A última edição da Feira de Santa Iria, realizada em outubro do ano passado, representou um custo de 453 mil euros para o município de Tomar, tendo gerado apenas 91 mil euros de receita, o que resultou num saldo negativo de cerca de 361 mil euros. Os números foram apresentados na reunião do executivo e deram origem a um debate político sobre o modelo financeiro e o futuro do evento.
De acordo com os dados apresentados pelo vereador Samuel Fontes (eleito pelo Chega), com base no relatório do Gabinete da Economia Local, Mercados e Feiras, a despesa total ascendeu a 453 mil euros, enquanto a receita ficou pelos 91 mil euros, resultando num saldo negativo de cerca de 361 mil euros.
O vereador destacou ainda alguns indicadores que quase dois terços da despesa (62%) foram direcionados para animação, a receita representou apenas 20% da despesa e, sublinhou, o município continua a cobrar valores definidos em 2013, enquanto suporta despesas atualizadas para a realidade atual.
O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (PSD), começou por frisar que a relevância da Feira de Santa Iria para o concelho não está em causa, recordando que esta edição correspondeu ao último evento da anterior governação, embora a responsabilidade recaia sobre o município.
Ainda assim, considerou que os números agora conhecidos impõem uma análise mais profunda. Para o autarca, eventos desta dimensão devem equilibrar objetivos culturais e económicos com critérios de sustentabilidade financeira e rigor na gestão dos recursos públicos.
Tiago Carrão garantiu que a feira continuará a ser uma prioridade cultural, mas defendeu a necessidade de repensar os modelos de despesa e de receita, de forma a preservar o dinamismo e a capacidade de atração do certame, assegurando simultaneamente maior equilíbrio financeiro.
Da oposição, o vereador Hugo Cristóvão aproveitou a discussão para enquadrar as opções tomadas nos últimos anos, lembrando que cada executivo tem legitimidade para definir as suas prioridades.
O vereador socialista referiu que a visão da anterior governação encarava a Feira de Santa Iria como um evento em evolução, que necessitava de inovação contínua e que respondia a expectativas da comunidade, funcionando também como uma espécie de “festas do concelho”, numa cidade que apenas vive esse espírito de forma mais intensa no ano da Festa dos Tabuleiros.
Nesse contexto, defendeu que a aposta na animação fazia parte dessa estratégia, reconhecendo que esse tipo de programação tem custos, comuns a muitos municípios. Concluiu afirmando que caberá agora ao atual executivo definir e avaliar o caminho a seguir.
