Tejo estabiliza em alta, mas caudais dão sinais de descida com regresso do sol. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

A chuva deu este sábado lugar a períodos de sol e a primeiros sinais de retoma da normalidade nas zonas ribeirinhas do Médio Tejo, onde proprietários de espaços comerciais avançam com operações de limpeza e começam a reabrir lojas, restaurantes e cafés. Ainda assim, os caudais do rio Tejo mantêm-se elevados, embora com tendência gradual de descida nas próximas horas, segundo a Proteção Civil.

O comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, afirmou que a noite decorreu sem sobressaltos e dentro do expectável, “com os caudais bastante altos, mas sem nenhuma situação de relevo” a registar.

“Efetivamente, os níveis mantêm-se basicamente os mesmos, estão estabilizados em alta, como tenho referido nas últimas intervenções. É expectável que hoje e nos próximos dias comecem a baixar paulatinamente, mas devagar”, sublinhou o responsável.

Este sábado, às 13:00, o caudal global medido em Almourol era de 4.971 m³/s. Nos valores parciais, registavam-se 1.000 m³/s em Castelo de Bode, 197 m³/s em Pracana e 3.140 m³/s em Fratel, perfazendo um total de 4.337 m³/s, a que se deverá acrescer os caudais de afluentes. Às 07:00 de hoje, tinham sido registados 1.001 m³/s em Castelo de Bode, 227 m³/s em Pracana e 3.463 m³/s em Fratel, num total de 4.691 m³/s, sendo que, em Almourol, o caudal medido era então de 5.406 m³/s.

Na sexta-feira, às 19:00, eram registados 5.447 metros cúbicos por segundo (m3/s) no ponto de medição em Almourol, em Vila Nova da Barquinha, ligeiramente acima dos 5.286 m3/s medidos às 07:00 daquele dia.

Segundo Lobato, as perspetivas apontam para que o Tejo “não volte a aumentar” o nível, uma vez que as bacias hidrográficas e as barragens “estão agora a estabilizar”, e que comecem a descer, paulatinamente.

Tejo estabiliza em alta, mas caudais dão sinais de descida com regresso do sol. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE SUB-REGIONAL MÉDIO TEJO:

“Estão a manter e a descarregar, ou seja, aquilo que estão a largar é mais do aquilo que estão a receber, e é expectável que se mantenha assim durante as próximas horas e durante os próximos dias, com tendência de descida, lenta mas paulatinamente”, explicou.

As zonas que continuam a gerar maior preocupação são a zona baixa de Constância, “que já está um bocadinho mais aliviada”, a zona baixa de Vila Nova da Barquinha, que se encontra “na mesma situação”, e a zona de Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Mantém-se ativo o plano de emergência em nível vermelho, embora, caso a tendência de descida se confirme, possa ser reduzido para laranja nos próximos dias.

Apesar da melhoria do estado do tempo, o comandante deixou um alerta à população. “O sol não quer dizer que está tudo normal. Continuamos com estradas submersas e há ainda muitos constrangimentos”, frisou, apelando a comportamentos responsáveis.

O responsável pediu que as pessoas evitem deslocar-se às zonas afetadas apenas para observar as cheias ou tentar atravessar vias inundadas. “As pessoas estão cada vez mais sensibilizadas e têm feito melhor o seu papel, mas é fundamental manter comportamentos de segurança”, reforçou.

Para além do Tejo, mantêm-se dificuldades sobretudo mais a norte da região, com destaque para os concelhos de Ourém e Ferreira do Zêzere, ainda sem eletricidade me muitas casas, problemas nas telecomunicações e onde se registam deslizamentos de terras e diversas estradas condicionadas ou em processo de recondicionamento, pelo efeito da tempestade Kristin.

As situações de derrocadas e aluimentos de terras ocorrem também um pouco por toda a região, devido à chuva intensa e persistente dos últimos dias e saturação dos solos.

Quanto às previsões meteorológicas, as informações disponíveis apontam para a ausência, para já, de novas depressões no horizonte. Ainda assim, a Proteção Civil mantém-se vigilante, sublinhando que, apesar das “boas notícias” ao nível da previsão, o cenário exige prudência enquanto os níveis do rio permanecem elevados.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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