A entrada na aldeia de Codes é do silêncio e do cão de Ana Paula que vem ter connosco a ladrar. António Fernandes descansa-nos: “É amigo”, embora confesse desconfiar sempre dos cães. É um homem de gatos, que também deambulam por terras isoladas, no sossego de uma dia de sol. O responsável da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre levou-nos até aldeias onde vivem apenas duas pessoas. No concelho de Sardoal são várias, como Codes, Brescovo ou Amieira.
Concluímos que onde se adensa o verde da paisagem, falta gente. No meio da floresta, ao longe, desponta o vermelho dos telhados que já não abrigam ninguém. António informa que Tojal, Malhadal e Casalinho perderam os habitantes, por lá restam apenas casas. Algumas não passam de ruínas.
“Codes já teve mais pessoas do que hoje tem a Freguesia toda” e são cerca de 300, nota. Na rua Principal uma casa abandonada recebe-nos com um emoji triste. Ao lado, vestígios daquilo que, no passado, foi o lar de uma família, ironicamente tem como “tapete de entrada” um smile.

Ana Paula reside há 13 anos numa pequena casa branca à beira da estrada que, se prolongada a pé, leva à ribeira de Codes. Ali não há saída mas há escolha; vive isolada por opção – tendo como único vizinho um professor que mora mais acima, “nem sequer nos vemos, porque a distância é tão grande…”, refere. No terraço, decorado e imbuído do espírito natalício, convida-nos a sentar para contar que aprecia o sossego e o isolamento, confirmando o que ouvira: “era a aldeia com mais pessoas” na Freguesia.
As casas resistem sem habitantes, aguardando que cheguem nas férias, o que não agrada especialmente a Ana Paula que quando, no mês de Agosto, vê três ou quatro carros na aldeia acusa “falta de ar”, afirma a rir a mulher, de 56 anos. O que parece contraditório para alguém que viveu em Inglaterra, com uma carreira profissional “num navio, com muita gente, a fazer viagens e a ter de ficar em Londres. Fui muito de cidade mas sempre gostei do sossego”, conta.

Os pais de Ana Paula compraram aquela casa há 50 anos para passar fins-de-semana e férias, mas principalmente para ajudar o irmão doente que precisava de apanhar ar puro. “Ainda havia por cá muita gente”, recorda indicando que “naquelas casas do fundo, cada casal tinha uns 10 filhos. Muitos miúdos da nossa idade”, lembra referindo-se a si e às suas irmãs. Mas foi Paula quem ficou com a casa após a morte do pai. A mãe vive em Abrantes num apartamento onde, na verdade, afirma viver mais isolada e solitária, na cidade, do que Paula no meio da floresta. Por isso, por vezes, também vai até ao Codes, na tentativa de minimizar a sua fragilidade e fazer companhia à filha.
Casada com um inglês, o casal “arranjou” a habitação com o mesmo objetivo inicial dos pais de Ana Paula, “para fins-de-semana e férias”. Porém, após a reforma do marido, entretanto falecido, “apaixonou-se por isto. Gostava era de terra e vinha para cá”. E acabou por ficar, deixando a casa em Abrantes, apesar das dificuldades que passou no Codes quando o marido adoeceu, ainda que com a “muito importante” ajuda dos Bombeiros de Sardoal e da viatura à porta sempre pronta a fazer-se à estrada.

É o que irá fazer por estes dias, na viagem até a Abrantes onde passa o Natal com a família; a filha, a mãe e as irmãs. “De resto estou aqui o tempo tempo. Vou um dia ou dois a Abrantes para ver a minha filha, a minha neta e fazer umas compras”.
Da casinha branca e estreita estende-se um quintal onde plantou uma horta com vegetais e hortaliças porque em Codes “não há nada”, nem sequer um café e nem sequer os dois moradores podem contar com vendedores ambulantes. Ana Paula tem por isso de amassar o seu próprio pão. “Faço e congelo. E tenho horta porque se me apetece uma alface não vou fazer 20 quilómetros para a comprar. Já tive galinhas”. Mas manter a capoeira longe dos animais selvagens é um problema e desistiu dos ovos.
“Neste momento estamos a ser atacados por javalis a torto e direito, tenho o terreno completamente lavrado. No verão até águias tive dentro do galinheiro, raposas, saca-rabos… mataram-me as galinhas todas. Nunca comi uma galinha. Tem a ver com a calma disto, sentem-se à vontade e vêm. Também porque não têm alimentos em mais lado nenhum”. Portanto, a terapia da cozinha, fazendo desde doces a compotas sem esquecer os licores, também ajuda Ana Paula a passar o tempo, tal como a sua estufa de flores.


