Junto ao Monumento à Liberdade, a autarquia torrejana depositou um ramo de cravos, em homenagem aos presos políticos naturais e residentes no concelho. Foto: mediotejo.net

A arruada que teve início na Praça 5 de Outubro percorreu esta quinta-feira as ruas da cidade torrejana, numa celebração da liberdade e de luta contra o fascismo. O momento, que reuniu muitas dezenas de pessoas, culminou no Parque da Liberdade, junto ao Monumento à Liberdade, onde decorreu uma homenagem aos presos políticos naturais e residentes no concelho de Torres Novas.

Para o presidente da Câmara Municipal, Pedro Ferreira, este foi um momento de grande relevância não só para o país, como também para o concelho a que preside e que é marcado por um elevado número de presos políticos, tanto naturais como residentes em Torres Novas.

“Torres Novas, a nível nacional, tem uma característica muito especial em termos de presos políticos. A nível do distrito de Santarém, sempre foi um concelho com muitas fábricas e com muita gente que antes do 25 de abril não se sentia bem… o dinheiro não chegava para os filhos estudarem, também não havia grande abertura para os fixar cá”, explicou o edil.

ÁUDIO | Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas

“Apanhou-se a onda de imigração sobretudo para França, para o Canadá e etc. Foram-se criando alguns polos, também ligado às coletividades, de descontentamento, de organização antifascista e que culminou, até acontecer o 25 de abril, com muitos presos políticos, algumas mortes já na prisão e foi um período muito triste, mas glorioso da história de Torres Novas”, considera.

Assim, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução, a autarquia sentiu a “obrigação” de realizar uma “pequena grande homenagem” a todos aqueles “que já partiram e a todos os que deram a sua vida, mesmo não morrendo fruto do fascismo, mas que até ao fim da sua vida, já muito idosos mesmo, nunca deixaram de lutar pelos ideais do 25 de abril”, afirma o edil.

A luta pela liberdade, de acordo com Pedro Ferreira, não poderá ser esquecida, especialmente num período “a nível nacional e mundial (…) em que muitas coisas más estão a acontecer”.

“Nós temos a obrigação, aqueles que acreditaram e acreditam no espírito do 25 de abril, de estarmos atentos e passarmos aos jovens que estes têm todo o direito de ser felizes, exigindo-o sempre com decência, mas com um sentido de se enobrecerem como homens e como mulheres e que têm pleno direito. Têm atrás exemplos tão gratificantes e tão exemplares como estes que acabámos de assistir”, destacou.

Junto ao Monumento à Liberdade foi colocado um mural que integra o nome dos cidadãos naturais ou residentes em Torres Novas, que foram presos por motivos políticos entre 1926 e 1974. Em homenagem a todos estes, foi depositado um ramo de cravos, elemento simbólico da Revolução de Abril.

“Já hoje durante toda a manhã oferecemos muitos cravos à população de Torres Novas e estes, daqui a bocadinho se calhar não estão lá nenhum, vão lá buscá-los… e os nomes que lá estão se calhar é mesmo isso que querem, que as pessoas vibrem, que quem olhar para o monumento, que é um monumento lindíssimo da liberdade, reconheça o esforço dos mais antigos”, referiu o edil.

Para Pedro Ferreira, é importante que cada cidadão, à sua maneira, esteja “desperto, em casa, nas escolas, nas empresas, na Câmara… termos sempre aquela pontinha de genica e de reivindicação de coisas de pleno direito que o 25 de abril permitiu, porque são absolutamente necessárias, seja no campo da saúde, no campo da ação social, a todos os níveis… até a nível espiritual, para nos sentirmos melhor e mais realizados como independentes, que qualquer ser humano deve ser”.

De modo a marcar os 50 anos da Revolução dos Cravos, as comemorações oficiais integram um vasto programa de atividades municipais, que decorrerão até 2025 e que se enquadram nos objetivos e no propósito das celebrações, validado pela Comissão Executiva, constituída por elementos dos vários partidos e movimento político com assento na Assembleia Municipal de Torres Novas.

O autarca sublinha que as celebrações do quinquagenário “não irão terminar aqui”, pelo que o programa que “entra em 2025” integra “várias atividades, espetáculos, muita ligação às escolas, para a mensagem ficar muito permanente”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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