PCP liga luta laboral à rejeição de Ventura na segunda volta das presidenciais. Foto: mediotejo.net

O secretário-geral do PCP exigiu hoje em Tramagal, numa ação de contacto com os trabalhadores na zona industrial, a retirada imediata do pacote laboral, defendeu a rejeição de André Ventura na segunda volta presidencial e criticou os acordos do Mercosul pelos impactos nos pequenos produtores. Questionado sobre os efeitos da tempestade, Paulo Raimundo defendeu a declaração de calamidade e apoios imediatos às populações.

Em declarações aos jornalistas, após uma ação de contacto com trabalhadores da Mitsubishi Fuso, no Tramagal, concelho de Abrantes, Paulo Raimundo, exigiu a retirada da proposta de pacote laboral, considerando que foi “rejeitada pelos trabalhadores” e que “não tem pernas para andar”.

A iniciativa integrou a ação nacional do partido sob o mote “Outro rumo para o país. Rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças”, que prevê nas próximas semanas contactos alargados com trabalhadores em vários pontos do país.

“Esta gente põe o país a funcionar, põe esta empresa a funcionar, põe a economia a funcionar e está farta de ser enganada”, afirmou Paulo Raimundo, junto à porta da fábrica.

O dirigente comunista acusou as entidades patronais de promoverem “o choradinho de que não há dinheiro”, ao mesmo tempo que defendem medidas que, na sua perspetiva, agravam a exploração, a precariedade e a pressão sobre quem trabalha.

“O que está aqui em causa é a proposta da reforma laboral. Houve uma greve geral com um impacto de grande dimensão e uma grande unidade dos trabalhadores. Este pacote laboral foi rejeitado pelos trabalhadores e é preciso derrotá-lo de uma vez por todas. É preciso que seja retirado da discussão”, defendeu.

Paulo Raimundo sustentou que a mobilização dos trabalhadores não se limita à rejeição das alterações à lei laboral, mas também à afirmação do que considera ser o caminho necessário.

“O que é preciso não é mais precariedade, é mais estabilidade. Um trabalho permanente deve corresponder a um contrato permanente. O que é preciso é mais salários, mais tempo a viver, não é mais horas extraordinárias, mais turnos, mais pressão”, afirmou.

ÁUDIO | PAULO RAIMUNDO, SECRETÁRIO GERAL DO PCP:

O secretário-geral do PCP apelou ainda à mobilização para a manifestação convocada pela CGTP para 28 de fevereiro, considerando que esse será “um momento de grande afirmação” contra o pacote laboral e a favor de uma mudança de rumo nas políticas laborais.

Questionado sobre a segunda volta das eleições presidenciais, Paulo Raimundo afirmou que, entre os dois candidatos, há um que merece “profunda rejeição” e outro sobre o qual o PCP “não tem nenhuma ilusão”.

“Não hesitamos: é rejeitar o candidato André Ventura”, afirmou, acusando-o de recorrer “à mentira, à demagogia e à hipocrisia”, em particular quando fala em nome dos trabalhadores.

Sobre o candidato adversário de António José Seguro, Raimundo afirmou que o PCP não tem ilusões quanto às suas posições, mas considerou que derrotar Ventura é “um imperativo”.

Questionado sobre os acordos comerciais da União Europeia com o Mercosul e com a Índia, o dirigente comunista considerou que este tipo de acordos tem tido efeitos negativos, sobretudo para pequenos produtores e agricultores.

“Não somos, por princípio, contra acordos comerciais, mas a prática tem mostrado que servem para que alguns poucos encaixem muito e para que quem trabalha fique sempre mais apertado”, afirmou, sublinhando a importância da produção agrícola na região onde decorreu a ação.

Paulo Raimundo adiantou que o PCP vai prosseguir nas próximas semanas uma ampla ação de contacto com trabalhadores e populações, em vários distritos, para reforçar a mobilização contra o pacote laboral e afirmar as propostas do partido.

Mau tampo | PCP pede declaração de calamidade e apoios imediatos às populações

O secretário-geral do PCP defendeu hoje no Tramagal que o Governo deve ponderar declarar o estado de calamidade nas zonas mais afetadas pelo mau tempo e avançar sem demora com apoios imediatos a populações e empresas.

Em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo começou por apresentar as condolências às famílias das vítimas, realçando que “o país enfrentou um fenómeno com uma intensidade que há muito não se via, particularmente em algumas regiões”.

À margem de uma ação junto à porta da fábrica da Mitsubishi Fuso, em contacto com trabalhadores numa iniciativa contra a proposta de pacote laboral, o dirigente comunista sublinhou a necessidade de identificar rapidamente os danos causados pela intempérie.

“Muita gente ficou sem habitação, há empresas paradas por razões da intempérie. É preciso identificar rapidamente esses problemas e o Governo não pode enrolar nas medidas que se impõem já, de apoio e de garantias, em articulação com as autarquias para responder no concreto”, afirmou.

Paulo Raimundo referiu que o PCP já questionou o Governo sobre a resposta à situação e criticou a hesitação quanto à eventual declaração do estado de calamidade.

PCP liga luta laboral à rejeição de Ventura na segunda volta das presidenciais. Foto: mediotejo.net

“Hoje ouvimos notícias de que não se pode decretar o estado de calamidade por esta ou por aquela razão. Eu acho que depende da dimensão do que aconteceu e do que se vai conhecendo a cada hora que passa. O Governo devia ponderar se sim ou não decretar”, defendeu.

O secretário-geral do PCP considerou que, apesar de os impactos não terem sido iguais em todo o território, trata-se de “um impacto nacional” que exige uma resposta célere do executivo.

“Foi tão lesta a decisão do IRC para os grandes grupos económicos, também não devia haver hesitação na rapidez para responder às necessidades das pessoas”, acrescentou.

ÁUDIO | PAULO RAIMUNDO, SECRETÁRIO GERAL DO PCP:

Questionado sobre se pondera visitar alguns dos locais afetados, Paulo Raimundo respondeu que essa deslocação só fará sentido se for para ajudar.

“Se é para ajudar, vai-se. Se é para atrapalhar, não vale a pena. O que é preciso agora é que se restabeleçam as condições mínimas, comunicações, água, que se garantam os apoios imediatos e que se dê espaço à Proteção Civil, aos bombeiros e aos serviços para trabalharem”, afirmou.

O dirigente comunista concluiu, apelando a que ninguém interfira no trabalho das equipas no terreno: “Espero que ninguém ouse atrapalhar quem está a trabalhar nesta situação”.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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