Sente-se a ruralidade. Montes e vales pejados de árvores, de eucaliptos a pinheiros, é tudo o que os olhos alcançam. Há asfalto nas ruas da aldeia, até começar a terra batida, e cheira a inverno. Mais acima o Centro de Férias do Codes, que teve um passado de escola primária, aguarda pelo verão, tal como as piscinas desmontáveis que afinal não foram desmontadas e apenas cobertas por plásticos a resguardar o material. E dificuldades?
“A Internet não é das melhores. Sinal de telemóvel, dentro de casa não tenho rede, tenho de ir a uma janela ali num cantinho. É provavelmente a única dificuldade que sinto. De resto não sinto falta nem de pessoas nem de um café. Os cuidados de saúde mantenho em Abrantes”, detalha.
Infelizmente o verão não traz apenas turistas, por vezes também traz incêndios, e é Ana Paula quem entra em ação pegando na mangueira e regando a casa e terrenos vizinhos. Confessa que o cenário de fogo “é um bocadinho assustador”, porém, conta com a família que “salta logo” até Codes tal como o presidente da Câmara. “Já aconteceu, ser o primeiro a chegar aqui, porque sabe que estou sozinha”. Ana Paula recorda que certo ano, a GNR mandou evacuar a aldeia. O incêndio é o seu “único medo”, nem sequer tem medo de ladrões até porque conta também com um sistema de alarme ligado diretamente à GNR; basta carregar num botão para pedir auxílio.

Sendo certo que a Guarda Nacional Republicana tem um programa de acompanhamento porta a porta de prevenção criminal e policiamento comunitário. “A GNR passa muito frequentemente e os senhores da Junta também passam de vez em quando”, diz Paula que quer passar o resto dos seus dias na aldeia, mesmo equacionando “as limitações” que, provavelmente, chegarão com o avançar dos anos. Na verdade espera ter companhia em breve, da vizinha que vive na Suíça e herdou a casa há dois anos. “Também gosta da aldeia. Chega a vir da Suíça passar fins-de-semana e damo-nos muito bem. Estou à espera que se reforme. Vai ser aqui uma festa!”, ri.
Aos 66 anos, Maria Celeste não falta ao conforto do abraço das filhas, em Lisboa. É na capital que vai passar o Natal e, na verdade, é para lá que sonha regressar. “O meu desejo era voltar para Lisboa onde estão as minhas filhas e os meus netos”, confessa. No entanto, interroga se, agora, “já me dou lá? Dar dou, porque eles estão lá”, conclui num anseio de voltar ao movimento e às pessoas.

O isolamento em Brescovo, aldeia habitada unicamente por ela e pelo marido, não é do seu agrado. Espera esperançada que as casas voltem a ter habitantes, vizinhos e companhia. O regresso de uma prima do Porto, que está para breve, é ansiosamente esperado. Ainda mais que, nem Celeste nem o marido, têm carta de condução. Uma condição que se deve ao facto de nunca sentirem essa necessidade na capital, onde ainda mantêm casa e onde os transportes públicos cobrem as necessidades de mobilidade.
No concelho de Sardoal vale-lhes o Transporte a Pedido para se deslocarem. Uma “mais valia” que Celeste espera que “nunca acabe”.
Durante a pandemia de covid-19, a prima de Celeste passou meses em Brescovo e todas manhãs as duas mulheres faziam uma caminhada pelo campo. “Há aqui muito espaço para fazer isso”.
A freguesia de Santiago de Montalegre é bastante dispersa, uma das dificuldades dos eleitos, que conhecem a sua população e a acompanham nos problemas identificados. Antes de chegar a Brescovo, vindos do Codes, passámos por Portela da Selada, com cerca de oito habitações todas em bom estado de conservação, mas ninguém lá reside a não ser nas férias e nos fins-de-semana.

Há seis anos que reside naquela aldeia, após vender o café que o casal tinha em Lisboa. Ali decidiram construir uma casa, visitada frequentemente pelas filhas que, segundo Celeste, “adoram vir para cá”. No entanto, Celeste sente o isolamento. “Claro! Foi difícil. Agora já estou habituada mas foi uma transformação horrível” que resultou em demasiada solidão.
Por isso, o seu sonho é regressar ao movimento da cidade grande. “O médico disse ao meu marido: ou você muda de vida ou então… tinha uma vida muito stressada. Desde que estamos aqui, anda bem. Para ele isto é o mundo, uma maravilha”, justifica.
Mais adiante, o cão observa o intruso, no caso nós, em reportagem. António Fernandes e a psicóloga da Ação Social do Município de Sardoal, Patrícia Correia, que nos acompanharam, aguardavam na estrada serpenteante que leva até ao Miradouro da Matagosa, naquela que é a fronteira entre três concelhos; Abrantes, Sardoal e Vila de Rei, passando à porta de outras casas sem ninguém.
Celeste e o marido têm uma pequena horta e o jardim para se entreterem no seu dia a dia, além disso ela gosta de ler. Por companhia o cão, o gato e a televisão, que mesmo sem ver as imagens ou escutar atentamente as palavras ditas, tem o som de fundo para ajudar a afastar o silêncio. Todos os dias as filhas telefonam para saber como estão. Quando sente necessidade de falar com alguém também liga para elas. “A mais nova então, está sempre a telefonar. E com a outra, à noite, também falo”.
Por aquela aldeia passam carrinhas de venda ambulante, “temos acesso a tudo desde a carne ao peixe, correio e a farmácia vem trazer a casa, basta a gente ligar”. Mas Celeste também vai às compras com familiares preocupados com o seu bem estar. Problemas de furtos ou burlas nunca sofreram. A GNR “passa de vez em quando, mas nunca pergunta se precisamos de alguma coisa. A Junta sim, são nossos amigos. O meu marido trabalhou três anos na Junta”, refere.

