Foto: mediotejo.net

O alerta para o estado de conservação do Aqueduto do Convento de Cristo, conhecido como “Aqueduto dos Pegões”, surgiu no final de dezembro, durante uma reunião de Câmara de Tomar, quando o vereador do PS, José Delgado, chamou a atenção para o que classificou como um risco iminente associado à degradação da estrutura, em particular no troço dos Pegões Altos. A intervenção motivou debate político, uma reação do executivo municipal e, entretanto, diligências junto do Património Cultural (PC), I.P., culminando na realização de uma visita técnica e no anúncio da realização de um estudo por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

O presidente da Câmara avançou, entretanto, com a informação que vai avançar com o condicionamento ou vedação do atravessamento pedonal no aqueduto, aguardando pela solicitação do PC, por se tratar de uma situação que representa risco, ainda que não diretamente associada a um eventual colapso iminente.

Foto: mediotejo.net

No seguimento desse processo, o mediotejo.net visitou o local, acompanhado pelo vereador socialista, engenheiro técnico civil de formação, especialista e perito em reabilitação e segurança, para observar no terreno os principais problemas identificados no monumento classificado.

A visita decorreu no troço dos Pegões Altos, uma estrutura com cerca de 600 metros de extensão entre as duas Mães de Água e aproximadamente 30 metros de altura no ponto mais elevado.

Vereador José Delgado deu o alerta para o risco de colapso no Aqueduto dos Pegões. Foto: mediotejo.net

Segundo José Delgado, trata-se de uma estrutura “esbelta”, em alvenaria de pedra e argamassas, com arcos e pilares, onde ao longo do tempo foram feitas apenas algumas intervenções pontuais, sem uma estratégia consistente de manutenção. O vereador sublinhou que a degradação é visível a olho nu e resulta da falta de conservação regular e da evolução de patologias estruturais.

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Durante a visita, José Delgado apontou a existência de fendilhação, desaprumos, falta de verticalidade de elementos estruturais, pedras já caídas e outras em risco de queda. Para o vereador, estes sinais são suficientes para afirmar que existe risco, agravado pela presença de árvores, pinheiros e arbustos que crescem no coroamento e nas faces laterais dos arcos e pilares.

O crescimento da vegetação, explicou, abre fendas, algumas com mais de quatro centímetros, que permitem a entrada de água no interior da estrutura, provocando a lavagem dos finos das argamassas, diminuindo o travamento entre os materiais e aumentando a instabilidade do conjunto.

José Delgado alertou ainda para o impacto das alterações climáticas, referindo que fenómenos como chuvadas intensas, precipitação concentrada em curtos períodos, ventos fortes e até sismos podem agravar significativamente a situação existente.

“Algo pode acontecer”, advertiu, sublinhando que não acredita que qualquer engenheiro com competências na área assine um termo de responsabilidade garantindo que não existe risco de colapso ou que a degradação não representa perigo.

Para além da instabilidade estrutural, o vereador destacou o risco direto para as pessoas, quer pela possibilidade de colapso, quer pelo perigo evidente de queda em altura, uma vez que há troços com cerca de 30 metros de altura sem muretes ou proteções adequadas. Acresce, referiu, a inexistência de qualquer sinalização ou aviso informativo para quem circula no local.

Reconhecendo que a recuperação do aqueduto implica investimentos de vários milhões de euros, um diagnóstico técnico demorado, projetos especializados e procedimentos de obra pública, José Delgado defendeu que a situação deve ser encarada como uma emergência. Nesse sentido, considerou essencial a adoção imediata de medidas preventivas.

A principal proposta passa pela interdição da circulação de pessoas no coroamento do Aqueduto dos Pegões Altos, entre as Mães de Água a nascente e a poente, impedindo o atravessamento pedonal.

Para o vereador, trata-se de uma medida simples, de baixo custo e fácil execução, mas com um impacto significativo na redução do risco, evitando quedas em altura e a exposição das pessoas a zonas degradadas.

Defendeu ainda a criação de um sistema de informação claro para quem chega ao local, explicando os motivos do encerramento e enquadrando a medida como uma ação de prevenção. “Chama-se a isto prevenção”, sublinhou, considerando que esta decisão deveria ser tomada de imediato.

Sobre a recente visita ao local realizada pela Câmara Municipal em conjunto com o Património Cultural, I.P., José Delgado considerou o passo positivo, sublinhando que demonstra atenção por parte das entidades responsáveis.

Para o vereador, quem exerce funções públicas tem a obrigação de agir para evitar consequências negativas para pessoas e bens, defendendo que o alerta lançado pretende precisamente antecipar problemas e não reagir apenas depois de ocorrências graves.

Foto: mediotejo.net

Câmara pede estudo técnico ao LNEC sobre Aqueduto dos Pegões e admite sinais visíveis de degradação

O presidente da Câmara Municipal de Tomar prestou esta segunda-feira, durante a reunião do executivo, novos esclarecimentos sobre o estado do Aqueduto do Convento de Cristo, em particular do troço dos Pegões, na sequência do alerta lançado pelo vereador do PS, José Delgado, na última reunião de Câmara.

Tiago Carrão (AD) começou por recordar que, logo após o alerta político em sede de Câmara, a autarquia fez chegar a preocupação ao Património Cultural, I.P., entidade responsável pela gestão daquele património classificado, solicitando uma visita e uma vistoria técnica para aferir o real risco da estrutura.

Aqueduto dos Pegões sob avaliação após alerta para riscos estruturais. Foto: CMT

Segundo o autarca, após o tema ter ganho dimensão mediática a nível nacional, a Câmara voltou a reforçar o pedido, desta vez também junto da tutela do Ministério da Cultura. Dessa articulação resultou o agendamento de uma visita técnica ao Aqueduto dos Pegões, com a presença do Património Cultural, I.P., que permitiu uma primeira observação ao monumento.

