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A junta de freguesia de Asseiceira (Tomar) emitiu um comunicado com uma tomada de posição pública sobre a substituição do médico de família no Centro de Saúde de Asseiceira, algo que gerou desagrado e incómodo junto da comunidade que se encontrava satisfeita com o anterior profissional de saúde, Dr. Eduard Birsanu, que ali se encontrava há cerca de três anos.

A partir desta segunda-feira, dia 9, entrou ao serviço no centro de saúde a médica Manuela Norte – com quem há existiram dissabores e choques no passado na extensão de saúde de Linhaceira -, e a junta de freguesia mostra “total discordância e desagrado” com a decisão do ACES Médio Tejo que, após reunião sobre o assunto, não mudou de ideias.

O presidente da junta, Carlos Rodrigues, afirma que haverá redução de horário de atendimento em cerca de 60%, passando de 14 horas semanais para 5 horas.

O executivo da Junta de freguesia de Asseiceira fez notar no comunicado, emitido e publicado nas redes sociais no dia 6 de março, “o total desagrado” pela substituição do médico de família, considerando que “o Contrato Assistencial por parte do Estado estava a ser integralmente cumprido, sendo uma realidade pacífica, exemplo raro de satisfação por parte da comunidade, funcionários administrativos, enfermeiros e obviamente a própria autarquia que percebia que a sua população tinha, como nunca antes, os seus interesses salvaguardados”.

A junta de freguesia dá conta de ter chegado a reunir com caráter de urgência no dia 6 de março com o ACES Médio Tejo, na sede em Riachos, em conjunto a Junta de Freguesia de Paialvo, também afetados com alterações semelhantes, não tendo aquele organismo mostrado disponibilidade para “qualquer alteração”.

Posto isto, em comunicado assinado pelo presidente de Junta da Asseiceira, Carlos Rodrigues, defende-se que “a substituição do médico em causa não defende os interesses dos utentes, uma vez que o argumento principal pelo facto da Dra. Manuela Norte ser médica especialista, na prática não representa melhoria assistencial uma vez que à semelhança do que aconteceu noutros Centro de Saúde, baixou claramente a qualidade no serviço prestado até então”.

Por outro lado, frisa-se a “redução de horário superior a 50%” uma vez que “o novo horário” garante apenas atendimento de 5 horas semanais, três de manhã e duas à tarde, às segundas feiras, visto tratar-se de uma médica aposentada que apenas pode exercer 20 horas semanais.

A junta de freguesia alerta que “esta medida visa apenas salvaguardar os interesses particulares dos médicos aposentados, pois não irão preencher vagas em locais com dificuldade em ter médico de família, mas sim em locais onde existe satisfação pelos cuidados médicos por parte de todos os interessados”.

Por último, e “salvaguardando a honorabilidade da pessoa e cidadã, Manuela Norte”, o executivo de Asseiceira não deixa de relembrar situação no passado em que a posição da mesma médica enquanto diretora da USF de Marmelais (Tomar) foi “de menorização e desprezo pelo modelo dos Centros de Saúde existentes na Freguesia de Asseiceira em detrimento das USFs, sendo agora, precisamente e em concreto, locais “apetecíveis” para desempenhar o seu part-time enquanto médica aposentada do SNS”.

É feito apelo ao “bom senso por parte do ACES Médio Tejo na revogação da medida adotada”, bem como à população para “que se manifeste em sede própria, fazendo chegar junto do ACES Médio Tejo a sua insatisfação, limitativa dos seus direitos e interesses”.

Em declarações ao mediotejo.net ao início da tarde desta segunda-feira, dia 9 de março, Carlos Rodrigues, presidente da junta de freguesia, disse que a população “espontaneamente não aceitou” a chegada da médica Manuela Norte, que acabou por não entrar ao serviço. O autarca está expectante quanto às ações que se seguirão enquanto movimentos reivindicativos de um melhor atendimento no centro de saúde da localidade.

Áudio: Carlos Rodrigues, presidente da junta de Asseiceira, prestou esclarecimentos sobre o assunto ao nosso jornal

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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