Quando regressaram a Brescovo mantiveram o médico de família em Lisboa “mas depois a médica reformou-se a foi a nossa desgraça. Agora para ir ao médico a Sardoal é mais difícil. Temos de ir às cinco da manhã para apanhar vez, há seis vagas, se conseguirmos muito bem, senão temos de ir noutro dia. Como não temos carta de condução, vamos de táxi”. Contudo, o problema maior “é mesmo a solidão”.
Em todo o País, mais de 44.100 idosos vivem sozinhos e/ou isolados, ou ainda em situação de vulnerabilidade, tendo sido sinalizados pela GNR na Operação “Censos Sénior 2023”, que decorreu em outubro, de acordo com esta força policial.
A GNR explica que esta operação visou garantir ações de patrulhamento e sensibilização à população mais idosa que vive sozinha e/ou isolada, alertando-a para a necessidade de adotar comportamentos de segurança, reduzindo o risco de se tornar vítima de crimes, sobretudo violência, burla e furto.

Não é o caso de Maria da Conceição Jorge, de 77 anos, uma dos dois residentes permanentes da aldeia da Amieira, composta por uma dúzia de casas. Encontrámos Maria no meio da pastagem das duas cabras. Não são suas, deixou-as um dos cinco filhos que a doença levou, tal como o cão que lhe faz companhia também o ‘herdou’ de um outro filho.
Nasceu na Amieira mas com 15 anos abalou para Lisboa, pela capital tirou o curso de enfermagem e por lá ficou a vida toda até 2012, quando, reformada, regressou às origens. “Não gostava muito de regressar à terra mas o meu marido, que não é daqui, gostava. E um dos meus filhos residia em Mogão Cimeiro. Vim mais por causa deles. Havia mais pessoas”. No entanto, a história de regresso é de perda; pelo caminho perdeu o marido, o filho, a nora, o primo, dois tios, uma vizinha “por isso fiquei sozinha e agora não quero sair”. Um terceiro filho vive em Inglaterra e o quarto em Lisboa.
Longe de tudo, Maria da Conceição, na verdade, não se sente sozinha, diz que sempre foi “muito sozinha. Tinha muita família, muita gente à minha volta, mas parece que não precisava de muita gente para viver, apenas aqueles que me são importantes. Dediquei-me muito mais ao meu trabalho”.

Agora viúva, passa o tempo a cuidar da mãe acamada, a tratar dos animais, faz uma caminhada de manhã na companhia do cão e de um gato, tem uma pequena horta, gosta de ler, e garante que “quase todos os dias” aparecem pessoas para conversar, nomeadamente “uma senhora que mora em Mogão Fundeiro que vem fazer-me companhia. Há um dia ou outro, especialmente se houver nevoeiro ou estiver a chover, que me sinto um bocadinho mais deprimida, mas tirando isso, não!”, assegura.
Em dias festivos, como o Natal, Maria recebe a família toda, incluindo o filho que chega de Inglaterra, netos e bisnetos. Missa do Galo é que não vai, igreja só em Montalegre, apesar de ainda conseguir ir a pé até lá, distando uns quatro quilómetros, e às vezes, à quinta-feira, vai à missa.
Medo não tem nenhum, “nem de dia nem de noite”, nem se sente isolada, afirma. Certas noites “o cão ladra muito, vou espreitar e sou capaz de sair para ver se está com algum problema”. Garante que a GNR nunca lhe bateu à porta a perguntar se precisava de alguma coisa, mas o único vizinho José Manuel “diz que vão lá muita vez”. António Fernandes garante que a GNR passa na aldeia duas a três vezes por semana, por isso, anunciou ir sinalizar Maria.