Tiago Carrão reconheceu que, nessa visita, foi possível identificar “a olho nu” alguns sinais de degradação e situações que merecem preocupação, sublinhando, no entanto, que uma avaliação responsável exige uma análise técnica especializada.

Tiago Carrão, presidente CM Tomar. Foto: DR

Nesse sentido, explicou que da vistoria resultou a decisão de avançar para a encomenda de um estudo de engenharia rigoroso, a realizar pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no âmbito de um protocolo já existente com o Património Cultural, I.P.

O autarca revelou ainda que, naquela manhã, o município recebeu um contacto do LNEC, manifestando disponibilidade para realizar ainda durante este mês uma primeira avaliação no local, que permitirá enquadrar o âmbito e a gravidade da situação, antecedendo um estudo técnico mais aprofundado.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Apesar de afastar conclusões precipitadas, Tiago Carrão sublinhou que existe preocupação generalizada em torno do Aqueduto dos Pegões, salientando a importância simbólica e patrimonial da estrutura para Tomar e para os tomarenses.

No mesmo contexto, informou que o Património Cultural, I.P. irá solicitar à Câmara o condicionamento ou vedação do atravessamento pedonal no aqueduto, por se tratar de uma situação que representa risco, ainda que não diretamente associada a um eventual colapso iminente.

O autarca garantiu que o município irá colaborar com essa medida, reforçando que a prioridade é assegurar a proteção das pessoas e do património, enquanto decorrem as avaliações técnicas que permitirão definir as intervenções necessárias.

Foto: mediotejo.net

Recorde-se que o tema do Aqueduto dos Pegões foi levado à última reunião de Câmara pelo PS, que alertou para um risco iminente de colapso, posição que motivou debate político, uma resposta técnica do executivo e, agora, o avanço para uma avaliação especializada por parte do LNEC.

José Delgado (PS), durante a reunião, explicou que realizou uma vistoria ao aqueduto no passado dia 7 de janeiro, somando-se a outras visitas efetuadas anteriormente, reiterando preocupações que tem vindo a expressar desde 2013 em intervenções na Assembleia Municipal e na Câmara Municipal. A sua maior preocupação prende-se com a ausência ou escassez de obras de manutenção ao longo dos anos, alertando que a falta de intervenções atempadas conduz a custos muito mais elevados e a riscos acrescidos.

O vereador destacou a presença generalizada de infestações e colonizações biológicas no coroamento do aqueduto, como líquenes, fungos, musgos, arbustos e árvores, incluindo pinheiros, situação que se repete nas paredes verticais a jusante do canal, nos pilares e arcos de volta inteira e ogivais.

Aqueduto dos Pegões sob avaliação após alerta para riscos estruturais. Foto: mediotejo.net

Segundo afirmou, a falta de conservação regular põe em causa a estabilidade do conjunto e aumenta perigos e riscos, sublinhando a distinção entre perigo, que existe independentemente da presença humana e risco, que se agrava quando há circulação de pessoas.

José Delgado alertou que o crescimento de arbustos e árvores está associado à formação de fendas, algumas com mais de quatro centímetros, que permitem infiltrações de água para o interior da estrutura. Essas infiltrações, explicou, lavam as argamassas, enfraquecem os travamentos entre pedra e argamassa e conduzem à debilitação progressiva do conjunto estrutural. Nesse contexto, afirmou que “pode acontecer um colapso”, advertindo que um colapso estrutural “não avisa”.

Referiu ainda o desprendimento de pedras em várias zonas do aqueduto e a existência de pilares e arcos com zonas fora do plano e sem verticalidade, apontando como exemplo áreas a montante do reforço executado na zona nascente.

Foto: mediotejo.net

Considerando as patologias identificadas, defendeu que é urgente agir, propondo a interdição do acesso pedonal entre as mães de água, a nascente e a poente, de forma a evitar a circulação de pessoas nos Pegões Altos.

Entre as medidas propostas, José Delgado defendeu a colocação de sinalização clara e eficaz sobre os perigos e riscos existentes, bem como a implementação de sistemas de vedação que respeitem a preservação do monumento, utilizando técnicas adequadas à conservação da pedra e das argamassas.

Sublinhou ainda a importância da colocação de fissurómetros nas fendas e de alvos topográficos ao longo do aqueduto, para monitorizar eventuais movimentos, desvios de alinhamento e perda de verticalidade dos pilares e arcos.

ÁUDIO | José Delgado, vereador eleito pelo Partido Socialista

O vereador afirmou que um diagnóstico rigoroso por técnicos especializados é urgente, devendo conduzir à definição de prioridades, projetos e lançamento de concurso público, responsabilidade que atribuiu à tutela, salientando que qualquer contributo do município será um passo positivo no sistema preventivo.

Reconheceu que o processo será longo, podendo ultrapassar um ano, e que a intervenção terá custos muito elevados, de vários milhões de euros, lembrando que estudos recentes em intervenções patrimoniais de menor dimensão já envolveram valores muito significativos.

José Delgado alertou ainda que, para além dos Pegões Altos, os restantes troços do aqueduto, ao longo dos cerca de seis quilómetros, apresentam degradação acentuada e violações graves, como cortes para passagem de estradas ou edificações, o que implicará ainda mais tempo e custos. Defendeu, no entanto, que nesta fase é essencial diferenciar o essencial do acessório e atuar de acordo com prioridades.

José Delgado propôs ainda a criação de uma comissão alargada, envolvendo executivo municipal, forças políticas, Junta de Freguesia, entidades patrimoniais, técnicos e associações ligadas ao aqueduto, reforçando que o dever coletivo é agir preventivamente e não reagir após danos irreversíveis.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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