Tomar entregou candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Mundial. Foto: Luís Ribeiro

A candidatura da Festa dos Tabuleiros ao Inventário do Património Cultural Imaterial da Humanidade foi entregue na sexta-feira à Comissão Nacional da UNESCO, anunciou a Câmara Municipal de Tomar.

“Para nós, a Festa dos Tabuleiros é algo que é, efetivamente, um imenso património imaterial da nossa comunidade e, na verdade, com uma dimensão que vai muito além do nosso território, e que tem uma dimensão nacional e até universal, no sentido em que as festas do Espírito Santo têm, de facto, um carácter que é nacional e até transnacional”, disse à Lusa o presidente do município de Tomar, Hugo Cristóvão.

Com origem pagã, simbolizando a época das colheitas, a Festa dos Tabuleiros adquiriu caráter religioso na Idade Média, com a Rainha Santa Isabel, sendo os tabuleiros da festa de Tomar únicos com esta forma nas tradicionais festas do Espírito Santo que se realizam um pouco por todo o país.

“Esta ligação também àquilo que é a nossa tradição secular da festa, enfim, da Ordem de Cristo e daquilo que foram as descobertas portuguesas, é realmente o simbolismo e os valores que carrega dessa dimensão universal da fraternidade, da partilha e aquilo que era também o designio enquanto nação”, declarou o autarca.

Segundo Hugo Cristóvão, “é toda essa simbologia que também está vertida na Festa dos Tabuleiros e lhe confere esta “dimensão para ser consagrada como Património Imaterial da Humanidade”.

ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:

A Festa dos Tabuleiros foi inscrita em maio de 2023 no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial, em anúncio publicado em Diário da República.

A fundamentação científica para integrar a Festa dos Tabuleiros no Património Cultural Imaterial nacional foi entregue em julho de 2019, invocando a antiguidade e o facto de esta ser “uma festa única no país e no mundo”, ser “do povo, feita pelo povo e para o povo”.

A candidatura continha informação de caráter histórico e etnográfico, atestando a dinâmica atual da prática social e “as dinâmicas que a tradição conheceu no âmbito da sua génese e transmissão ao longo das gerações”, disse, na altura, à Lusa, André Camponês, do Instituto de História Contemporânea (IHC), que coordena cientificamente o projeto de candidatura.

No trabalho de preparação foram recolhidas informações, depoimentos e documentos sobre a Festa dos Tabuleiros, preparadas propostas de salvaguarda, como “os registos vídeo e fotográficos de profissões em vias de extinção, como o latoeiro ou o cesteiro, para que possam ser replicados no futuro, ou a criação de um Centro Interpretativo da Festa”.

Segundo André Camponês, a data mais antiga que documenta a existência da Festa dos Tabuleiros (então designada Festa em Honra do Divino Espírito Santo) é de 1844 e o testemunho mais antigo da Festa do Espírito Santo em Tomar é a Coroa da Asseiceira de 1544.

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a Expo 98, evento no qual participou com um cortejo a convite do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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