Tejo e Zêzere regressam ao seu leito, mas ainda há zonas inundadas. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

“A situação do rio segue na mesma senda de ontem [sábado], a baixar os caudais, ainda vamos tendo algumas situações, mais na zona da Lezíria, mas aqui, no Médio Tejo, não lhe vou dizer que já está normalizada, mas o rio já se encontra no seu leito”, afirmou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.

Desde sábado que o nível do rio está a baixar progressivamente e a melhoria das condições climáticas, com uma redução da precipitação, está a fazer a situação “evoluir favoravelmente”, salientou o comandante da Proteção Civil do Médio Tejo.

David Lobato salientou que é necessário aguardar agora que o nível do Tejo baixe em terrenos que ainda estão inundados, mas isso só acontecerá quando a água evaporar ou os terrenos a conseguirem absorver.

O regresso ao leito já era visível ao final do dia de sábado e os caudais “baixaram bastante” nas últimas horas, indicou.

“Neste momento estamos com um caudal de 3.700 metros cúbicos por segundo no Almoural”, Vila Nova da Barquinha, quantificou David Lobato, adiantando que a Proteção Civil distrital pode, na segunda-feira, se se mantiver ó quadro climático atual, baixar o nível de alerta de vermelho para laranja ou até para amarelo.

“Se se mantiver assim, vamos baixar o nível, em princípio para amarelo”, antecipou, referindo-se a uma reunião que a Proteção Civil distrital de Santarém vai realizar na segunda-feira.

Situação de calamidade e isenção de portagens terminam hoje

A situação de calamidade decretada pelo Governo a 29 de janeiro nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin, e duas vezes prolongada após novas tempestades, termina este domingo, bem como a isenção das portagens.

Primeiro decretada a 29 de janeiro, depois prolongada até 08 de fevereiro e posteriormente até hoje, a situação de calamidade para 68 concelhos portugueses termina agora, assim como a isenção das portagens nos territórios afetados, apesar das reivindicações de vários municípios.

O Governo decidiu na manhã de 29 de janeiro decretar a situação de calamidade “nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin”, decisão tomada na reunião do Conselho de Ministros e depois de vários autarcas terem pedido ao Governo que o fizesse.

Os primeiros autarcas a apelar ao Governo foram os Leiria e de Figueiró dos Vinhos, que ficaram isolados sem comunicações, água e luz após a passagem da tempestade Kristin na madrugada de 28 de janeiro, pedindo “socorro” depois de conhecerem parte da dimensão dos estragos. A maioria das municípios da Lezíria do Tejo não foram abrangidos, tendo os autarcas da Comunidade Intermunicipal alertado o governo para a necessidade e justiça da sua integração na medida.

A situação de calamidade é o mais grave de três estados e, de acordo com a legislação “pode ser declarada quando, face à ocorrência ou perigo de ocorrência de acidente grave e/ou de catástrofe, e à sua previsível intensidade, se reconhece a necessidade de adotar medidas de caráter excecional destinadas a prevenir, reagir ou repor a normalidade das condições de vida nas áreas atingidas pelos seus efeitos”.

A isenção das portagens abrangeu os troços com origem ou destino nas autoestradas A8, A17, A14 e A19, reforçando o apoio à mobilidade das populações nas regiões afetadas.

Em articulação com as concessionárias e subconcessionárias, a isenção aplicou-se na A8, entre Valado de Frades e Leiria Nascente; na A17, entre a ligação à A8 e Mira; na A14, entre Santa Eulália e o Nó de Ança; e na A19, entre os nós de Azoia e de São Jorge. O tráfego em atravessamento não esteve abrangido.

No sábado, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria apelou ao Presidente da República para intervir na prorrogação da isenção das portagens nas principais autoestradas que servem aquele território, na sequência da destruição provocada pela depressão Kristin.

“A reposição das portagens já no próximo domingo [hoje] representaria um encargo acrescido para famílias e empresas que continuam a enfrentar sérias dificuldades, numa fase em que a prioridade deve ser a recuperação económica e social da região”, salientou, em comunicado, aquela estrutura constituída por 10 municípios.

Na carta, apela ao chefe de Estado para que, “no quadro das competências que lhe são próprias, promova a reflexão e a intervenção que considere adequadas, no sentido de assegurar a prorrogação do regime de isenção de portagens nas autoestradas A8 (Marinha Grande/Leiria) e A19 por razões de mobilidade, de equidade e de solidariedade para com uma região que foi severamente atingida”.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

c/Lusa

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