O concelho de Sardoal prepara-se para voltar a viver um dos certames mais identitários da sua história recente. A Feira Nacional do Fumeiro, Vinho & Pão regressa entre 17 e 19 de abril, depois de um período de interregno, afirmando-se como uma iniciativa renovada, mas profundamente enraizada nas tradições locais.
A apresentação oficial decorreu na tarde desta quarta-feira, no Espaço Cá da Terra e assinalou não só o anúncio do evento, mas também o arranque de uma estratégia mais ampla de promoção do território e dos seus produtos endógenos, envolvendo diferentes parceiros locais e regionais.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Pedro Rosa, este é o retomar de um certame “muito acarinhado pelos sardoalenses”, que esteve interrompido durante algum tempo devido a várias circunstâncias.




O autarca destacou que a feira está profundamente ligada à identidade local, lembrando que o fumeiro sempre teve um papel importante na economia familiar e na sobrevivência das populações, sobretudo nas freguesias mais a norte do concelho.
Situado numa zona de transição entre Ribatejo, Beira Baixa e Alentejo, o Sardoal beneficia de um microclima particular que, nas palavras do presidente, é também “gastronómico, cultural e patrimonial”, tornando o território diferenciador.
A nova edição da feira surge, no entanto, com um conceito mais alargado, integrando de forma clara três produtos identitários: o fumeiro, o vinho e o pão. Para além da tradição do fumeiro, Pedro Rosa sublinhou a crescente afirmação dos vinhos do concelho, produzidos por quintas que têm vindo a conquistar reconhecimento e a projetar o nome do Sardoal dentro e fora do país.


Também o pão assume um papel central, enquanto produto essencial e resultado de um saber tradicional profundamente enraizado, associado ao trabalho artesanal desenvolvido por produtores locais.
A coordenadora da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, Conceição Pereira, reforçou que esta é uma reedição da feira com uma nova abordagem, valorizando os produtos tradicionais, mas colocando o vinho como elemento central do território.
O fumeiro surge como complemento, pela sua forte ligação às tradições das matanças, enquanto o pão é apresentado como símbolo de união e convívio. A responsável destacou ainda o caráter nacional do evento, com a presença de expositores de várias regiões, desde Trás-os-Montes e Beira Alta até à Serra da Estrela, Beira Baixa e Alentejo, garantindo uma representação alargada do melhor fumeiro produzido no país.

Durante os três dias, o certame decorre no pavilhão dos Bombeiros Municipais do Sardoal e inclui uma vasta programação que combina gastronomia, cultura, desporto e atividades educativas. Os visitantes poderão participar em provas de vinho dinamizadas pelos produtores locais, com inscrição obrigatória, onde serão apresentados os vinhos e a história das respetivas quintas.
Haverá também workshops e oficinas, como a confeção de pão em forno a lenha ou a preparação de receitas com produtos tradicionais, dirigidos tanto a adultos como a crianças.
O programa integra ainda passeios de BTT e percursos pedestres, animação musical com diferentes grupos, ranchos folclóricos, concertinas, atividades para a comunidade sénior e iniciativas educativas, como um quiz sobre alimentação dinamizado pela Biblioteca Municipal.




Em paralelo com a feira, o município promove durante todo o mês de abril a iniciativa “Provar Sardoal”, que envolve cinco restaurantes do concelho – Café Cácris, Restaurante “Quatro Talhas”, Restaurante “Zito”, Restaurante “3 Naus” e Restaurante “Dom Vinho” – numa estratégia de promoção conjunta.
Esta ação permite aos visitantes degustar vinhos locais a um preço especial de 10 euros, inferior ao habitual, resultado de um esforço partilhado entre produtores e restauração.
Pedro Rosa destacou a importância destas parcerias, sublinhando que “quando falamos de redes, falamos de contributos efetivos”, com o objetivo de fortalecer a identidade local e criar dinâmicas que se prolonguem ao longo do ano, incentivando o regresso de visitantes.

Outro dos pontos marcantes desta edição é o regresso do Mestre Gil, figura ligada ao património imaterial do concelho, cuja presença será retomada com o envolvimento das escolas. O presidente da Câmara referiu que esta recuperação resulta de uma estratégia anteriormente desenvolvida e que pretende agora ser revitalizada, com potencial para se tornar um embaixador junto das novas gerações.
A feira contará ainda com uma exposição dedicada ao Mestre Gil e ao património local, envolvendo cerca de 230 crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo, que terão oportunidade de apresentar os trabalhos desenvolvidos e de reforçar a ligação à história e cultura do concelho.



