“O tráfego ligeiro duplicou ou triplicou relativamente ao normal. Queremos alertar a população e o Governo para esta situação, fruto do encerramento da Ponte da Chamusca e das limitações em Abrantes. É necessário encontrar uma solução, seja através de uma nova travessia ou da reabilitação da ponte, que permita a passagem de pesados e o tráfego nos dois sentidos”, alertou Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância.
Os autarcas dos concelhos responsáveis pela gestão da ponte, Constância e Barquinha, promoveram hoje uma conferência de imprensa conjunta para abordar a situação da Ponte da Praia, as vulnerabilidades da infraestrutura e os riscos para a circulação de viaturas agravados pelas cheias recentes e pelo aumento do tráfego local.
“A ponte está limitada à passagem de pesados e, mesmo em poucos minutos, é visível a quantidade de veículos pesados que tenta atravessar”, disse Sérgio Oliveira.

Junto à ponte, o tráfego era intenso perto das 13:00, com filas de espera que se estendiam por centenas de metros devido à circulação em sentido alternado e à interdição a pesados, mas com alguns a tentarem passar, sendo a questão da “segurança”, a “principal preocupação”, disse o autarca de Constância.
VIDEO/ENTREVISTA JUNTO À PONTE DA PRAIA:
A Ponte da Praia, que assegura a ligação entre Constância Sul e a Praia do Ribatejo, funciona com circulação alternada, regulada por semáforos, permitindo a passagem de veículos num só sentido de cada vez.
A infraestrutura está interdita a veículos pesados, por razões de segurança estrutural, estando limitada a viaturas ligeiras e sujeita a restrições de peso, o que condiciona a fluidez do tráfego e aumenta os tempos de espera, sobretudo em períodos de maior pressão rodoviária como o atual, marcado pelas cheias no Tejo e pelo encerramento de outras travessias na região.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, afirmou, por sua vez, que o fecho da Ponte da Chamusca veio exponenciar um problema antigo.
“Efetivamente, temos a gestão desta ponte quando deveria ser uma gestão do Governo central, mas o fecho da Ponte da Chamusca veio agravar a situação, com a tentativa de passagem de pesados e o aumento do fluxo de ligeiros, muito acima do normal”, notou.
“Este é um problema que se arrasta há cerca de quatro décadas e urge ser resolvido, seja pelo alargamento desta ponte ou por outra solução estrutural”, afirmou.

A dimensão económica e territorial do problema preocupa também os autarcas, que relataram pedidos de excepção de empresas para poderem fazer ali circular camiões, tendo os mesmos sido negados por questões de segurança.
“Empresas como a Caima solicitaram exceções para permitir a passagem de pesados, mas nós, enquanto autarquias de Constância e Barquinha, recusámos assumir essa responsabilidade e o Ministério das Infraestruturas também. Está a avaliar a situação e haverá uma visita técnica e reunião de trabalho em março, já agendada com o ministro há semanas, mas este problema já vinha sendo identificado há muito”, disse Sérgio Oliveira.
O volume médio de tráfego diário nesta travessia situa-se entre 3.000 e 4.000 veículos, número que mais do que “mais do duplicou ou triplicou” com o fecho da Ponte da Chamusca e outras restrições na região.

A ponte não faz parte da rede estruturante da Infraestruturas de Portugal, sendo gerida pelas autarquias desde 1988, e há décadas que os responsáveis locais reclamam uma solução definitiva para a travessia do Tejo nesta zona.
A solução preconizada pelos autarcas passa pelo reforço estrutural ou alargamento da Ponte da Praia, de forma a permitir a passagem segura de veículos pesados e ligeiros nos dois sentidos, garantindo também a mobilidade económica e territorial da região.
Enquanto a travessia da Ponte da Praia é limitada a veículos ligeiros e a circulação alternada por semáforos, o fecho da Ponte da Chamusca obriga a percursos muito mais longos para camiões, com reflexos no transporte de mercadorias e serviços essenciais, num problema que afeta toda a região do Médio Tejo e Lezíria do Tejo.

O fecho da Ponte da Chamusca deveu-se inicialmente à submersão do acesso provocada pelo galgamento do Dique dos 20, do lado da Golegã, na quinta-feira passada.
Com a descida das águas, a ponte reabriu na terça-feira, mas revelaram-se fissuras no pavimento, levando à interdição imediata da circulação e à chamada de uma equipa técnica da Infraestruturas de Portugal (IP) para avaliação.
A ponte da Chamusca, entretanto, reabriu ao trânsito a meio da tarde, com a circulação a fazer-se de forma alternada e com alguns condicionamentos, disse o presidente do município da Chamusca, salientado que o mau tempo provocou “um caos” na mobilidade no concelho.
“Foram detetadas falhas de segurança antes da ponte, no lado da Golegã. As Infraestruturas de Portugal vieram fazer uma avaliação e passaram o semáforo para trás, para impedir que os veículos circulem na zona afetada”, explicou Nuno Mira.

Segundo o autarca, o encerramento esta semana da ponte da Chamusca deveu-se ao estado da estrada de acesso do lado da Golegã e não está relacionado com problemas estruturais na ponte.
Desde hoje, a circulação foi restabelecida e faz‑se agora de forma alternada com alguns condicionamentos, nomeadamente o encerramento de alguns metros de uma das faixas. O trânsito está a ser regulado por sinalização luminosa colocada antes do troço condicionado.
No distrito de Santarém existem várias travessias estratégicas sobre o Tejo, entre as quais se destacam as pontes de Abrantes, Constância-Sul (Praia do Ribatejo), Santarém (duas) e a ponte da Chamusca, essenciais para a circulação de veículos e mercadorias entre as margens do rio.

O presidente da Câmara da Chamusca, Bruno Mira, realçou que a situação evidencia problemas estruturais antigos e reforça a urgência de concretizar o IC3, obra há décadas prometida.
O presidente da Câmara de Abrantes e responsável distrital da Proteção Civil, Manuel Jorge Valamatos, também alertou para a fragilidade das travessias e da rede viária, destacando que as intempéries apenas evidenciam problemas estruturais antigos.
“É fundamental que o Plano Rodoviário Nacional avance com soluções estruturais como o IC3 e o IC9 para reforçar a circulação de veículos pesados e garantir alternativas seguras em situações de cheias. Estas obras não podem continuar adiadas”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.
A situação da mobilidade regional ocorre num contexto mais amplo de cheias no Tejo e da tempestade Kristin, com cerca de uma centena de estradas no distrito cortadas ou condicionadas devido a inundações, aluimentos de terra e queda de árvores.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, com várias estradas cortadas ou condicionadas devido a submersão e aluimentos de terra, numa altura em que os solos continuam saturados pela precipitação persistente.

