Aos 79 anos, o empresário abrantino recebeu a distinção junto da família, amigos e conhecidos, que se uniram para recordar e homenagear os 65 anos de trabalho do fundador do Grupo Diorama, com sede em Tramagal. Mostrando-se visivelmente emocionado e agradecido pelo reconhecimento do seu valor enquanto profissional, o empresário recuou até ao passado e deixou um testemunho marcado pela perseverança, dedicação à profissão e às causas sociais. Entre as diversas intervenções que ocorreram ao longo do jantar festivo que teve lugar no dia 7 de fevereiro, foi sublinhado o seu impacto no setor empresarial e industrial abrantino, na comunidade e, sobretudo, na vila de Tramagal (Abrantes).
Com um longo passado ligado à gestão de empresas, Joaquim Dias Amaro esteve também ligado ao setor da metalurgia, da ferrovia, da construção e da promoção imobiliária. Nasceu em 1946 na freguesia do Pego, mas foi em Tramagal que deu início à sua vida profissional, na Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF) aos 14 anos de idade, onde se destacou e foi selecionado para o Escritório Principal, junto da Administração.
Frequentou o Curso Industrial, na Escola Comercial e Industrial de Abrantes. Na MDF fez toda a formação verticalizada, instituída para aqueles que por ali passavam, tendo sido colocado no setor da Contabilidade. Mais tarde, viria a integrar a Administração da MDF que, entretanto, se tinha mudado para Lisboa.
A sua história encontra-se diretamente ligada à história da MDF, que nunca deixou de estar presente na sua vida. Em 1973 aceitou o desafio da MDF-Angola, onde permaneceu até maio de 1976, primeiro como Diretor Financeiro e mais tarde como Administrador-Delegado.
Com o 25 de abril, a MDF foi intervencionada pelo Estado, tendo o empresário integrado a Comissão Administrativa nomeada pelo Governo, em 1979, que preparou a devolução da MDF aos seus legítimos titulares. A família Duarte Ferreira convidou-o, posteriormente, a integrar o novo Conselho de Administração e, no ano de 1987, foi convidado a assumir a presidência da fábrica de Tramagal.

O passo decisivo na sua trajetória foi dado em 1984, quando se tornou empresário, criando o seu próprio grupo: o Grupo Diorama. Criado a 9 de agosto de 1984 para “salvar o salvável da antiga Metalúrgica Duarte Ferreira” e dar continuidade à história industrial do Tramagal, o grupo corporizou a estratégia empresarial delineada por Joaquim Dias Amaro.
Hoje conta com cerca de 400 trabalhadores em Portugal, prevendo-se, em 2025, um volume de negócios na ordem dos 80 milhões de euros. O Grupo Diorama marca presença no Uruguai e este ano estará também em Marrocos.
A família, amigos e colegas de profissão uniram-se para uma noite repleta de partilhas, memórias e vivências, recordando os 65 anos de trabalho de Joaquim Dias Amaro. O empresário abrantino começou por agradecer a homenagem realizada pelo Rotary Club de Abrantes, bem como a presença de todos aqueles que escolheram estar presentes numa distinção que o deixa “com uma ponta de orgulho”.
O percurso profissional iniciou-se na década de 60, um momento em que “a vida não estava fácil para as famílias de baixos rendimentos” e em que era necessária a contribuição dos filhos para o rendimento da casa, recorda.
Os pais candidataram-no ao exame de admissão para a Metalúrgica Duarte Ferreira, prova que concluiu com sucesso: entre centenas de candidatos, ficou colocado entre os cinco primeiros, garantindo assim um lugar no escritório principal, onde a administração da empresa estava sediada.
Aí passou a “fazer parte da família MDF”, uma “verdadeira escola de vida, onde a aprendizagem, o estímulo, a determinação, o rigor, a criatividade e o gosto pelo trabalho eram valores transmitidos aos jovens e traves mestras para as suas vidas e para o desenvolvimento da própria empresa”.
Três anos de permanência na empresa e concluída a sua formação, ingressou na área da contabilidade e finanças. Em 1963 a administração rumou até Lisboa e aí se instalou, levando Joaquim Dias Amaro a deixar para trás a terra que o viu crescer e a casa dos pais, com “muita tristeza e preocupação” por parte destes.
Em Lisboa deu seguimento aos estudos, em regime noturno, ingressando posteriormente no serviço militar. “Fui o sexto do meu curso e por isso não fui mobilizado para a guerra colonial”, recorda, o que lhe permitiu continuar a trabalhar, durante a tarde, na MDF e “acompanhar as operações relacionadas com a viatura militar Berliet, que era montada no Tramagal”.
Terminado o serviço militar, Joaquim Dias Amaro assumiu a 100% as funções de direção financeira na MDF. “Na cultura empresa, a progressão da minha carreira tinha terminado porque não era licenciado e isso era um grande obstáculo para assumir outras responsabilidades”, afirmou.
Em 1973 partiu rumo a Angola com um objetivo traçado: salvar a MDF-Angola da “falência técnica” e “encontrar novos caminhos”. A tarefa foi bem-sucedida, tendo regressado a Lisboa para integrar os quadros da MDF como inicialmente previsto. No entanto, o Conselho de Administração entendia que o seu lugar era em Angola, para dar continuidade ao trabalho.
“Eu disse não, o destino da minha vida profissional quem o decide sou eu e apresentei a minha demissão”, recordou o empresário.
Foi fazendo consultoria em algumas empresas e assumindo outros cargo, no entanto continuou a auxiliar Carlos Duarte Ferreira na preparação da estratégia e das ações necessárias, com vista a fazer cessar a intervenção do Estado na MDF e a “consequente devolução da empresa aos seus legítimos acionistas”.
No novo Conselho de Administração, eleito para o mandato de 80-82, exerceu o seu mandato com o pelouro financeiro e “tudo correu dentro do previsto, com muitas dificuldades. A empresa estava completamente descaracterizada, pois os cinco anos de intervenção do Estado foram devastadores para a economia da empresa e sem a ajuda do Estado, a gestão corrente era muito mas muito difícil”.
Tendo em conta a difícil situação em que a empresa se encontrava, assumiu a presidência do Conselho de Administração, com um “objetivo no horizonte: salvar o que era objetivamente saudável. Milagres não existem”.
E foi em 1984 que se tonou empresário, criando o Grupo Diorama. Os anos passaram e o grupo representa hoje um universo de cerca de 400 pessoas em Portugal, tendo “investido de forma significativa em equipamentos, em segurança, na sustentabilidade e na formação do seu pessoal e até na distribuição de prémios aos seus colaboradores”, garantiu Dias Amaro.
“Com muito trabalho e muita determinação, foi possível ganhar a confiança dos mercados dos nossos parceiros financeiros também aqui presentes. Clientes e fornecedores e também de entidades terceiras internacionais cujos produtos representamos”.

