Durante o périplo, o chefe de Estado frisou que Portugal é “muito bom no improviso”, mas precisa de “ser melhor na organização das nossas competências e dos nossos recursos”, defendendo que é “preciso agilizar os apoios” e que há que ter “menos palavras e mais ação” para que os recursos cheguem rapidamente às pessoas.
Em Ourém, António José Seguro deslocou-se à localidade de Sorieira, na freguesia de Seiça, para visitar uma habitação afetada pela tempestade Kristin, onde o mau tempo fez ruir uma parede e levou parte do telhado.
Elsi Silva, com dois filhos menores, é a proprietária da casa visitada, onde vivia há quatro anos e que teve de ser realojada. À porta, outras mulheres partilharam com o chefe de Estado a tristeza de verem as suas habitações afetadas pelo mau tempo e de terem sido obrigadas a aceitar realojamento.
Seguro não ficou indiferente à emoção de Maria de Sousa, de 70 anos, que passou a viver com o marido e o filho numa habitação cedida pela Câmara Municipal, mas que espera regressar rapidamente a sua casa.




“Tem de ir à Câmara, falar aos serviços sociais, que estão a acompanhar esta situação e perguntar como é que está a sua situação. Vai lá à Câmara e diz eu venho saber como é que está a situação, para se inteirar”, aconselhou.
De acordo com o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, a passagem da tempestade Kristin deixou mais de 10 mil casas do seu concelho sem telhas, que obrigaram ao realojamento de cerca de 300 pessoas. “Três habitações ficaram completamente irrecuperáveis”, acrescentou.
Atualmente, dez pessoas continuam realojadas em apartamentos da autarquia e 27 agregados familiares permanecem em casas de familiares ou regressaram às suas habitações, embora ainda não estejam completamente recuperadas.
O autarca informou ainda que no seu concelho foram entregues cerca de 3.500 participações para formulários de apoio à recuperação de casas até 20 mil euros, “tendo já sido pagos 500”. “Os outros estão em tramitação. Tivemos 113 indeferidos, mas estão outra vez a ser analisados”, indicou.
Em Ferreira do Zêzere, António José Seguro visitou o Centro de Meios Aéreos e foi informado pelo presidente da Câmara, Bruno Gomes, sobre a posição da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo em relação à extinção do comando sub-regional.
“Não queremos de todo esta extinção, entendemos que é um retrocesso, embora saibamos que em outras regiões pode não funcionar devidamente. Defendemos esta proximidade porque temos provas dadas e a tempestade também veio provar muito que os comandos sub-regionais são importantes”, referiu.




O autarca salientou ainda os investimentos feitos. “A própria CIM teve um investimento superior a 4 milhões de euros para dotar as nossas associações humanitárias de melhores meios e entendemos que será um retrocesso se extinguirmos os comandos sub-regionais.”
Depois da visita ao Centro de Meios Aéreos de Ferreira de Zêzere, o Presidente da República seguiu a pé, durante alguns metros, até ao Centro de Atividades Escutistas, um espaço da responsabilidade da região de Lisboa, bem como ao Centro de Atividades de Arborismo, que ficaram danificados com o mau tempo.
“Isto é, de facto, uma devastação terrível, a quantidade de árvores completamente caídas”, lamentou António José Seguro.
Já em Mação, durante as festas em honra de São Bento, na aldeia de Casais de São Bento, o presidente voltou a sublinhar a urgência de ação rápida e prevenção. “Ora, se há apoios, se há dinheiro, uma das minhas obrigações é dizer menos palavras, mais ação, para que o dinheiro chegue rapidamente às pessoas”, pediu, horas antes da reunião semanal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a qual não quis antecipar quaisquer temas, apesar da insistência dos jornalistas.
O Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de se proceder à limpeza dos caminhos florestais, que esperava que “tivesse começado mais cedo”, para evitar uma catástrofe no próximo verão.





“Todos desejamos que não aconteça nenhuma catástrofe neste verão e eu alertei para a necessidade de fazer esta limpeza dos caminhos florestais e dos aceiros há muito tempo e, portanto, eu esperava que tivesse começado mais cedo”, declarou António José Seguro.
No final de um almoço nas festas em honra de São Bento, o chefe do Estado mostrou-se satisfeito por, neste momento, haver trabalhos em curso. “Ainda ontem [segunda-feira] tive a oportunidade de visitar, no concelho de Vila de Rei, precisamente um trabalho que está a ser feito em articulação com as Forças Armadas”, referiu.
Ao segundo dia da Presidência Aberta, António José Seguro sublinhou aos jornalistas a importância de todos os recursos do país convergirem na prevenção dos incêndios do próximo verão.
C/LUSA
