O mês de abril voltou a ser marcado por diversos episódios de poluição no rio Nabão, com a espuma e resíduos acastanhados a invadirem as águas, o que se crê ser fruto de descargas poluentes de prevaricadores. Os problemas têm sido recorrentes e tomam maiores proporções quando se verifica maior pluviosidade na região. A Câmara voltou a fazer participação ao SEPNA/GNR, e a autarca Anabela Freitas refere que o problema não se cinge apenas à ETAR de Seiça, mas também a montante.
O tema surgiu na passada reunião de Câmara, depois de questão colocada pelo vereador do PSD, José Delgado. A autarca Anabela Freitas referiu-se a equipa criada no âmbito da empresa intermunicipal Tejo Ambiente, que está a fazer um levantamento e relatório onde identifica as medidas necessárias caso o problema seja apenas na ETAR, com intuito de fazer uma candidatura para que esta seja alvo de obra e assim se encontre solução.
Por outro lado, a equipa irá também avaliar e verificar “se o problema vai além da ETAR”.
Acontece que, em matéria de obra, “está identificado na ETAR o que é necessário fazer, mas a montante ainda não está clarificado nem quantificado”.
Ainda assim, a presidente da Câmara assumiu que o problema não ficará totalmente resolvido apenas com as obras naquele equipamento. “O facto de se intervir na ETAR e a montante não vai resolver a 100% aquilo que é o problema das descargas e a poluição que observamos no rio Nabão”, fez notar.
A autarquia denuncia que “a APA continua sem atuar” e entende que terá de tomar “uma posição de mais força em relação a esta matéria”.
“Estamos a recolher um conjunto de vídeos, de imagens e documentos, para mais uma vez seguirmos para o Ministério do Ambiente”, deu conta a edil.
Recorde-se que, no final de 2019, a Câmara Municipal já havia admitido endereçar nova carta ao Ministro do Ambiente, APA e Grupos Parlamentares da Assembleia da República para denunciar os sucessivos focos de poluição no rio Nabão e o facto de nada de novo ser feito para solucionar aquele atentado.
Na altura, Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara de Tomar, disse ao mediotejo.net que iria voltar a reivindicar o cumprimento de ações definidas em 2017 e que até hoje não foram cumpridas, defendendo também “uma linha de crédito” para que as autarquias possam reabilitar equipamentos separativos das águas residuais e pluviais, um investimento de milhões que nenhum município tem capacidade para suportar.
