A acorda editora, foi lançada publicamente em novembro de 2025,, em Tomar. Foto: Zé Paulo Marques

A Acorda Editora lança hoje, Dia Internacional da Mulher, uma edição especial de Bondade das Mulheres, de Paula da Graça. A obra de 1715, considerada o primeiro registo escrito de ideais feministas em Portugal, inaugura a série “O Cordel”.

Considerada a pioneira do feminismo em solo nacional, Paula da Graça publicou, há mais de três séculos, uma resposta direta ao poema misógino de Baltazar Dias. O texto, intitulado Bondade das Mulheres Vindicada e Malícia dos Homens Manifesta, defende a “feminina inocência” através de 72 quintilhas que subvertem a lógica patriarcal da época.

A identidade real da autora permanece um mistério histórico – podendo tratar-se de um pseudónimo ou de uma mulher da corte com elevada cultura -, mas a relevância do seu legado é indiscutível. Para a editora, este lançamento assume um caráter de resistência num contexto global de retrocesso nos direitos de igualdade.

“Seria impossível não deixar marca neste dia, resgatando um nome pouco conhecido do grande público, mas merecedor de maior reconhecimento”, afirma a editora em comunicado.

A edição agora lançada apresenta um design de Catarina Garcia Marques e baseia-se na versão eletrónica da Biblioteca Nacional Digital. O formato recupera a tradição das “folhas volantes” da literatura de cordel, incluindo um fac-símile da folha de rosto da edição de 1743 e o respetivo prólogo.

Acorda Editora resgata obra de 1715 que desafiou a misoginia. Foto: acorda

Os exemplares podem ser solicitados diretamente através do e-mail da editora ou nas suas redes sociais oficiais.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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