A Proteção Civil registava às 22:00 desta terça-feira pelo menos 55 vias obstruídas ou condicionadas no distrito de Santarém devido à subida dos caudais do Tejo e afluentes, agravados pela precipitação e descargas das barragens espanholas, com submersões, interdições e riscos estruturais em vários concelhos.
A precipitação persistente em Portugal e as descargas das barragens espanholas provocaram um aumento considerável dos níveis hidrométricos do rio Tejo e dos seus afluentes, refletido na subida da altura da água na estação de Almourol, situação que deverá manter-se nos próximos dias.
Segundo informação divulgada pela Proteção Civil, às 22:00 registavam-se no distrito de Santarém 55 vias obstruídas, submersas ou condicionadas, distribuídas por diversos concelhos, devido ao galgamento de rios, ribeiras e linhas de água, bem como a inundações provocadas pela acumulação de águas pluviais.




Em Coruche, verificam-se submersões no desvio à Ponte da Escusa, na passagem do Entre-águas, na Estrada das Meias, na Estrada da Amieira e galgamento da margem esquerda do rio Sorraia.
No Cartaxo, estão submersas a EN114-2 entre Setil e a Ponte do Reguengo, a EN3-2 entre Reguengo e Valada (interdita) e a Rua Professor Fernando Jaime Soares da Costa, em Vila Chã de Ourique, no acesso à A1.
O concelho de Santarém apresenta o maior número de ocorrências, com submersões na Ponte de Alcaides (EN365-4), Ponte do Celeiro (EN365), Ponte do Alviela, Estrada do Campo em Vale de Figueira, cais da Ribeira de Santarém, ruas na Ribeira de Perofilho, acessos à A1 em Vale de Moinhos, estradas em Albergaria das Abitureiras, Pernes, Alfange, Azóia de Baixo e Casais da Charruada, além de cedência de talude no acesso ao centro histórico de Alfange.
Na Golegã, estão afetadas a Estrada dos Lázaros, a Ponte do Alviela (interdita), a Estrada da Cholda (trânsito condicionado) e a EM572 entre São Caetano, Quinta da Cardiga e Vila Nova da Barquinha, onde a ponte se encontra em risco de colapso, além de campos agrícolas inundados.
Em Salvaterra de Magos, registam-se submersões na Estrada do Paul, em Marinhais e no troço entre a Rua Alves Redol e a Estrada dos Toiros, bem como na estrada do Massapez.
Rio Maior apresenta várias estradas municipais e ruas inundadas ou interditas, incluindo Lobo Morto/Pé da Serra, São João da Ribeira, Valbom, Arruda dos Pisões, Malaqueijo, Calhariz e Moçarria.
Em Alpiarça, encontram-se cortadas a EN368, a EM1391 e a EM1369, além de uma estrada rural na zona da Reserva do Cavalo Sorraia.
No concelho da Azambuja, estão submersas estradas em Carvalhos, Manique do Intendente, Maçussa, Virtudes, a EN3-2 entre Azambuja e Valada, e registou-se cedência de taludes em Vila Nova da Rainha.
Benavente regista a submersão da EM1456 (Reta do Cabo) e Almeirim apresenta cortes na ER-A2 entre Benfica do Ribatejo e a EN114, e entre a EN114 e a EN368.
Em Torres Novas, a Estrada Municipal 570 encontra-se submersa e a Quinta do Paul do Boquilobo está isolada devido ao galgamento do rio Almonda.
Nos concelhos ribeirinhos do norte do distrito, os efeitos da subida dos caudais também se fazem sentir. Em Vila Nova da Barquinha, o cais do Castelo de Almourol encontra-se submerso, reflexo direto da elevação do nível do Tejo na estação de Almourol.
Em Constância, o parque de estacionamento junto à praia fluvial do Zêzere voltou a ficar debaixo de água.




Já em Abrantes, apesar de não se registarem cortes significativos de vias, a vigilância incide sobretudo nas zonas ribeirinhas do Tejo e nas linhas de água secundárias, face à previsão de manutenção de caudais elevados nos próximos dias.
A Proteção Civil prevê que, mantendo-se a situação meteorológica atual na bacia do Tejo, os caudais se mantenham elevados nos próximos dias, apelando à população para evitar atravessar vias alagadas e acompanhar as indicações das autoridades.
Portugal continental está a ser afetado pelos efeitos da passagem da depressão Kristin, após outras duas tempestades nos últimos dias – Ingrid e Joseph -, com chuva, vento, neve e agitação marítima, tendo sido emitidos vários avisos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Segundo o IPMA, o estado do tempo vai agravar-se a partir das 00:00 de quarta-feira, com maior impacto entre as 03:00 e as 06:00, altura em que se prevê vento muito intenso, podendo as rajadas atingir os 140 quilómetros por hora.
A Proteção Civil decidiu elevar o estado de prontidão especial para nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, para fazer face a nova depressão meteorológica que atravessará Portugal na próxima madrugada.
O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.
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