Na reunião do executivo de Tomar de segunda-feira esteve em cima da mesa a aprovação da decisão do encerramento do Jardim de Infância (JI) do Fetal de Cima. Hugo Cristóvão, vice-presidente da autarquia, afirmou que esta estrutura escolar funciona há muitos anos com um número baixo de alunos, tendo a possibilidade de encerramento estado em cima da mesa anteriormente.
“Acho que há vários anos que não se estava a prestar um bom serviço. O primeiro objetivo de um pré-escolar é a socialização das crianças e, com 3/4/5 crianças, não se está a fazer isso”, disse Hugo Cristóvão.
Lurdes Fernandes, vereadora eleita pelo PSD, votou contra e diz que esta temática é uma “ferida aberta” no concelho e que o envelhecimento da população e a estagnação da natalidade é um problema, não só em Tomar, mas em todo o país.
“É preciso encontrar medidas políticas que contrariem esta realidade, no que toca ao despovoamento das freguesias e no encontro de medidas efetivas que possam ir contrariando esta realidade”, propôs a vereadora, dizendo que a “proposta é descontextualizada”.
A vereadora falou ainda da Carta Educativa que afirma estar em “banho-maria” há alguns anos, tendo afirmado que Hugo Cristóvão não lhe deu a devida importância.
“O senhor vice-presidente tem andado a empurrar o assunto para a frente, vem agora com uma proposta de encerramento de uma sala de JI numa freguesia rural, não é visível que os autarcas dessas freguesias tenham sido ouvidos, não existem esses documentos. Estamos perante uma situação que está mais no improviso do que no estratégico.”, afirmou a vereadora social democrata.
Hugo Cristóvão respondeu à declaração da vereadora dizendo que não compete à Carta Educativa esta questão. “A carta educativa não trata de questões de natalidade, nem de desertificação nem de muitos outros problemas políticos ou não. A carta educativa é um retrato sobre uma realidade e com esse retrato, isto para ser bem feito, e com esse retrato, fazer uma projeção a 10 anos daquilo que é a rede para prestar serviço às crianças existentes , não é aquelas que gostaríamos que existissem” e “portanto, não vai propor escolas para onde não há crianças”, sublinha.
Em contrapartida ao encerramento do JI do Fetal de Cima, a proposta da abertura de uma turma de pré-escolar na Escola Básica de Santa Iria, debatida na mesma reunião de executivo, também foi aprovada, embora em contexto diferente, sublinhou o vice presidente da autarquia.
Hugo Cristóvão afirmou que “a proposta de abertura de uma turma de pré-escolar na escola de Santa Iria nada tem a haver com a questão do encerramento no Fetal. Nada garante que estas crianças vão para Santa Iria, aliás, nem é suposto, a escola de acolhimento é o JI da Pedreira, que é a escola básica da União de Freguesia de Além Ribeira/Pedreira”, concluiu.
