Em comunicado, a empresa explicou que “a intervenção terá como objetivo repor os terrenos às suas condições de base, garantindo a devolução em plena segurança e conformidade ambiental”, tendo acrescentado que o ramal ferroviário e a ponte rodoferroviária existentes não serão alvo de qualquer intervenção.
As torres de refrigeração, com 116 metros de altura, e a chaminé, com 225 metros, serão demolidas na fase final do projeto através do uso controlado de explosivos.
Segundo a empresa, durante o pico dos trabalhos, a operação poderá envolver cerca de 80 trabalhadores.
“Esta fase representará um impacto positivo temporário na economia local, nomeadamente nos setores do alojamento, restauração, comércio e serviços da região” centrada em Abrantes, sublinha o comunicado.
A Tejo Energia destaca que “esta operação altamente técnica será realizada por equipas especializadas e certificadas, cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de segurança, engenharia e proteção ambiental, em estreita articulação com as autoridades competentes”.
O comunicado refere que a gestão de materiais seguirá as “melhores práticas internacionais, privilegiando a reutilização de equipamentos, a reciclagem de betão para operações de nivelamento, a separação e reaproveitamento de materiais metálicos e a minimização de resíduos enviados para aterro”.
Durante a execução dos trabalhos, a Tejo Energia prevê “um aumento temporário do tráfego rodoviário nas vias de acesso ao complexo industrial, associado à circulação de maquinaria pesada e ao transporte de materiais”.
Sempre que necessário, indica, serão implementadas medidas de gestão e segurança rodoviária para “mitigar eventuais impactos” na comunidade.
A empresa reafirma que “o compromisso com a segurança, a proteção ambiental e a transparência será mantido”, prometendo comunicação regular com autoridades locais e população ao longo de todas as fases do projeto.
“Caso seja necessário, novas atualizações serão divulgadas”, acrescenta o comunicado.
A Tejo Energia indica ainda que o desmantelamento surge na sequência da impossibilidade de concretizar o projeto de reconversão energética apresentado ao anterior Governo português.
Esse plano previa “a substituição do uso de carvão por biomassa florestal residual local, complementado com a instalação de centrais de energia solar fotovoltaica e eólica, e a possibilidade de atuar como compensador síncrono, contribuindo para a estabilidade da rede elétrica”.
A proposta foi rejeitada em detrimento de outro projeto, apresentado pela Endesa.
Com o fecho da central a carvão do Pego, em novembro de 2021, a Endesa obteve em 2022, em concurso público, o direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) para instalar 365 MWp de energia solar e 264 MW eólica, com armazenamento de 168,6 MW e um eletrolisador de 500 kW para hidrogénio verde.
O projeto prevê 600 milhões de euros de investimento, 75 postos de trabalho permanentes e a reconversão profissional de 2.000 pessoas, priorizando os antigos trabalhadores da central e integrando a população local na estratégia de transição justa da região.
A Endesa é a maior elétrica espanhola e a segunda na distribuição de gás em Espanha.
A central de ciclo combinado a gás natural do Pego, gerida pela Elecgas, mantém-se em plena atividade e continua a produzir eletricidade de forma independente da antiga central a carvão, que cessou operações em 2021.
Esta infraestrutura é detida pela Endesa e pela Engie (que adquiriu a participação anteriormente detida pela TrustEnergy/Marubeni) em partes iguais, com uma estrutura acionista de 50% – 50%.
Enquanto a central a carvão aguarda o desmantelamento e reconversão para projetos renováveis, a unidade a gás permanece como um ativo estratégico e operacional no sistema elétrico nacional.
c/LUSA