“Contribuímos de forma sustentada para a mobilidade do país, participando em quase todos os projetos de reestruturação e renovação no domínio da ferrovia” que contribuíram e continuam a contribuir para a melhoria da rede ferroviária nacional, incluindo os metros de Lisboa e Porto e também a infraestrutura ferroviária criada para a Ponte 25 de Abril, que permitiu ligar Lisboa à outra margem do Tejo.
No mercado externo, os produtos estão presentes em geografias diversas, nomeadamente em França, Inglaterra, Suécia, Israel, Senegal, Gabão, Marrocos, Argélia, Guiné, Nigéria, Canadá, Panamá, Uruguai, Costa do Marfim e Equador. “Vamos concretizar em 2025 a nossa presença internacional em Marrocos, através da Futrifer e da Futrimetal, para além da presença industrial que já temos no Uruguai”, acrescentou o empresário.
“Chegar até aqui é um orgulho enorme que partilho com todos vós, aqui presentes, mas também com aqueles que aqui não estão e com todos aqueles que passaram e conviveram connosco ao longo destes 40 anos. Nada disto teria sido possível sem o contributo de todo o universo humano do grupo e sem a relação sólida existente com todas as nossas parceiras. É por isso que esta homenagem feita hoje à minha pessoa é também uma homenagem a todos eles”, sublinhou.


Ainda nos agradecimentos, o empresário não esqueceu o “compromisso, empenho, paciência e compreensão da esposa” ao longo dos mais de 50 anos de relação.
Quanto ao futuro, o empresário abrantino anunciou que a Frutifer decidiu fazer um investimento numa nova fábrica no Tramagal, estando em curso o desenvolvimento do projeto de licenciamento. O grupo irá “manter e consolidar a política de expansão e de internacionalização, quer pela presença em nova geografias, quer através da exportação”, com “atenção redobrada, pois as incertezas são muitas”.
“Uma certeza eu tenho e que me tem guiado na vida, se formos capazes de fazer bem, se formos responsáveis profissionalmente e eticamente solidários, pro-ativos, criativos, compreensivos e amarmos o que fazemos, apesar das adversidades, do mundo cada vez pior, seremos capazes de continuar a olhar o horizonte e a caminhar com segurança”.
Joaquim Dias Amaro
Falando de futuro, Joaquim Dias Amaro deixou o seu agradecimento aos filhos, Tiago e Ricardo Amaro, pelo “excelente trabalho que têm feito nas suas empresas e dizer que o futuro está nas vossas mãos”.
Estes, por sua vez, sublinharam uma “homenagem que muito nos orgulha em sinal de reconhecimento dos valores e caráter inatacáveis de uma grande pessoa, o nosso pai. O futuro a Deus pertence, com os valores que pai e mãe nos deixam, o futuro é risonho e podemos continuar a sonhar”


O vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, sublinhou a importância do Grupo Diorama que emprega, atualmente, cerca de 400 colaboradores. “Não é brincadeira nenhuma, estamos a falar de um universo que extrapola a nossa existência continental”. Dirigindo-se ao empresário e à esposa, Luís Dias afirmou serem “um exemplo, um testemunho, reconhecimento e gratidão”.
“Em nome da Câmara Municipal de Abrantes e em nome, seguramente, de toda a comunidade abrantina, é para nós um momento de grande orgulho e sobretudo esse orgulho como herança. Aquilo que nos disse aqui hoje é, para todos nós, uma herança e eu tenho muito, muito orgulho em ser seu amigo”, acrescentou.

