O vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão, manifestou-se contra a decisão do executivo de desmontar e vender a tenda instalada junto ao Mercado Municipal de Tomar, durante a reunião do executivo realizada esta segunda-feira, 23 de março. Em resposta, o presidente da autarquia, Tiago Carrão, defendeu que a decisão foi tomada com base em informação técnica que aponta para a falta de condições de segurança da estrutura.
Hugo Cristóvão começou por referir que o PS teve conhecimento da decisão através da comunicação social, apesar de já ter percebido anteriormente a intenção do executivo. O vereador recordou o contexto em que a tenda foi instalada, ainda antes de 2013, como solução provisória para acolher os vendedores durante o período em que o mercado municipal esteve encerrado.
Segundo o socialista, após a reabertura do mercado, o anterior executivo decidiu manter a estrutura e investir na sua melhoria, dotando-a de infraestruturas como canalização, eletricidade, instalações sanitárias e melhores condições de climatização. Esse investimento permitiu, afirmou, criar um espaço polivalente, utilizado tanto para atividades relacionadas com o mercado como para outros eventos.
Hugo Cristóvão reconheceu que a tenda necessitava de manutenção, nomeadamente ao nível da cobertura, mas considerou que a sua remoção representa “o desbaratar de um recurso”. Na sua perspetiva, a decisão pode até parecer vantajosa numa lógica estritamente ligada ao funcionamento do mercado – permitindo reorganizar vendedores e criar lugares de estacionamento –, mas é prejudicial numa visão mais ampla.
O vereador alertou ainda para o impacto financeiro da medida, defendendo que o custo de aluguer de tendas para eventos futuros, como a Feira de Santa Iria, poderá, em poucos anos, ultrapassar o investimento necessário para reabilitar a estrutura existente. Além disso, lamentou a perda de um espaço utilizado pela comunidade para diversas iniciativas.

Por outro lado, criticou o facto de o assunto não ter sido previamente discutido em reunião de Câmara, considerando que, tratando-se de um equipamento relevante, deveria ter havido maior partilha de informação.
Na resposta, o presidente da Câmara, Tiago Carrão, afirmou ter ficado surpreendido com as críticas e rejeitou a ideia de que a decisão represente um desperdício. Pelo contrário, defendeu que manter a tenda nas condições em que se encontrava seria colocar em risco a segurança das pessoas.
Segundo explicou, existe informação técnica dos serviços municipais que indica que a estrutura já não reúne condições de segurança para a realização de eventos, sendo o risco “muito significativo”. Tiago Carrão sublinhou que o problema não se limita à cobertura, mas afeta a própria estrutura da tenda, que estará comprometida.
O autarca garantiu que a decisão de avançar com a desmontagem foi tomada antes da recente tempestade e que não resulta de uma opção estratégica relacionada com o mercado, mas sim de uma questão de segurança. “Esta era a única opção”, afirmou.
Perante a contestação de Hugo Cristóvão, que questionou a coerência da avaliação técnica face à utilização de estruturas semelhantes em eventos temporários, o presidente reforçou que não se trata de uma opinião, mas de uma avaliação técnica fundamentada. Explicou ainda que uma estrutura permanente está sujeita a exigências diferentes das tendas provisórias, o que agrava as condições de segurança no caso concreto.
Tiago Carrão reiterou que, perante um parecer técnico que aponta para riscos, o município não pode assumir a responsabilidade de realizar eventos naquele espaço. Admitiu que a solução implicará custos futuros, nomeadamente com o aluguer de tendas, mas garantiu que a segurança das pessoas “vem em primeiro lugar”.
