A Casa Da Cultura na Sertã acolheu o seminário “Políticas e Práticas Educativas: Contributos do Conselho Nacional de Educação (2022-2024) com especialistas e investigadores da área da educação reunidos para falar do estado da Educação em Portugal, debater encruzilhadas do ensino e traçar desafios para o futuro, nomeadamente a valorização da carreira docente, tornando-a mais atrativa para os jovens, e a necessidade de acompanhar o crescimento da diversidade nas escolas com os meios necessários para a sua integração.
Durante o seminário, que decorreu na Sertã, foram debatidas diversas temáticas relacionadas com o domínio da educação, como o papel sempre presente mas cada vez mais inclusivo da tecnologia na educação, a desigualdades de acesso e a diversidade cada vez mais presente no ensino, o papel da escola e dos professores na sociedade, a mudança do paradigma e os desafios que se colocam para o futuro.
De acordo com Carlos Miranda, presidente da Câmara da Sertã, o balanço dos trabalhos foi “extremamente positivo”, tendo o autarca destacado a importância do momento para o concelho a que preside.
“A Sertã acaba de receber uma reunião de trabalho do Conselho Nacional de Educação que (…) é um órgão muito importante e para nós, na Sertã, é um privilégio receber todas estas pessoas que, ainda por cima, trouxeram outros especialistas das mais diversas matérias para debater alguns assuntos”.
Quanto às temáticas abordadas ao longo do dia, o edil afirma serem “matérias complicadas e complexas”, uma vez que a educação “está em transformação, está numa encruzilhada”.
“Pedem-se muitas coisas à escola. Pede-se que a escola seja um suporte social para os alunos, promova a integração, que promova a igualdade de oportunidade, naturalmente, que resolva problemas sociais, que seja uma escola para a cidadania e também não podemos esquecer que a escola deve servir para ensinar conteúdos científicos, académicos, que são fundamentais para o desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos”, explicou.




“Neste ambiente difícil, em permanente transformação em que nós vivemos, muitas vezes acho que a escola fica aqui um bocadinho perplexa e indecisa sobre o melhor caminho a seguir, sendo que a escola é absolutamente essencial”, acrescentou.
Para Carlos Miranda, o desenvolvimento de um país tem de “assentar sempre sobre a educação”, pelo que é necessário que a escola seja “muito forte e funcional”. Recuando ao passado, o autarca destaca o facto de se ter concretizado “uma coisa que parecia impossível há 50 anos: termos toda a gente na escola”.
No entanto, o facto de “termos toda a gente na escola também traz depois outro tipo de complicações e temos que ser capazes de dar resposta a vários níveis”. A discussão promovida na Sertã é um passo dado, mas o autarca sublinha que os “caminhos não são fáceis”.
A falta de professores foi um dos problemas apontados e que, de acordo com o edil, se justifica pelo facto de as carreiras docentes não estarem ajustadas às necessidades dos profissionais. “Mas há um problema que é muito mais profundo e o problema é que os jovens hoje em dia não querem ir para os cursos de ensino”.
Importa agora compreender os motivos que levam os jovens a desistir do ensino e tomar medidas para que a profissão possa voltar a ser atrativa e combater o problema da falta de docentes no país. “Isto diz muito daquilo que se passa neste momento na escola em Portugal e temos que atacar os problemas”, acrescenta Carlos Miranda.

“Não devemos fazer apenas o discurso do pessimismo, nem tudo é negativo. Nós temos coisas absolutamente formidáveis nas escolas, temos alunos brilhantes, temos projetos extraordinários e, portanto, há coisas muito boas, mas também há problemas, claro. Há problemas que são complicados e são complicados de gerir para os professores, isto gera naturalmente alguma desmotivação. Depois isso alastra e faz com que a carreira docente não seja muito apelativa hoje para os jovens”, concluiu.
O secretário de Estado Adjunto e da Educação apontou “três grandes desafios” que se fazem sentir, atualmente, no setor da educação. Assim como Carlos Miranda, presidente da Câmara da Sertã, o governante destacou a falta de professores e, sobretudo, a falta de docentes em zonas e escolas onde os “alunos mais dependem da escola para terem um horizonte de futuro, para terem as suas boas hipóteses de terem um futuro melhor do que aquele que os seus pais tiveram”. Outro desafio apontado prende-se com a “diversidade” que é hoje vivida nos estabelecimentos de ensino.

Para Alexandre Homem, este não só é um desafio, como também uma “missão” para o sistema educativo português. “Se nós não formos capazes de dar resposta aos alunos que mais precisam dessa resposta, nós estamos a falhar redondamente. Isso obriga-nos a encontrar soluções e a procurar esses caminhos”.
Durante a sua intervenção, sublinhou a importância que a educação tem, afirmando que, muitas vezes, esta é sobrecarregada “porque identificamos muitos dos nossos desafios na sociedade portuguesa e esperamos que seja a escola a resolvê-los. (…) Isso é injusto para aqueles que estão nas escolas, porque lhes pedimos mais do que aquilo que lhes damos meios também para resolver. Mas por outro lado, isto acontece porque de facto a educação é a base de tudo o resto”.
Outro desafio apontado prende-se com a “diversidade” que é hoje vivida nos estabelecimentos de ensino.
“Temos hoje, sensivelmente, 14% dos alunos com nacionalidade estrangeira no sistema educativo português. Isto corresponde, arredondando os números a 140 mil alunos na escolaridade obrigatória de nacionalidade estrangeira. Um aumento para o dobro em dois anos letivos (…). É desafiante para as escolas, tiveram que ajudar, com os mesmos meios, muitos mais alunos”, afirmou.

O seminário surgiu com o propósito de realizar e apresentar o balanço crítico e reflexivo do trabalho desenvolvido pelo CNE entre 2022 e 2024, realizado através das suas seis comissões especializadas permanentes: Currículo, Inovação Pedagógica nas Escolas, Escola e Sociedade, Professores e outros profissionais da Educação, Democratização e Desigualdades Educativas e Educação Superior, Ciência e Tecnologia.
Na sessão estiveram presentes personalidades ligadas ao mundo do ensino e da educação, nomeadamente Alexandre Homem, secretário de Estado Adjunto e da Educação, Carlos Miranda, presidente da Câmara da Sertã, Domingos Fernandes, presidente do CNE, Manuela Tender, presidente da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, José Carlos Fernandes, Diretor do Agrupamento de Escolas da Sertã, entre outros.
Promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), este seminário contou com a parceria da Câmara Municipal da Sertã e do Agrupamento de Escolas de Sertã.