António José Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Tramagal, expressou ao empresário, em nome da freguesia, o “reconhecimento e o agradecimento por tudo o que fez na história do Tramagal, pelo bem-estar que se vive na nossa freguesia hoje”.
“Reconhecer o trabalho extremamente difícil que sabemos que foi para si, para as empresas, para a comunidade, a transição de uma grande fábrica nacional, para aquilo que hoje agradecemos que é termos na freguesia uma centralidade industrial na competitividade global. Empresas que continuam a produzir para todo o mundo agora e que dão (…) toda a dinâmica que a localidade tem e que terá sempre”.

O autarca agradeceu também a “continuidade de cultura filantrópica que sempre existiu na indústria, em Tramagal, com a ligação das empresas do Tramagal à vida comunitária, no apoio que prestam à realização dos eventos culturais, desportivos, na disponibilização das instalações, na doação do campo de jogos, …”
Otávio Oliveira, presidente do Instituto da Segurança Social e amigo de liceu de Joaquim Dias Amaro, recordou o passado industrial da vila de Tramagal, onde nasceu e cresceu, tendo sublinhado o contributo do empresário para a freguesia.
“O Tramagal está muito longe daquilo que foi nas décadas de 60 e 70. Mas ainda assim, hoje quando falo do Tramagal, digo que, porventura, será ainda hoje uma terra indústria. (…) Ainda será dos territórios mais industrializados que o país e região tem e à sua pessoa isso se deve. Portanto, acho esta homenagem justíssima e os parabéns quer para o homenageado, quer para o clube rotário”.

Clarisse Louro, Governadora assistente do Distrito 1960, afirmou ser com “muita satisfação e orgulho” que marcou presença naquela que foi uma festa de homenagem ao empresário pelo “percurso de vida baseado na ética e no desenvolvimento de boas condutas ao longo de toda a sua vida”.
“Esta noite plena de significado para nós e para todos vós, pode ser resumida com duas palavras que eu considero tão singelas quanto emblemáticas: reconhecimento e alegria, eu acrescentava felicidade”.
“São pessoas como o nosso homenageado que nos transmitem os valores da humildade, do profissionalismo, dedicação, de saber, do altruísmo. Valores fundamentais no desenvolvimento da pessoa, de uma comunidade, no desenvolvimento de uma empresa, os únicos bens que devemos transmitir às novas gerações”, concluiu.
Numa cerimónia realizada durante um jantar, na noite de 7 de janeiro, o clube rotário homenageou mais um profissional do concelho de Abrantes que se tem distinguido na sua profissão, tanto a nível local como nacional, desta vez na área da gestão empresarial.




O Ano Rotário inicia a 1 de julho e termina no dia 30 de junho e todos os meses do ano têm uma área de enfoque. A do mês de janeiro é dedicada aos serviços profissionais no Rotary. Cabe a cada clube rotário homenagear um profissional da sua comunidade, uma instituição ou uma pessoa que os rotários entendam ser merecedor do conceito da Prova Quádrupla.
Isidro Bernardino, presidente do Rotary Club de Abrantes, explicou que o clube abrantino decidiu atribuir a homenagem de Profissional do Ano, em 2025, ao empresário Joaquim Dias Amaro, presidente do Grupo Diorama, pela “importância da sua atividade profissional no desenvolvimento económico e social da nossa comunidade”.


“Não podemos deixar de referir a importância industrial, económica e social iniciada pela Metalúrgica Duarte Ferreira no século passado, onde o nosso homenageado se iniciou profissionalmente e que, apesar de todos os constrangimentos políticos e sociais, decorrentes de transformações profundas, soube dar à atividade profissional que gere o devido impulso para uma projeção rumo ao futuro”, sublinhou.
Para além da família, amigos e colegas de profissão, a sessão contou com a presença da Governadora Assistente do Rotary – Distrito 1960, Clarisse Louro, do vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, do presidente da Assembleia Municipal, António Mor, do presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges, do presidente da Junta de Freguesia do Tramagal, António José de Carvalho, o RAME representada pelo major Botica, o pároco Adelino Cardoso, o presidente do Instituto da Segurança Social, Otávio Oliveira, entre outros.
















