, em Vila Nova da Barquinha. As inscrições para a inauguração do passeio pedestre esgotaram, tendo cerca de uma centena de pessoas participado no abertura do trilho.

“Trata-se de um percurso de 18 km, de grau de dificuldade difícil, e que integra a passagem por elementos históricos relevantes, como o estaleiro naval onde foram construídas sessenta galeotas que deram início aos descobrimentos portugueses e que integraram a armada que conquistou Ceuta em 1415”, disse ao nosso jornal Guilherme Grácio, presidente da associação de Limeiras, sobre um trilho que se vem juntar às rotas de turismo cultural e natureza no concelho da Barquinha e na sub-região do Médio Tejo.

O responsável destacou o investimento como “fator de desenvolvimento local” através de uma aposta integrada na vertente desportiva, cultural e de turismo natureza.

Trilho ‘No rasto dos Templários’ vai valorizar património natural e cultural de Limeiras. Foto: Pérsio Basso/CMVNB

“É um projeto muito ambicioso por parte da comunidade das Limeiras e pelo Centro Cultural e Desportivo Limeirense e significa o concretizar de um objetivo maior que é o de termos na aldeia um percurso homologado para que toda a gente nos possa vir visitar e que tenha um conhecimento do que foi as Limeiras, do que foi a Praia do Ribatejo, e do que foi o concelho de Vila Nova da Barquinha”, indicou.

ÁUDIO | GUILHERME GRÁCIO, PRESIDENTE CCD LIMEIRENSE:

Relativamente ao trilho e à história associada, Guilherme Grácio disse que o mote no ‘Rasto dos Templários’, está associado aos “vestígios” da sua presença na freguesia, nomeadamente com o “estaleiro naval onde se construíram as galeotas para a conquista de Ceuta” – ver AQUI crónica de Fernando Freire sobre as fustas e galeotas construídas no Cafuz -, tendo destacado ainda a vertente natureza, em percurso que faz a ligação da foz do Nabão com o rio Zêzere e vai até ao rio Tejo.

Rita Inácio, dirigente da associação de Limeiras e investigadora da história local, disse, por sua vez, que “toda a área onde situa a atual freguesia de Praia do Ribatejo fazia parte do território de Ozêzar, mais tarde denominado por Payo de Pelle, o qual foi doado em outubro de 1159, por D. Afonso Henriques, à Ordem do Templo, pertencendo posteriormente à sua sucessora, Ordem de Cristo”, tendo deixado inúmeros vestígios da ocupação templária na freguesia.

“É já com a Ordem de Cristo, e de acordo com a informação do espião castelhano Ruy Dias de Vega, que se constrói o estaleiro naval, onde viriam a ser construídas 60 galeotas a serem integradas na nossa armada, a qual conquistou Ceuta a 21 de agosto de 1415, sendo as suas ruínas o ex-libris deste trilho”, destacou.

Percurso pedestre ‘No rasto dos Templários’. Foto: Fernando Freire

ÁUDIO | RITA INÁCIO, DIRIGENTE DO CCD LIMEIRENSE:

No domingo, dia da inauguração do percurso pedestre e em que se assinalou o 45º aniversário da associação, os visitantes foram convidados a percorrer 13 dos 18 km do trilho e “vislumbrar, para além do estaleiro, ribeiras, nateiros, azenhas e açudes, havendo, ao longo do mesmo, a apresentação dos diversos lugares e dos seus factos históricos mais relevantes, com a explicação do legado tangível desta paisagem cultural templária”, indicou a associação.

Com uma distância total de 18 km, o percurso, circular e de grau de dificuldade difícil, inclui ramais de ligação à aldeia de Cafuz e à ponte de Constância sobre o rio Zêzere.

O investimento, num total de 150 mil euros, contou com um apoio de 35 mil euros de fundos comunitários e de 50 mil euros do município da Barquinha para a homologação do percurso e reabilitação de vestiários e de instalações sanitárias de apoio à prática do pedestrianismo, assumindo a associação um projeto que incluiu ainda a sinalética, limpeza e desmatação do trilho.

Trilho ‘No rasto dos Templários’ vai valorizar património natural e cultural de Limeiras. Foto: Pérsio Basso/CMVNB

As inscrições para o passeio inaugural estiveram abertas até 31 de maio, em atividade que juntou mais de uma centena de pessoas e que culminarou com um almoço convívio no Centro Cultural e Desportivo Limeirense e com a inauguração de uma exposição de fotografias do percurso, da autoria de Paula Botas.

*c/Lusa e Paula Mourato

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Entre na conversa

2 Comments

  1. Um investimento deste calibre, e considerado de dificuldade difícil ?
    Não seria conveniente que estas iniciativas contemplassem uma faixa de possíveis utilizadores mais abrangente?
    Com essa classificação, ficará quase “restrito” a alguns.
    É a minha modesta opinião, que sou um “Caminheirodependente”

    1. Como escrito no artigo a verba serviu tanto para sinalética e homologação do percurso (que por si já não são coisas baratas) assim como reabilitação de infraestruturas de apoio (como sabemos a construção também não está barata).
      Num percurso com 18km ter uma dificuldade mais baixa nem com passadiço de ponta a ponta (basta comparar com os do Mondego 12km dificuldade média e os do Paiva 8km dificuldade alta).
      E de passadiços já anda o nosso país cheio o pior será mantê-los a longo prazo já para não falar no impacto ambiental e paisagístico que estes provocam.
      Percebo que é injusto para quem tem dificuldades de mobilidade mas acredito que só assim se mantém os lugares preservados como estes merecem.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *