Tramagal exige ação imediata do Governo para retificação da EN118 e nova ponte sobre o Tejo. Foto: mediotejo.net

“O constrangimento que há da falta de acessibilidade rodoviária ao Tramagal é uma questão debatida há décadas e que tem limitado o potencial de desenvolvimento da nossa região. A calamidade recente veio evidenciar a necessidade urgente de resolver este problema, que deve ser olhado considerando as necessidades das populações, das empresas, da economia local e o interesse nacional”, declarou António José Carvalho.

Os problemas de acessibilidade não se limitam ao Tramagal, afetando toda a região do Médio Tejo. Municípios como Abrantes, Constância, Vila Nova da Barquinha e Chamusca enfrentam dificuldades estruturais nas travessias do Tejo e nas ligações à rede principal de autoestradas. As infraestruturas existentes têm limitações graves, afetando não só o tráfego rodoviário de passageiros e mercadorias, mas também o funcionamento de empresas estratégicas, instalações industriais, infraestruturas militares e ambientais.

Para António José Carvalho, a retificação das curvas da EN118 entre Santa Margarida e o Rossio ao Sul do Tejo é a prioridade máxima. “Sem resolver este troço de cerca de 20 quilómetros, qualquer nova ponte, seja do IC9 ou em Constância, não resolverá os problemas de circulação da nossa vila e o acesso seguro às empresas locais”, explicou.

Tramagal exige ação imediata do Governo para retificação da EN118 e nova ponte sobre o Tejo. Foto: mediotejo.net

Quanto à ponte de Tramagal, Carvalho defende que esta deve ser uma solução regional, capaz de suportar tráfego pesado, viaturas ligeiras, bicicletas e motas, integrando-se com a economia local e zonas industriais. “Não nos prendemos a um local específico. A ponte pode ser em Tramagal, em Constância ou outro ponto, desde que esteja acompanhada da retificação da EN118 e melhore a ligação à A23”, afirmou.

O autarca sublinhou que a obra é tecnicamente simples e relativamente barata. Segundo Carvalho, a última estimativa falava em cerca de 17 milhões de euros, valor que, mesmo atualizado, não ultrapassaria ordens de grandeza de 30 milhões – um investimento considerado mínimo face à contribuição anual da região para o PIB nacional, estimada em cerca de mil milhões de euros.

“Estamos a falar de uma obra que pode ser executada rapidamente, com custos relativamente baixos face à importância estratégica da região. A região do Médio Tejo contribui anualmente com cerca de mil milhões de euros para o PIB nacional, pelo que investir até 30 milhões de euros numa ponte que garanta segurança, mobilidade e desenvolvimento económico é não só justificado como urgente. Não há desculpas: é uma prioridade clara que deve ser implementada já, com ação concreta do Governo”, afirmou.

MODO Arquitetos desenhou hipótese de traçado da ‘ponte de Tramagal’ sobre o Tejo, com ligação a Montalvo (Constância) no âmbito do IC9

O autarca defende que as três travessias – IC9, ponte de Tramagal e Ponte da Praia que liga Constância e Barquinha – são complementares, não alternativas.

“É fundamental que todas avancem, cada uma com a sua lógica e função, para melhorar o acesso à rede nacional e reforçar a mobilidade regional. É uma questão técnica, não política. O que exigimos é ação imediata do Governo, sem mais promessas”, declarou.

António José Carvalho destacou ainda a importância estratégica da região: a central termoelétrica do Pego, o gasoduto nacional, a rede elétrica de alta tensão, o Ecoparque do Relvão na Carregueira, o campo militar de Santa Margarida e várias indústrias de relevo, como a Mitsubishi, Caima e o Grupo Diorama, que contribuem para a resiliência económica e nacional.

“Estas infraestruturas não são apenas locais; são vitais para o funcionamento do país. O Médio Tejo concentra energia, transporte, indústria e defesa que sustentam toda a economia nacional. Investir em acessibilidade rodoviária é urgente para garantir a segurança e mobilidade, especialmente nas ligações à Central do Pego, ao Rossio ao Sul do Tejo e às áreas industriais da região. É uma prioridade que exige ação concreta, com decisão e planeamento imediatos”, afirmou António José Carvalho.

Segundo o presidente de Junta de Tramagal, estas infraestruturas tornam a região crucial para a economia e segurança do país, justificando investimentos urgentes em acessibilidade.

Tramagal exige ação imediata do Governo para retificação da EN118 e nova ponte sobre o Tejo. Foto: mediotejo.net

Além das três travessias prioritárias – IC9, IC3 e Ponte da Praia (Constância/Barquinha) -, António José Carvalho admite a possibilidade de uma quarta ponte, ligando diretamente Tramagal a Abrantes, numa opção que resolveria ainda melhor o acesso local e a circulação de veículos pesados e ligeiros entre as duas localidades.

Para o autarca, esta solução seria complementar às demais infraestruturas e poderia ser implementada de forma relativamente rápida e económica, garantindo integração do Tramagal na rede regional de transportes e facilitando o acesso das empresas à A23.

Carvalho enfatiza que, enquanto o IC9 e outras travessias têm uma lógica de corredores nacionais, ligando regiões e promovendo a integração do Alto Alentejo com o litoral e a região Centro, a ponte de caráter local serviria necessidades concretas do Tramagal e arredores, incluindo tráfego industrial, circulação diária de moradores e integração urbana com a Estrada Nacional 118.

“Não se trata de alternativas, mas de soluções complementares: temos que conciliar a escala nacional com as necessidades locais, garantindo segurança, mobilidade e desenvolvimento económico para a região”, explicou o presidente da Junta.

“Não nos prendemos a um local específico para a ponte. Tanto faz se for um quilómetro mais a sul ou mais a norte, desde que a solução esteja acompanhada da retificação da EN118, melhore a ligação à A23 e resolva efetivamente os problemas de acessibilidade do Tramagal e das zonas industriais da região. O essencial é que a ponte sirva as necessidades locais e regionais, garantindo segurança e mobilidade para todos os tipos de tráfego”, afirmou António José Carvalho.

Tramagal exige ação imediata do Governo para retificação da EN118 e nova ponte sobre o Tejo. Foto: mediotejo.net

Investimentos em acessibilidades rodoviárias reclamados em Abrantes, Constância e Chamusca

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, também sublinhou recentemente a urgência da conclusão do IC9, com ligação a Ponte de Sor, e a necessidade de novas travessias sobre o Tejo na Chamusca e em Constância.

“Não precisamos só da conclusão do IC9, precisamos de um conjunto de outras infraestruturas complementares”, afirmou, destacando que as cheias recentes evidenciam os problemas crónicos de acessibilidade e mobilidade na região.

Abrantes quer conclusão do IC9 mas também respostas para pontes de Constância e Chamusca. Foto arquivo: CMA

Na Chamusca, a centenária ponte apresenta um tabuleiro estreito, com circulação alternada de veículos pesados, situação que reforça a necessidade de intervenção estrutural e reforço das ligações à rede nacional.

O presidente do município, Bruno Mira, considera que a obra é há muito necessária para garantir segurança e fluidez no tráfego.

Ponte da Chamusca. Foto arquivo: CMC

Em Constância, a Ponte da Praia, que liga Constância Sul e a Praia do Ribatejo, tem limitações estruturais graves: o tráfego de veículos pesados é proibido e o trânsito de viaturas ligeiras ocorre de forma alternada, regulado por semáforos.

Os autarcas de Constância e de Vila Nova da Barquinha defendem uma nova travessia ou, em alternativa, o reforço estrutural ou o alargamento da atual ponte para permitir circulação segura nos dois sentidos e assegurar a mobilidade económica e territorial da região.

Constância e Barquinha reivindicam nova ponte ou alargamento da atual. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes e também da CIM Médio Tejo, reforçou que a conclusão do IC9 e a requalificação das pontes são vitais não só para a economia local, mas para a coesão territorial do Médio Tejo, alertando para a necessidade de atenção equivalente à dada às regiões de Lisboa e Porto.

“Estas questões da mobilidade e acessibilidade são determinantes e não podemos sossegar enquanto o território não for tratado com prioridade”, concluiu.

A posição de António José Carvalho, combinada com o apelo dos restantes autarcas da região, coloca em evidência um consenso sobre a urgência de investimento em infraestruturas estratégicas: a retificação da EN118, a ponte de Tramagal, no âmbito do IC9, e a construção das novas pontes da Chamusca e da Praia.

Os autarcas da sub-região do Médio Tejo, alargada à Chamusca e Golegã, na zona da Lezíria, e a Gavião e Ponte de Sor, no Alto Alentejo, com elevado peso económico e estratégico, exigem uma ação concreta e rápida por parte do Governo para resolver problemas históricos de acessibilidade e mobilidade.

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1 Comment

  1. Até que enfim, temos um verdadeiro Autarca Tramagalense a falar duma Estrada nacional 118, a maior vergonha de Portugal e outras também iguais ou mais perigosas neste Concelho de Abrantes. Mas como diz o ditado, vale sempre mais tarde do que nunca. Acredito neste Presidente Actual do nosso Município de Abrantes, para levar por diante tais obras de tamanha envergadura.

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