Apesar de ter vivido toda a vida na capital, refere que a sua adaptação à aldeia foi fácil, apesar disso “gostava que existisse mais alguém na aldeia. Saber que existe alguém se eu precisar de alguma coisa ou alguém que possa precisar de mim, porque ainda consigo fazer toda a minha vida sozinha”. Inclusivamente no Natal, ainda é Maria que toma conta dos preparativos e executa, contando com a colaboração das noras.
Os idosos podem ser sinalizados pela comunidade, vizinhos ou entidades como os centros de saúde ou os serviços municipais de Ação Social, ou grupos de Ação Social como o CLDS, projeto que acompanha os mais vulneráveis, no entanto é necessário que as pessoas queiram ser acompanhadas, uma vez que falamos de adultos e a lei assim o determina, explica Patrícia Correia.
Maria da Conceição não conduz, mas mesmo assim nunca teve problemas designadamente nas questões de saúde. Recorre ao centro de saúde de Sardoal e a farmácia, quando necessário, leva os medicamentos à porta de casa. Apesar dos vendedores ambulantes passarem por Amieira, não recorre a esse método. Para ir às compras, que realiza mensalmente, recorre a amigos. “Ainda ontem estiveram cá!”, afirma. Os frescos apanha-os na sua horta.
Como presente de Natal gostava de ter o que, na realidade, terá: “a família” por perto. “Paz no mundo” também é um desejo, contudo mais complicado de realizar. “Se houver paz, o mundo vai melhorar e todos nós vamos melhorar”. A maior dificuldade “é mesmo o facto de não ter vizinhos. Quando estão, sinto-me bem. Vão ter comigo, andamos por aí, conversamos, estamos juntos. Quero continuar aqui”.

As situações de furtos ou burlas é o que mais preocupa a GNR que no total, durante a Operação “Censos Sénior 2023” realizou 304 ações em sala e 2651 porta a porta, abrangendo um total de 24.978 idosos, em todo o País.
A Guarda Nacional Republicana, através do Comando Territorial de Santarém, efetua o acompanhamento dos idosos no Concelho do Sardoal, através de três militares afetos à Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário do Destacamento Territorial de Abrantes, que abrange os Concelhos de Abrantes, Sardoal, Constância e Mação.
Segundo a GNR, em declarações ao mediotejo.net, “a Guarda está empenhada em manter o compromisso de continuar a realizar um policiamento de proximidade e apoio às populações mais vulneráveis, de norte a sul do país, não só para diminuir o seu isolamento social, transmitindo uma mensagem de amizade e de esperança, mas sobretudo para os proteger no âmbito do policiamento de proximidade. Nesse sentido, as ações desenvolvidas diariamente pelas SPC constituem em elemento fulcral para aproximar os militares da Guarda dos cidadãos, idosos e outros grupos especialmente vulneráveis ou de risco, fazendo tudo o que estiver ao alcance para ajudar”.
A mesma fonte acrescentou que “este serviço é ainda complementado pelo patrulhamento diário do Postos Territoriais pertencentes ao mesmo Destacamento Territorial”.
Por seu lado, António Fernandes explica que a Junta de Freguesia, instituição que também sinaliza à GNR as pessoas mais vulneráveis, passa pelas aldeias isoladas “uma vez por semana”, particularmente no trabalho de limpezas ou “mesmo quando não temos nada a fazer lá”.
Por outro lado, toda a gente tem o contacto de António Fernandes, que já foi presidente da Junta, “e para relembrar” todos os natais a Junta de Freguesia entrega um calendário para o Ano Novo, com o contacto. “As pessoas não têm dificuldade nenhuma a entrar em contacto comigo. A qualquer hora, sábados, domingos, todos os dias”.
Os furtos “é o maior problema nas aldeias com pessoas isoladas. Na Amieira já aconteceu vários. Uma outra pessoa residia lá, mas os filhos acabaram por levá-la para Lisboa, porque foi assaltada várias vezes”. Quanto aos incêndios António considera que “não têm muito medo porque sempre fez parte da vida delas. E uma coisa é certa; temos dos melhores bombeiros do País, e estão sempre alerta. As pessoas gostam de viver naquelas aldeias. Sentem-se em casa”.

GOSTEI MUITO DO VOSSO ARTIGO DA MINHA ISOLADA TERRA ONDE NASCIO EM 10 DE JANEIRO DE 1941, EM QUE.MEU SAUDOSO PAI FOI SECRETARIO DA CÂMARA. NASCI LÁ HÁ 82 ANOS.TENHO UMA HUMILDE MONOGRAFIA SOBRE O SARDOAL MAIS DADOS.FELIZ ANO NA PAZ DO NOSSO DEUS
Se encontra se uma casinha ai para mim mudava me já. Preciso mesmo de um cantinho onde pudesse ter os meus caezinhos. Paz e sossego e com a minha hortinha.
Talvez fazer a mesma coisa que a Itália. As casas abandonadas são a vender 1€, mas o comprador é obrigado a viver 10 anos na aldeia. Talvez uma solução.